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Aspectos do Design de embalagem que podem incentivar o consumo de alimentos ultraprocessados
Aspectos do Design de embalagem que podem incentivar o consumo de alimentos ultraprocessados
Alem, Thaís Helena Behar; Dantas, Denise
Artigo:
1. Contexto e problemática No âmbito da comunicação visual em rótulos de produtos alimentícios, em especial dos ultraprocessados, observa-se que o atributo da saudabilidade — efetiva ou sugerida — tem adquirido crescente relevância. A limitação de tempo disponível para a realização das compras interfere diretamente nos critérios adotados pelos consumidores que buscam alternativas consideradas mais saudáveis e o design da embalagem, que apresenta as informações do produto, é um dos principais responsáveis por influenciar estas escolhas (Abrams; Evans; Duff, 2015). O Instituto de Defesa do Consumidor (IDEC) e o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) realizaram uma pesquisa com crianças de sete a 12 anos de idade, de níveis socioeconômicos diferentes, residentes na cidade de São Paulo, como forma de avaliar a influência do design em embalagens direcionadas ao público infantil. Um dos resultados obtidos indica a preferência deste público por cores vibrantes, personagens, celebridades, ilustrações de crianças, assim como a utilização de imagens do produto em evidência (IDEC; UNICEF, 2019). Já na pesquisa realizada por Abrams, Evans e Duff (2015) foi identificado que, para os adultos, personagens e cores vibrantes podem representar escolhas menos saudáveis, mas que marcas que já consomem ou conhecem, além de embalagens que possuam representações realistas de frutas, tons neutros e espaços vazios entre os elementos, podem interferir nesta percepção e transmitirem a sensação de que o produto é mais saudável que outros da mesma categoria. Além disso, produtos que apresentem elementos visuais como alegações nutricionais e de saúde, que sugerem um produto mais saudável, no momento de compra rápida, faz com que este seja escolhido por pais e responsáveis que buscam fazer melhores escolhas alimentares. Sendo assim, é importante observar que elementos visuais estão presentes nas embalagens de alimentos ultraprocessados (NUPENS, [S.d.]), que podem interferir na percepção destes produtos como sendo mais saudáveis do que realmente são. 2. Resultado Para isso, foram observados 59 painéis frontais de embalagens de produtos ultraprocessados direcionados ao público infantil, que fazem parte do recorte da pesquisa de doutorado da autora, intitulada “Rotulagem nutricional e o design: uma análise a partir da aplicação da RDC nº 429 e IN - nº 75 em embalagens de alimentos ultraprocessados direcionados ao público infantil”. Os produtos foram agrupados em seis tipologias de alimentos, conforme indicado na legenda da Figura 1. A partir da observação das embalagens, as estratégias visuais que possuem algum tipo de relação com a possível saudabilidade do produto foram categorizadas em cinco grupos. A Figura 2 apresenta as categorias e a maneira com a qual os elementos visuais são representados nestas embalagens, além de alguns exemplos encontrados nos produtos observados. Para concluir, é possível mencionar alguns aspectos específicos destas categorias que podem interferir na percepção de saudabilidade dos alimentos, como: a) as ilustrações dos ingredientes com características antropomórficas, personagens, animais e crianças representadas em situações de diversão transmitem vitalidade e energia; b) frases sobre os ingredientes, como “mix de grãos nutritivos” ou “docinho da própria fruta” se valem de características associadas à naturalidade dos ingredientes para transmitir saudabilidade; c) o uso de tipografia que simula a escrita manual, remete a um produto mais artesanal; d) embalagens que utilizam cores menos saturadas e tons neutros podem transmitir que o alimento é mais saudável; e) símbolos nutricionais buscam enfatizar características supostamente benéficas do alimento e ganham destaque nos painéis frontais, mesmo que o produto também contenha aditivos diversos.
