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Análise tipográfica para logotipos: método aplicado a marcas de refrigerantes de guaraná no início do século XX
Análise tipográfica para logotipos: método aplicado a marcas de refrigerantes de guaraná no início do século XX
Lorencini, Nikolas de Almeida; Farias, Priscila Lena
Artigo:
Por meio de pesquisa bibliográfica e pesquisa em acervos públicos e particulares, mapearam-se as primeiras marcas de refrigerantes de guaraná brasileiros e exemplares destes foram encontrados em diversas fontes: de rótulos originais impressos ou fotografados, provenientes de coleções particulares e sites de leilões filatélicos, até anúncios publicados em revistas, digitalizados e disponíveis na hemeroteca digital da Biblioteca Nacional. A estratégia de inclusão de anúncios contendo rótulos ocorreu devido ao desaparecimento de rótulos originais dada a natureza efêmera desses materiais. O estudo se insere nos campos da memória gráfica (Farias; Braga, 2018) com o objetivo de compreender como os refrigerantes de guaraná adotaram estratégias de identidade visual, especificamente logotipos, nos primórdios de sua industrialização. As análises tomaram como base as formas de letras e de palavras dos logotipos, uma vez que alguns anúncios selecionados possuíam apenas reproduções monocromáticas. Foram selecionadas seis marcas de quatro macrorregiões brasileiras (Fig. 1), que representam os primeiros refrigerantes de guaraná comercializados no Brasil, refletindo assim traços da industrialização nos estados, especificamente em capitais: Norte, Andrade (1907); Nordeste, Fratelli Vita (1910); Sul, Cyrilla (1906); e Sudeste, Antarctica (1921), Brahma (1927) e Espumante (anos 1920). O método de semiótica da tipografia de Farias (2016) foi usado para análise dos logotipos. Analisando-se assim o detalhe da microtipografia (Farias, 2016), ou seja, o detalhe tipográfico compreendido pelos níveis de letra e palavra. Para cada um dos níveis, examinou-se os logotipos em três dimensões: sintática, semântica e pragmática. Na dimensão sintática, uma descrição e observação quanto à forma: modo de produção ou origem das formas das letras; proporções das alturas das letras; estrutura, se caixa-alta ou caixa-baixa; além da própria forma individual das letras, quanto à presença de serifa, contrastes entre os traços, peso e estilo. Na dimensão semântica, os significados atribuídos, como a velocidade inerente à forma da letra; o ritmo de sua construção; e a expressividade, ou seja, os conceitos expressos através da forma. Na dimensão pragmática da letra, ou os impactos gerados a partir das dimensões sintática e semântica, observou-se aspectos de legibilidade, ou seja, a clareza para o reconhecimento de caracteres isolados (Farias, 2016, p. 49) e, mais uma vez, avaliadas as questões de expressividade. No nível de palavra, a partir das 3 dimensões mencionadas, examinou-se: dimensão sintática, aspectos de continuidade ou segmentação (palavra composta por caracteres isolados, romano, ou traçado contínuo, cursivo), variação de forma e estrutura (se o traçado se altera no desenho da palavra) e, observando o logotipo aplicado, elementos associados à sua representação, nesse caso, descrevendo-se elementos gráficos e outros aspectos relacionados ao logotipo. Na dimensão semântica, a velocidade implícita da palavra, o ritmo, percebido pela alternância de formas e contraformas nos traçados das letras e quais espessuras ou espaços definem esse ritmo; e a expressividade percebida, agora na dimensão de palavra. Por último, examinou-se, na dimensão pragmática da palavra, a legibilidade e a expressividade. O método proposto por Farias (2016) permitiu a análise minuciosa da microtipografia e a percepção de expressividade foi possível em todos os logotipos analisados, revelando, principalmente a diversidade de suas construções formais no nível da letra. Para o desenho dos logotipos, utiliza-se com frequência a técnica de letreiramento, onde o desenho do perfil da palavra — ou sua silhueta — destacou-se como um ponto a se observar em análise abordando a expressividade de logotipos. Essa observação destaca sobretudo, as composições usando estruturas com caixa-alta e caixa- baixa, o que indica que a construção elaborada das formas das letras tem seu complemento no perfil da palavra como unidade gráfica.
