Blucher Design Proceedings
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Aceitação de biomateriais: análise da dimensão afetiva e sensorial no design emocional.
Aceitação de biomateriais: análise da dimensão afetiva e sensorial no design emocional.
Silva, Geovanna Queiroz; Neves, Érica Pereira das; Duarte, Adriana Yumi Sato
Artigo:
1. Introdução A busca por alternativas sustentáveis frente às crises ecológicas impulsiona o uso de materiais sustentáveis, como os biomateriais alinhados à circularidade e regeneração, como no conceito Cradle to Cradle (McDonough e Braungart, 2002). Contudo, sua adoção depende não apenas da sustentabilidade, mas também de aceitação, especialmente porque ainda podem gerar estranhamento. Essa aceitação está relacionada tanto ao desempenho funcional quanto à capacidade de produzir sensações positivas e estéticas. A escolha do material influencia o desempenho técnico, a identidade do produto e o vínculo emocional por meio da experiência sensorial (Ashby e Johnson, 2011), sendo que, para Karana et al. (2007), essa experiência emerge da interação entre propriedades físicas e interpretação subjetiva, mediando significados simbólicos. Segundo Norman (2004), aspectos afetivos e sensoriais influenciam diretamente essa aceitação, especialmente no nível visceral. Para o autor, existem 03 níveis de processamento do design emocional, o nível visceral é onde a aparência pode transmitir sinais emocionais que vão determinar reações iniciais através de características físicas que vão ser importantes nesse nível e no impacto emocional imediato. Ho e Siu (2012) vão destacar que na dinâmica de interação de componentes no ciclo do design, o designer gera um fluxo de emoção ao projetar os componentes do produto (aparência, forma e estilo) gerando uma sucessão emocional entre usuário e o objeto. A pesquisa analisa como essas dimensões afetiva e sensorial influenciam a incorporação e aceitação de biomateriais no design, considerando possíveis resistências estéticas e perceptivas. O objetivo geral é avaliar essa aceitação por meio da análise das qualidades sensoriais e emocionais dos materiais, utilizando o método de análise sensorial (ISO 8586, 2012), enquanto os objetivos específicos buscam identificar níveis de percepção expressiva, sensorial e afetiva. Parte-se da hipótese de que fatores afetivos, sensoriais e simbólicos são determinantes para sua adoção em projetos de design. O estudo fundamenta-se em Norman (2004), ao enfatizar o nível visceral da experiência emocional, e em Karana et al. (2007), ao relacionar propriedades materiais à interpretação subjetiva, defendendo que experiências sensoriais e simbólicas mais positivas favorecem a aceitação no design. _x000c_ 2. Metodologia e Resultados esperados A pesquisa adotará método quali-quantitativo, com produção de dados por meio da exposição controlada dos participantes a amostras de biomateriais, utilizando o método de análise sensorial. A percepção sensorial será mensurada por uma escala numérica para intensidade de atributos físicos, utilizada por sua precisão comparativa (Stone e Sidel, 2004); a percepção expressiva será avaliada por diferencial semântico em uma escala bipolar para captar significados simbólicos atribuídos (Renner, 2023); e a dimensão afetiva será medida por escala hedônica, indicando o grau de agrado geral para perceber a dimensão fundamentada nas respostas emocionais, em consonância com o nível descrito por Norman (2004). Os dados quantitativos serão analisados por ANOVA (Analysis of Variance), com isso, será possível verificar o grau de avaliação positiva, através da análise de padrões ou diferenças de resposta por consistência na análise sensorial. Enquanto respostas abertas complementarão a interpretação qualitativa dos dados para compreender padrões de aceitação. A validação ocorrerá por padronização dos procedimentos para todos os participantes e análise de consistência interna das escalas. Assim, os conceitos afetivos e sensoriais serão operacionalizados como variáveis mensuráveis, e o recorte empírico examinará a aceitação de biomateriais a partir da comparação entre participantes, identificando variações perceptivas que influenciam sua aceitação. De modo geral, acredita-se que, quanto mais positiva e coerente for a experiência sensorial e emocional, maior será a disposição em aceitar biomateriais no design (Sayuti, 2022). Espera-se demonstrar que a aceitação destes está diretamente relacionada a essas percepções geradas e entender quais fatores levam a isso. Essa pesquisa conta com o apoio do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).
