Blucher Design Proceedings
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Alternativas Competitivas à Monetização Predatória: uma análise comparativa
Alternativas Competitivas à Monetização Predatória: uma análise comparativa
Andrade, Felipe Mariani de; Silva, Andréa Catrópa da
Artigo:
A pesquisa apresentada investiga o avanço das práticas de monetização predatória na indústria de jogos digitais, seus impactos sociais, e discute a viabilidade de alternativas competitivas mais transparentes. O estudo parte da constatação de que modelos como loot boxes, passes de batalha e microtransações invasivas se tornaram amplamente disseminados, muitas vezes apoiados em padrões de design que exploram vulnerabilidades comportamentais dos jogadores. Tal cenário levanta a questão central: é possível garantir sustentabilidade econômica para os estúdios sem recorrer a estratégias de exploração? A fundamentação teórica combina perspectivas diversas. A primeira, de Zagal, Björk e Lewis (2013), identifica os chamados dark patterns no design de jogos, onde evidenciam como certas escolhas de design podem manipular o comportamento do jogador de forma negativa. Já a segunda, de Petrovskaya e Zendle (2020), categoriza e identifica práticas de monetização que ultrapassam limites éticos ao explorar tais mecanismos de design. A metodologia adotada foi mista, reunindo dados quantitativos extraídos de ferramentas como SteamDB (2025) e Gamalytic (2025), e dados qualitativos derivados da análise de reviews, fóruns, reportagens da mídia especializada e manifestações espontâneas das comunidades de jogadores. Essa combinação permitiu mapear tanto o desempenho de mercado quanto a percepção subjetiva dos usuários frente a diferentes estratégias de monetização nos games. Dois estudos de caso foram conduzidos para sustentar a análise: O jogo ARK: Survival Evolved, frequentemente associado a práticas predatórias, e o jogo Subnautica, conhecido por sua postura mais transparente. Em ambos, foram examinados os aspectos de gameplay, os modelos de monetização, a recepção das comunidades e os resultados financeiros. A comparação evidenciou que, embora os modelos agressivos possam gerar picos de receita no curto prazo, eles tendem a comprometer a reputação das empresas e a confiança dos jogadores, minando sua sustentabilidade de longo prazo. Em contrapartida, práticas transparentes se mostraram capazes de fidelizar comunidades engajadas, consolidar avaliações positivas e ampliar a longevidade dos títulos. Os resultados indicam que abordagens não predatórias podem ser competitivas, desde que articuladas a propostas de design coerentes, comunicação clara e construção de confiança entre desenvolvedoras e jogadores. Nesse sentido, o estudo contribui para o debate em Design ao articular dimensões econômicas e éticas, demonstrando que o desenvolvimento de experiências significativas não precisa estar em oposição à viabilidade financeira. O trabalho amplia as discussões no campo do Design, Arte e Tecnologia, oferecendo parâmetros críticos para compreender como escolhas de monetização impactam tanto a estrutura dos jogos quanto sua recepção cultural e de mercado. Além disso, a pesquisa reforça o papel do designer como agente de mediação entre valores criativos e pressões comerciais, destacando que cada decisão de monetização é também uma decisão de projeto e, portanto, de responsabilidade ética. Ao propor uma visão integrada entre experiência, transparência e sustentabilidade, o estudo aponta para a necessidade de repensar os modelos tradicionais de rentabilidade que se apoiam na exploração comportamental. O avanço do debate sobre monetização em jogos digitais deve, assim, envolver não apenas aspectos técnicos ou financeiros, mas também um olhar crítico sobre o impacto social dessas práticas, incentivando o surgimento de novos paradigmas de criação baseados na honestidade e na valorização da experiência lúdica como um bem cultural compartilhado.