Por meio de pesquisa bibliográfica e pesquisa em acervos públicos e particulares, mapearam-se as primeiras marcas de refrigerantes de guaraná brasileiros e exemplares destes foram encontrados em diversas fontes: de rótulos originais impressos ou fotografados, provenientes de coleções particulares e sites de leilões filatélicos, até anúncios publicados em revistas, digitalizados e disponíveis na hemeroteca digital da Biblioteca Nacional. A estratégia de inclusão de anúncios contendo rótulos ocorreu devido ao desaparecimento de rótulos originais dada a natureza efêmera desses materiais. O estudo se insere nos campos da memória gráfica (Farias; Braga, 2018) com o objetivo de compreender como os refrigerantes de guaraná adotaram estratégias de identidade visual, especificamente logotipos, nos primórdios de sua industrialização. As análises tomaram como base as formas de letras e de palavras dos logotipos, uma vez que alguns anúncios selecionados possuíam apenas reproduções monocromáticas. Foram selecionadas seis marcas de quatro macrorregiões brasileiras (Fig. 1), que representam os primeiros refrigerantes de guaraná comercializados no Brasil, refletindo assim traços da industrialização nos estados, especificamente em capitais: Norte, Andrade (1907); Nordeste, Fratelli Vita (1910); Sul, Cyrilla (1906); e Sudeste, Antarctica (1921), Brahma (1927) e Espumante (anos 1920). O método de semiótica da tipografia de Farias (2016) foi usado para análise dos logotipos. Analisando-se assim o detalhe da microtipografia (Farias, 2016), ou seja, o detalhe tipográfico compreendido pelos níveis de letra e palavra. Para cada um dos níveis, examinou-se os logotipos em três dimensões: sintática, semântica e pragmática. Na dimensão sintática, uma descrição e observação quanto à forma: modo de produção ou origem das formas das letras; proporções das alturas das letras; estrutura, se caixa-alta ou caixa-baixa; além da própria forma individual das letras, quanto à presença de serifa, contrastes entre os traços, peso e estilo. Na dimensão semântica, os significados atribuídos, como a velocidade inerente à forma da letra; o ritmo de sua construção; e a expressividade, ou seja, os conceitos expressos através da forma. Na dimensão pragmática da letra, ou os impactos gerados a partir das dimensões sintática e semântica, observou-se aspectos de legibilidade, ou seja, a clareza para o reconhecimento de caracteres isolados (Farias, 2016, p. 49) e, mais uma vez, avaliadas as questões de expressividade. No nível de palavra, a partir das 3 dimensões mencionadas, examinou-se: dimensão sintática, aspectos de continuidade ou segmentação (palavra composta por caracteres isolados, romano, ou traçado contínuo, cursivo), variação de forma e estrutura (se o traçado se altera no desenho da palavra) e, observando o logotipo aplicado, elementos associados à sua representação, nesse caso, descrevendo-se elementos gráficos e outros aspectos relacionados ao logotipo. Na dimensão semântica, a velocidade implícita da palavra, o ritmo, percebido pela alternância de formas e contraformas nos traçados das letras e quais espessuras ou espaços definem esse ritmo; e a expressividade percebida, agora na dimensão de palavra. Por último, examinou-se, na dimensão pragmática da palavra, a legibilidade e a expressividade. O método proposto por Farias (2016) permitiu a análise minuciosa da microtipografia e a percepção de expressividade foi possível em todos os logotipos analisados, revelando, principalmente a diversidade de suas construções formais no nível da letra. Para o desenho dos logotipos, utiliza-se com frequência a técnica de letreiramento, onde o desenho do perfil da palavra — ou sua silhueta — destacou-se como um ponto a se observar em análise abordando a expressividade de logotipos. Essa observação destaca sobretudo, as composições usando estruturas com caixa-alta e caixa- baixa, o que indica que a construção elaborada das formas das letras tem seu complemento no perfil da palavra como unidade gráfica.
Palavras-chave: memória gráfica; tipografia; método de análise tipográfica; logotipo; expressividade da tipografia memória gráfica; tipografia; método de análise tipográfica; logotipo; expressividade da tipografia
DOI: 10.5151/1JPPD-0098
Referências bibliográficas
- [1] FARIAS, P. L. Estudos sobre tipografia: letras, memória gráfica e paisagens tipográficas. 2016. - Universidade de São Paulo, São Paulo, 2016. Disponível em: http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/livredocencia/16/tde-10032017-161946/. Acesso em: 3 out. 2024.
- [2] FARIAS, P.; BRAGA, M. Dez ensaios sobre a memória gráfica. São Paulo: Editora Edgard Blucher, 2018.
Como citar:
Lorencini, Nikolas de Almeida; Farias, Priscila Lena; "Análise tipográfica para logotipos: método aplicado a marcas de refrigerantes de guaraná no início do século XX", p-253-255.
In: 1º JPPD.
São Paulo: Blucher,
2026.
ISSN 23186968,
DOI 10.5151/1JPPD-0098
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TY - CONF T1 - Análise tipográfica para logotipos: método aplicado a marcas de refrigerantes de guaraná no início do século XX JO - Blucher Design Proceedings VL - 14 IS - 3 SP - 253 EP - 255 PY - 2026 T2 - I Jornada Paulista de Pesquisa em Design AU - , SN - 23186968 DO - http://dx.doi.org/10.5151/1JPPD-0098 UR - www.proceedings.blucher.com.br/article-details/analise-tipografica-para-logotipos-metodo-aplicado-a-marcas-de-refrigerantes-de-guarana-no-inicio-do-seculo-xx KW - memória gráfica; tipografia; método de análise tipográfica; logotipo; expressividade da tipografia ER -
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Nikolas de Almeida Lorencini, Priscila Lena Farias, Análise tipográfica para logotipos: método aplicado a marcas de refrigerantes de guaraná no início do século XX, Blucher Design Proceedings, Volume 14, 2026, Pages 253-255, ISSN 23186968, http://dx.doi.org/10.5151/1JPPD-0098 (www.proceedings.blucher.com.br/article-details/analise-tipografica-para-logotipos-metodo-aplicado-a-marcas-de-refrigerantes-de-guarana-no-inicio-do-seculo-xx) Palavras-chave:: memória gráfica; tipografia; método de análise tipográfica; logotipo; expressividade da tipografia;