Blucher Design Proceedings
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1. Design de Exposição Portátil 1.1. Análise do artefato expositivo, de Lina Bo Bardi
1. Design de Exposição Portátil 1.1. Análise do artefato expositivo, de Lina Bo Bardi
Souza, Andrea Pereira Gomes de; Oliveira, Mirtes Cristina Marins de
Artigo:
Design de Exposição Portátil Análise do artefato expositivo, de Lina Bo Bardi O estudo investiga a Grande Vaca Mecânica, concebida por Lina Bo Bardi em 1988, como dispositivo expositivo portátil que tensiona os limites tradicionais dos museus enquanto espaços fixos e institucionalizados. Concebida originalmente para o Museu de Arte de São Paulo (MASP), a proposta permaneceu apenas como projeto por mais de uma década. Idealizada como uma espécie de contêiner autônomo sobre rodas, iluminado e sonoro, com emissão de mugidos, destinava-se a abrigar objetos da cultura popular brasileira, como ex-votos e artefatos do artesanato do Nordeste. Embora concebida em 1988, foi construída efetivamente apenas em 2003, por ocasião da Bienal de Veneza. Sua concepção formal e funcional sugere a possibilidade de deslocamento e inserção em espaços diversos, para além do circuito museológico tradicional. Ao analisar esse dispositivo sob perspectiva crítica, a pesquisa busca compreender como sua mobilidade estrutural atua no sistema de design de exposição portátil no projeto de Lina Bo Bardi. A análise insere-se no contexto de uma museologia que procura romper com a monumentalidade e a fixidez dos museus modernos. Como observa Cristina Freire (2013), experiências como o Trem de Arte, de Walter Zanini, revelam estratégias precursoras de circulação da arte em rede. Essas iniciativas acionam múltiplos dispositivos para integrar regiões e públicos diversos, ampliando o acesso e a agência cultural. Na mesma direção, Denise Walter Xavier (2013) destaca que práticas de museologia itinerante buscaram alcançar públicos amplos e distantes. Essas experiências articularam a necessidade de transporte seguro do acervo e criação de ambientes pedagógicos móveis. Em contraponto, a Grande Vaca Mecânica evidencia uma tensão particular. Embora concebida com estrutura que permite deslocamento, permaneceu, na prática, inserida em espaços institucionais fixos. Essa tensão entre mobilidade projetada e permanência museal orienta a indagação desta pesquisa. Nesse contexto, a Grande Vaca Mecânica pode ser compreendida como estrutura expositiva orientada pela portabilidade e itinerância, abrindo a possibilidade de tensionar criticamente a espacialidade museal. Nesse contexto, aproxima-se de experiências como a Boîte-en-valise, de Marcel Duchamp, e dos museus móveis do século XX, como ônibus, caminhões e contêineres que transportavam coleções e atividades educativas a localidades afastadas. A necessidade de contornar a limitação espacial dos museus tradicionais favoreceu soluções portáteis que, além de permitir circulação, incorporavam estratégias pedagógicas e interativas, exigindo cuidados com manutenção e transporte do acervo. Assim, muitos desses dispositivos tornaram-se ambientes de mediação cultural, conforme registros da UNESCO (1953; 1963). Ao aproximá-la dessas experiências, evidencia-se que seu potencial não reside apenas na mobilidade física, mas na possibilidade de tensionar criticamente o espaço museal. Esse potencial se concretiza parcialmente em 2018, com a reativação do dispositivo em ação urbana promovida pela Fundación Juan March, em Madri, quando percorreu a cidade até chegar à sede da instituição. Nesse aspecto, a Grande Vaca Mecânica recupera sua condição de estrutura expositiva portátil, deslocando-se do espaço institucional fixo para o espaço urbano. A ação demonstra que a mobilidade não é apenas um atributo técnico do projeto, mas um princípio operativo que altera temporariamente sua relação com o espaço institucional. Assim, o percurso do objeto em 2018 evidencia sua dimensão operativa e promove uma reflexão sobre práticas expositivas flexíveis e móveis. Atualmente, a pesquisa encontra-se na etapa de levantamento e análise de materiais sobre a Grande Vaca Mecânica, articulando registros e documentações com o referencial teórico adotado. O objetivo é compreender como o artefato atua em termos de mobilidade e interação com o espaço museal, a fim de contribuir para o design de exposição portátil.