A pesquisa apresentada investiga o avanço das práticas de monetização predatória na indústria de jogos digitais, seus impactos sociais, e discute a viabilidade de alternativas competitivas mais transparentes. O estudo parte da constatação de que modelos como loot boxes, passes de batalha e microtransações invasivas se tornaram amplamente disseminados, muitas vezes apoiados em padrões de design que exploram vulnerabilidades comportamentais dos jogadores. Tal cenário levanta a questão central: é possível garantir sustentabilidade econômica para os estúdios sem recorrer a estratégias de exploração? A fundamentação teórica combina perspectivas diversas. A primeira, de Zagal, Björk e Lewis (2013), identifica os chamados dark patterns no design de jogos, onde evidenciam como certas escolhas de design podem manipular o comportamento do jogador de forma negativa. Já a segunda, de Petrovskaya e Zendle (2020), categoriza e identifica práticas de monetização que ultrapassam limites éticos ao explorar tais mecanismos de design. A metodologia adotada foi mista, reunindo dados quantitativos extraídos de ferramentas como SteamDB (2025) e Gamalytic (2025), e dados qualitativos derivados da análise de reviews, fóruns, reportagens da mídia especializada e manifestações espontâneas das comunidades de jogadores. Essa combinação permitiu mapear tanto o desempenho de mercado quanto a percepção subjetiva dos usuários frente a diferentes estratégias de monetização nos games. Dois estudos de caso foram conduzidos para sustentar a análise: O jogo ARK: Survival Evolved, frequentemente associado a práticas predatórias, e o jogo Subnautica, conhecido por sua postura mais transparente. Em ambos, foram examinados os aspectos de gameplay, os modelos de monetização, a recepção das comunidades e os resultados financeiros. A comparação evidenciou que, embora os modelos agressivos possam gerar picos de receita no curto prazo, eles tendem a comprometer a reputação das empresas e a confiança dos jogadores, minando sua sustentabilidade de longo prazo. Em contrapartida, práticas transparentes se mostraram capazes de fidelizar comunidades engajadas, consolidar avaliações positivas e ampliar a longevidade dos títulos. Os resultados indicam que abordagens não predatórias podem ser competitivas, desde que articuladas a propostas de design coerentes, comunicação clara e construção de confiança entre desenvolvedoras e jogadores. Nesse sentido, o estudo contribui para o debate em Design ao articular dimensões econômicas e éticas, demonstrando que o desenvolvimento de experiências significativas não precisa estar em oposição à viabilidade financeira. O trabalho amplia as discussões no campo do Design, Arte e Tecnologia, oferecendo parâmetros críticos para compreender como escolhas de monetização impactam tanto a estrutura dos jogos quanto sua recepção cultural e de mercado. Além disso, a pesquisa reforça o papel do designer como agente de mediação entre valores criativos e pressões comerciais, destacando que cada decisão de monetização é também uma decisão de projeto e, portanto, de responsabilidade ética. Ao propor uma visão integrada entre experiência, transparência e sustentabilidade, o estudo aponta para a necessidade de repensar os modelos tradicionais de rentabilidade que se apoiam na exploração comportamental. O avanço do debate sobre monetização em jogos digitais deve, assim, envolver não apenas aspectos técnicos ou financeiros, mas também um olhar crítico sobre o impacto social dessas práticas, incentivando o surgimento de novos paradigmas de criação baseados na honestidade e na valorização da experiência lúdica como um bem cultural compartilhado.
Palavras-chave: Design; Game Design; Monetização predatória; Dark Patterns; Jogos digitais Design; Game Design; Monetização predatória; Dark Patterns; Jogos digitais
DOI: 10.5151/1JPPD-0074
Referências bibliográficas
- [1] GAMALYTIC. Gamalytic, [s.d.]. Disponível em: https://gamalytic.com. Dados coletados em: 19 maio 2025. Acesso em: 26 set. 2025.
- [2] PETROVSKAYA, Elena; ZENDLE, David. Predatory monetisation? A categorisation of unfair, misleading and aggressive monetisation techniques in digital games from the player perspective. Journal of Business Ethics, v. 181, p. 1065–1081, 2021. Disponível em: https://link.springer.com/article/10.1007/s10551-021-04970-6. Acesso em: 26 set. 2025.
- [3] STEAMDB. [s.d.]. Disponível em: https://steamdb.info. Dados coletados em: 17 jun. 2025. Acesso em: 26 set. 2025.
- [4] ZAGAL, José P.; BJÖRK, Staffan; LEWIS, Chris. Dark Patterns in the Design of Games. In: Proceedings of Foundations of Digital Games 2013, [S.l.], 2013. p. 39–46. Disponível em: http://www.fdg2013.org/program/papers/paper06_zagal_etal.pdf. Acesso em: 26 set. 2025.
Como citar:
Andrade, Felipe Mariani de; Silva, Andréa Catrópa da; "Alternativas Competitivas à Monetização Predatória: uma análise comparativa", p-195-196.
In: 1º JPPD.
São Paulo: Blucher,
2026.
ISSN 23186968,
DOI 10.5151/1JPPD-0074
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Felipe Mariani de Andrade, Andréa Catrópa da Silva, Alternativas Competitivas à Monetização Predatória: uma análise comparativa, Blucher Design Proceedings, Volume 14, 2026, Pages 195-196, ISSN 23186968, http://dx.doi.org/10.5151/1JPPD-0074 (www.proceedings.blucher.com.br/article-details/alternativas-competitivas-a-monetizacao-predatoria-uma-analise-comparativa) Palavras-chave:: Design; Game Design; Monetização predatória; Dark Patterns; Jogos digitais;