1. Contexto e problemática No âmbito da comunicação visual em rótulos de produtos alimentícios, em especial dos ultraprocessados, observa-se que o atributo da saudabilidade — efetiva ou sugerida — tem adquirido crescente relevância. A limitação de tempo disponível para a realização das compras interfere diretamente nos critérios adotados pelos consumidores que buscam alternativas consideradas mais saudáveis e o design da embalagem, que apresenta as informações do produto, é um dos principais responsáveis por influenciar estas escolhas (Abrams; Evans; Duff, 2015). O Instituto de Defesa do Consumidor (IDEC) e o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) realizaram uma pesquisa com crianças de sete a 12 anos de idade, de níveis socioeconômicos diferentes, residentes na cidade de São Paulo, como forma de avaliar a influência do design em embalagens direcionadas ao público infantil. Um dos resultados obtidos indica a preferência deste público por cores vibrantes, personagens, celebridades, ilustrações de crianças, assim como a utilização de imagens do produto em evidência (IDEC; UNICEF, 2019). Já na pesquisa realizada por Abrams, Evans e Duff (2015) foi identificado que, para os adultos, personagens e cores vibrantes podem representar escolhas menos saudáveis, mas que marcas que já consomem ou conhecem, além de embalagens que possuam representações realistas de frutas, tons neutros e espaços vazios entre os elementos, podem interferir nesta percepção e transmitirem a sensação de que o produto é mais saudável que outros da mesma categoria. Além disso, produtos que apresentem elementos visuais como alegações nutricionais e de saúde, que sugerem um produto mais saudável, no momento de compra rápida, faz com que este seja escolhido por pais e responsáveis que buscam fazer melhores escolhas alimentares. Sendo assim, é importante observar que elementos visuais estão presentes nas embalagens de alimentos ultraprocessados (NUPENS, [S.d.]), que podem interferir na percepção destes produtos como sendo mais saudáveis do que realmente são. 2. Resultado Para isso, foram observados 59 painéis frontais de embalagens de produtos ultraprocessados direcionados ao público infantil, que fazem parte do recorte da pesquisa de doutorado da autora, intitulada “Rotulagem nutricional e o design: uma análise a partir da aplicação da RDC nº 429 e IN - nº 75 em embalagens de alimentos ultraprocessados direcionados ao público infantil”. Os produtos foram agrupados em seis tipologias de alimentos, conforme indicado na legenda da Figura 1. A partir da observação das embalagens, as estratégias visuais que possuem algum tipo de relação com a possível saudabilidade do produto foram categorizadas em cinco grupos. A Figura 2 apresenta as categorias e a maneira com a qual os elementos visuais são representados nestas embalagens, além de alguns exemplos encontrados nos produtos observados. Para concluir, é possível mencionar alguns aspectos específicos destas categorias que podem interferir na percepção de saudabilidade dos alimentos, como: a) as ilustrações dos ingredientes com características antropomórficas, personagens, animais e crianças representadas em situações de diversão transmitem vitalidade e energia; b) frases sobre os ingredientes, como “mix de grãos nutritivos” ou “docinho da própria fruta” se valem de características associadas à naturalidade dos ingredientes para transmitir saudabilidade; c) o uso de tipografia que simula a escrita manual, remete a um produto mais artesanal; d) embalagens que utilizam cores menos saturadas e tons neutros podem transmitir que o alimento é mais saudável; e) símbolos nutricionais buscam enfatizar características supostamente benéficas do alimento e ganham destaque nos painéis frontais, mesmo que o produto também contenha aditivos diversos.
Palavras-chave: Design de embalagem; Alimentos ultraprocessados; Rótulo; Consumo Design de embalagem; Alimentos ultraprocessados; Rótulo; Consumo
DOI: 10.5151/1JPPD-0141
Referências bibliográficas
- [1] ABRAMS, K. M.; EVANS, C.; DUFF, B. R. L. Ignorance is bliss. How parents of preschool children make sense of front-of-package visuals and claims on food. Appetite, [s. l.], v. 87, p. 20–29, 2015.
- [2] Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (IDEC); Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF). Influência dos rótulos de alimentos ultraprocessados na percepção, preferências e escolhas alimentares de crianças brasileiras. São Paulo: IDEC; UNICEF, 2019.
- [3] Núcleo de Pesquisas Epidemiológicas em Nutrição e Saúde (NUPENS). A classificação Nova. Nupens – Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo. São Paulo, [s.d.]. Disponível em: https://www.fsp.usp.br/nupens/a-classificacao-nova. Acesso em: 23 Jun. 2025.
Como citar:
Alem, Thaís Helena Behar; Dantas, Denise; "Aspectos do Design de embalagem que podem incentivar o consumo de alimentos ultraprocessados", p-367-369.
In: 1º JPPD.
São Paulo: Blucher,
2026.
ISSN 23186968,
DOI 10.5151/1JPPD-0141
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Thaís Helena Behar Alem, Denise Dantas, Aspectos do Design de embalagem que podem incentivar o consumo de alimentos ultraprocessados, Blucher Design Proceedings, Volume 14, 2026, Pages 367-369, ISSN 23186968, http://dx.doi.org/10.5151/1JPPD-0141 (www.proceedings.blucher.com.br/article-details/aspectos-do-design-de-embalagem-que-podem-incentivar-o-consumo-de-alimentos-ultraprocessados) Palavras-chave:: Design de embalagem; Alimentos ultraprocessados; Rótulo; Consumo;