Design de Exposição Portátil Análise do artefato expositivo, de Lina Bo Bardi O estudo investiga a Grande Vaca Mecânica, concebida por Lina Bo Bardi em 1988, como dispositivo expositivo portátil que tensiona os limites tradicionais dos museus enquanto espaços fixos e institucionalizados. Concebida originalmente para o Museu de Arte de São Paulo (MASP), a proposta permaneceu apenas como projeto por mais de uma década. Idealizada como uma espécie de contêiner autônomo sobre rodas, iluminado e sonoro, com emissão de mugidos, destinava-se a abrigar objetos da cultura popular brasileira, como ex-votos e artefatos do artesanato do Nordeste. Embora concebida em 1988, foi construída efetivamente apenas em 2003, por ocasião da Bienal de Veneza. Sua concepção formal e funcional sugere a possibilidade de deslocamento e inserção em espaços diversos, para além do circuito museológico tradicional. Ao analisar esse dispositivo sob perspectiva crítica, a pesquisa busca compreender como sua mobilidade estrutural atua no sistema de design de exposição portátil no projeto de Lina Bo Bardi. A análise insere-se no contexto de uma museologia que procura romper com a monumentalidade e a fixidez dos museus modernos. Como observa Cristina Freire (2013), experiências como o Trem de Arte, de Walter Zanini, revelam estratégias precursoras de circulação da arte em rede. Essas iniciativas acionam múltiplos dispositivos para integrar regiões e públicos diversos, ampliando o acesso e a agência cultural. Na mesma direção, Denise Walter Xavier (2013) destaca que práticas de museologia itinerante buscaram alcançar públicos amplos e distantes. Essas experiências articularam a necessidade de transporte seguro do acervo e criação de ambientes pedagógicos móveis. Em contraponto, a Grande Vaca Mecânica evidencia uma tensão particular. Embora concebida com estrutura que permite deslocamento, permaneceu, na prática, inserida em espaços institucionais fixos. Essa tensão entre mobilidade projetada e permanência museal orienta a indagação desta pesquisa. Nesse contexto, a Grande Vaca Mecânica pode ser compreendida como estrutura expositiva orientada pela portabilidade e itinerância, abrindo a possibilidade de tensionar criticamente a espacialidade museal. Nesse contexto, aproxima-se de experiências como a Boîte-en-valise, de Marcel Duchamp, e dos museus móveis do século XX, como ônibus, caminhões e contêineres que transportavam coleções e atividades educativas a localidades afastadas. A necessidade de contornar a limitação espacial dos museus tradicionais favoreceu soluções portáteis que, além de permitir circulação, incorporavam estratégias pedagógicas e interativas, exigindo cuidados com manutenção e transporte do acervo. Assim, muitos desses dispositivos tornaram-se ambientes de mediação cultural, conforme registros da UNESCO (1953; 1963). Ao aproximá-la dessas experiências, evidencia-se que seu potencial não reside apenas na mobilidade física, mas na possibilidade de tensionar criticamente o espaço museal. Esse potencial se concretiza parcialmente em 2018, com a reativação do dispositivo em ação urbana promovida pela Fundación Juan March, em Madri, quando percorreu a cidade até chegar à sede da instituição. Nesse aspecto, a Grande Vaca Mecânica recupera sua condição de estrutura expositiva portátil, deslocando-se do espaço institucional fixo para o espaço urbano. A ação demonstra que a mobilidade não é apenas um atributo técnico do projeto, mas um princípio operativo que altera temporariamente sua relação com o espaço institucional. Assim, o percurso do objeto em 2018 evidencia sua dimensão operativa e promove uma reflexão sobre práticas expositivas flexíveis e móveis. Atualmente, a pesquisa encontra-se na etapa de levantamento e análise de materiais sobre a Grande Vaca Mecânica, articulando registros e documentações com o referencial teórico adotado. O objetivo é compreender como o artefato atua em termos de mobilidade e interação com o espaço museal, a fim de contribuir para o design de exposição portátil.
Palavras-chave: Design de exposição portátil; A Grande Vaca Mecânica; Lina Bo Bardi; Museologia Crítica. Design de exposição portátil; A Grande Vaca Mecânica; Lina Bo Bardi; Museologia Crítica.
DOI: 10.5151/1JPPD-0064
Referências bibliográficas
- [1] CYPRIANO, Fabio; MARINS DE OLIVEIRA, Mirtes (org.). Histórias das exposições: casos exemplares. São Paulo: Educ, 2016. 176 p.
- [2] FREIRE, Cristina. Walter Zanini: escrituras críticas. São Paulo: Annablume; MAC USP, 2013.
- [3] LATORRACA, Giancarlo (cur.). Maneiras de expor: arquitetura expositiva de Lina Bo Bardi. São Paulo: Museu da Casa Brasileira, 2014.
- [4] SANCHEZ LLORENS, María del Mar. Objetos y acciones colectivas de Lina Bo Bardi. 2010. Tese (Doutorado em Arquitetura) — Escuela Técnica Superior de Arquitectura, Madrid, 2010.
- [5] XAVIER, Denise Walter. A museologia itinerante: uma perspectiva histórica. Cadernos de Sociomuseologia, Lisboa, v. 45, n. 1, p. 37–54, 2013.
Como citar:
Souza, Andrea Pereira Gomes de; Oliveira, Mirtes Cristina Marins de; "1. Design de Exposição Portátil
1.1. Análise do artefato expositivo, de Lina Bo Bardi
", p-173-174.
In: 1º JPPD.
São Paulo: Blucher,
2026.
ISSN 23186968,
DOI 10.5151/1JPPD-0064
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TY - CONF T1 - 1. Design de Exposição Portátil 1.1. Análise do artefato expositivo, de Lina Bo Bardi JO - Blucher Design Proceedings VL - 14 IS - 3 SP - 173 EP - 174 PY - 2026 T2 - I Jornada Paulista de Pesquisa em Design AU - , SN - 23186968 DO - http://dx.doi.org/10.5151/1JPPD-0064 UR - www.proceedings.blucher.com.br/article-details/1-design-de-exposicao-portatil-11-analise-do-artefato-expositivo-de-lina-bo-bardi KW - Design de exposição portátil; A Grande Vaca Mecânica; Lina Bo Bardi; Museologia Crítica. ER -
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Andrea Pereira Gomes de Souza, Mirtes Cristina Marins de Oliveira, 1. Design de Exposição Portátil 1.1. Análise do artefato expositivo, de Lina Bo Bardi , Blucher Design Proceedings, Volume 14, 2026, Pages 173-174, ISSN 23186968, http://dx.doi.org/10.5151/1JPPD-0064 (www.proceedings.blucher.com.br/article-details/1-design-de-exposicao-portatil-11-analise-do-artefato-expositivo-de-lina-bo-bardi) Palavras-chave:: Design de exposição portátil; A Grande Vaca Mecânica; Lina Bo Bardi; Museologia Crítica.;