1. Introdução A busca por alternativas sustentáveis frente às crises ecológicas impulsiona o uso de materiais sustentáveis, como os biomateriais alinhados à circularidade e regeneração, como no conceito Cradle to Cradle (McDonough e Braungart, 2002). Contudo, sua adoção depende não apenas da sustentabilidade, mas também de aceitação, especialmente porque ainda podem gerar estranhamento. Essa aceitação está relacionada tanto ao desempenho funcional quanto à capacidade de produzir sensações positivas e estéticas. A escolha do material influencia o desempenho técnico, a identidade do produto e o vínculo emocional por meio da experiência sensorial (Ashby e Johnson, 2011), sendo que, para Karana et al. (2007), essa experiência emerge da interação entre propriedades físicas e interpretação subjetiva, mediando significados simbólicos. Segundo Norman (2004), aspectos afetivos e sensoriais influenciam diretamente essa aceitação, especialmente no nível visceral. Para o autor, existem 03 níveis de processamento do design emocional, o nível visceral é onde a aparência pode transmitir sinais emocionais que vão determinar reações iniciais através de características físicas que vão ser importantes nesse nível e no impacto emocional imediato. Ho e Siu (2012) vão destacar que na dinâmica de interação de componentes no ciclo do design, o designer gera um fluxo de emoção ao projetar os componentes do produto (aparência, forma e estilo) gerando uma sucessão emocional entre usuário e o objeto. A pesquisa analisa como essas dimensões afetiva e sensorial influenciam a incorporação e aceitação de biomateriais no design, considerando possíveis resistências estéticas e perceptivas. O objetivo geral é avaliar essa aceitação por meio da análise das qualidades sensoriais e emocionais dos materiais, utilizando o método de análise sensorial (ISO 8586, 2012), enquanto os objetivos específicos buscam identificar níveis de percepção expressiva, sensorial e afetiva. Parte-se da hipótese de que fatores afetivos, sensoriais e simbólicos são determinantes para sua adoção em projetos de design. O estudo fundamenta-se em Norman (2004), ao enfatizar o nível visceral da experiência emocional, e em Karana et al. (2007), ao relacionar propriedades materiais à interpretação subjetiva, defendendo que experiências sensoriais e simbólicas mais positivas favorecem a aceitação no design. _x000c_ 2. Metodologia e Resultados esperados A pesquisa adotará método quali-quantitativo, com produção de dados por meio da exposição controlada dos participantes a amostras de biomateriais, utilizando o método de análise sensorial. A percepção sensorial será mensurada por uma escala numérica para intensidade de atributos físicos, utilizada por sua precisão comparativa (Stone e Sidel, 2004); a percepção expressiva será avaliada por diferencial semântico em uma escala bipolar para captar significados simbólicos atribuídos (Renner, 2023); e a dimensão afetiva será medida por escala hedônica, indicando o grau de agrado geral para perceber a dimensão fundamentada nas respostas emocionais, em consonância com o nível descrito por Norman (2004). Os dados quantitativos serão analisados por ANOVA (Analysis of Variance), com isso, será possível verificar o grau de avaliação positiva, através da análise de padrões ou diferenças de resposta por consistência na análise sensorial. Enquanto respostas abertas complementarão a interpretação qualitativa dos dados para compreender padrões de aceitação. A validação ocorrerá por padronização dos procedimentos para todos os participantes e análise de consistência interna das escalas. Assim, os conceitos afetivos e sensoriais serão operacionalizados como variáveis mensuráveis, e o recorte empírico examinará a aceitação de biomateriais a partir da comparação entre participantes, identificando variações perceptivas que influenciam sua aceitação. De modo geral, acredita-se que, quanto mais positiva e coerente for a experiência sensorial e emocional, maior será a disposição em aceitar biomateriais no design (Sayuti, 2022). Espera-se demonstrar que a aceitação destes está diretamente relacionada a essas percepções geradas e entender quais fatores levam a isso. Essa pesquisa conta com o apoio do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).
Palavras-chave: Design emocional; Biomateriais; Sustentabilidade; Aceitação. Design emocional; Biomateriais; Sustentabilidade; Aceitação.
DOI: 10.5151/1JPPD-0045
Referências bibliográficas
- [1] ASHBY, M. F.; JOHNSON, K. Materiais e design: arte e ciência da seleção de materiais no design de produto. Rio de Janeiro: Elsevier, 2011.
- [2] HO, A. G.; SIU, K. Emotion design, emotional design, emotionalize design: a review on their relationships from a new perspective. The Design Journal, v. 15, n. 1, p. 9-32, 2012.
- [3] ISO. ISO 8586:2012: sensory analysis - general guidelines for the selection, training and monitoring of selected assessors and expert sensory assessors. Geneva: ISO, 2012.
- [4] KARANA, E.; HEKKERT, P.; KANDACHAR, P. Sensorial properties of materials for creating expressive meanings. Paris: The Design Society, 2007.
- [5] MCDONOUGH, W.; BRAUNGART, M. Cradle to cradle: remaking the way we make things. New York: North Point Press, 2002.
- [6] NORMAN, D. A. Design emocional: por que adoramos (ou detestamos) os objetos do dia a dia. Rio de Janeiro: Rocco, 2004.
- [7] RENNER, R. S. J. Medindo a imagem afetiva segundo duas escalas diferentes: comparação entre a escala tipo Likert e a de diferencial semântico. THIJ, v. 7, n. 2, p. 38-62, 2023.
- [8] SAYUTI, A.; KRISTENSEN, S. Biomaterials in everyday design: understanding perceptions of designers and non-designers. Proceedings of the Design Society, v. 2, p. 2025-2034, 2022.
- [9] STONE, H.; SIDEL, J. L. Sensory evaluation practices. San Diego: Elsevier Academic Press, 2004.
Como citar:
Silva, Geovanna Queiroz; Neves, Érica Pereira das; Duarte, Adriana Yumi Sato; "Aceitação de biomateriais: análise da dimensão afetiva e sensorial no design emocional.", p-117-119.
In: 1º JPPD.
São Paulo: Blucher,
2026.
ISSN 23186968,
DOI 10.5151/1JPPD-0045
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TY - CONF T1 - Aceitação de biomateriais: análise da dimensão afetiva e sensorial no design emocional. JO - Blucher Design Proceedings VL - 14 IS - 3 SP - 117 EP - 119 PY - 2026 T2 - I Jornada Paulista de Pesquisa em Design AU - , , SN - 23186968 DO - http://dx.doi.org/10.5151/1JPPD-0045 UR - www.proceedings.blucher.com.br/article-details/aceitacao-de-biomateriais-analise-da-dimensao-afetiva-e-sensorial-no-design-emocional KW - Design emocional; Biomateriais; Sustentabilidade; Aceitação. ER -
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title="Aceitação de biomateriais: análise da dimensão afetiva e sensorial no design emocional.",
journal="Blucher Design Proceedings",
volume="14",
number="3",
pages="117 - 119",
year="2026",
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doi="http://dx.doi.org/10.5151/1JPPD-0045",
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Geovanna Queiroz Silva, Érica Pereira das Neves, Adriana Yumi Sato Duarte, Aceitação de biomateriais: análise da dimensão afetiva e sensorial no design emocional., Blucher Design Proceedings, Volume 14, 2026, Pages 117-119, ISSN 23186968, http://dx.doi.org/10.5151/1JPPD-0045 (www.proceedings.blucher.com.br/article-details/aceitacao-de-biomateriais-analise-da-dimensao-afetiva-e-sensorial-no-design-emocional) Palavras-chave:: Design emocional; Biomateriais; Sustentabilidade; Aceitação.;