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Da Alegoria à Ergonomia: A evolução do carnavalesco e a fantasia como dispositivo de comunicação e design emocional no carnaval
Da Alegoria à Ergonomia: A evolução do carnavalesco e a fantasia como dispositivo de comunicação e design emocional no carnaval
Purpura, Ketilley Luciane de Jesus; Menezes, Marizilda dos Santos
Artigo:
As Escolas de Samba, surgem no Rio de Janeiro na década de 1920 a partir de manifestações populares como batuques e ranchos, transformaram-se em um símbolo da cultura brasileira e em um fenômeno complexo que integra música, dança, alegoria e fantasia. Elas são definidas como uma sociedade musical e recreativa que participa dos desfiles, utilizando samba-enredo e cenografia (Lopes; Simas, 2023). A Escola de Samba é uma organização estruturada em alas (técnicas, comerciais e da comunidade) que desfila em um Sambódromo. No caso da cidade de São Paulo, é o Polo Cultural e Esportivo Grande Otelo, conhecido popularmente como o Sambódromo do Anhembi. O desfile é um concurso competitivo regulamentado, no qual os jurados avaliam a escola em três módulos (Visual, Musical e Dança), com categorias como Enredo, Alegoria, Fantasia, Samba-Enredo e Evolução. A avaliação ocorre por meio da "pasta" (ou caderno de montagem), um portfólio que deve refletir fielmente o que é apresentado na pista. A partir desta contextualização, o objetivo central deste trabalho é analisar a atuação do carnavalesco sob a perspectiva do design de moda e, especificamente, introduzir a discussão sobre como a criação de fantasias e alegorias se relaciona com os princípios do design emocional. A metodologia utilizada foi a pesquisa bibliográfica de abordagem qualitativa, com análise de conteúdo de artigos e livros acadêmicos. O carnavalesco ou a comissão de carnaval é o responsável pela concepção e coordenação das equipes de produção de fantasias, alegorias e adereços. Seus antecessores eram os "técnicos", que não possuíam formação acadêmica, ao contrário da primeira geração popular de carnavalescos (Fernando Pamplona, Rosa Magalhães, Renato Lage e Joãozinho Trinta), que surgiram a partir da década de 1960 (Guimarães, 1992). A fantasia de carnaval, diferente do figurino, deve ser exagerada para permitir uma leitura clara do enredo mesmo na última fileira da arquibancada (ARAÚJO, 2020). Ela funciona como um dispositivo para explicar a história do samba-enredo, devendo ser coerente com o tema e harmonizar com o conjunto da escola. Os adereços, como o costeiro, complementam a fantasia, conferindo volume e destaque (Candeia; Isnard, 1978). Na criação, o carnavalesco ou a equipe responsável pelas fantasias, deve considerar características: • Custo – orçamento para ser feita e reproduzida quando necessário; • Vestibilidade: adaptação da fantasia ao corpo; • Volumetria – proporção e exagero na fantasia; • Adequação dos materiais na fantasia – cores, tecidos, texturas e aviamentos; • Ergonomia na fantasia – permite o movimento do componente com a fantasia para dançar; • Categorização – fantasia temática ou conceitual; • Silhueta – é a forma que a fantasia pode dar ao corpo (Araújo, 2020) A análise desses atributos técnicos revela que o processo criativo na Escola de Samba opera como uma prática intrínseca de design. O carnavalesco atua como um designer de experiências emocionais, projetando a fantasia para otimizar o movimento e a performance, elementos cruciais para a transmissão da alegria e da mensagem ao público. A exigência de uniformidade e coerência no desfile faz com que o carnavalesco domine a comunicação simbólica e afetiva, alinhando a estética do objeto à narrativa emocional do enredo. Em síntese, o presente estudo considera inicialmente que o papel do carnavalesco transcende a criação artística. Deste modo, a fantasia se estabelece como um artefato central para a construção de emoções no desfile. A relevância deste trabalho está em posicionar o Carnaval de São Paulo como um campo fértil para o estudo do Design Emocional em uma escala maior, validando o carnavalesco como agente crucial na fusão entre cultura, design de moda e experiência afetiva.
As Escolas de Samba, surgem no Rio de Janeiro na década de 1920 a partir de manifestações populares como batuques e ranchos, transformaram-se em um símbolo da cultura brasileira e em um fenômeno complexo que integra música, dança, alegoria e fantasia. Elas são definidas como uma sociedade musical e recreativa que participa dos desfiles, utilizando samba-enredo e cenografia (Lopes; Simas, 2023). A Escola de Samba é uma organização estruturada em alas (técnicas, comerciais e da comunidade) que desfila em um Sambódromo. No caso da cidade de São Paulo, é o Polo Cultural e Esportivo Grande Otelo, conhecido popularmente como o Sambódromo do Anhembi. O desfile é um concurso competitivo regulamentado, no qual os jurados avaliam a escola em três módulos (Visual, Musical e Dança), com categorias como Enredo, Alegoria, Fantasia, Samba-Enredo e Evolução. A avaliação ocorre por meio da "pasta" (ou caderno de montagem), um portfólio que deve refletir fielmente o que é apresentado na pista. A partir desta contextualização, o objetivo central deste trabalho é analisar a atuação do carnavalesco sob a perspectiva do design de moda e, especificamente, introduzir a discussão sobre como a criação de fantasias e alegorias se relaciona com os princípios do design emocional. A metodologia utilizada foi a pesquisa bibliográfica de abordagem qualitativa, com análise de conteúdo de artigos e livros acadêmicos. O carnavalesco ou a comissão de carnaval é o responsável pela concepção e coordenação das equipes de produção de fantasias, alegorias e adereços. Seus antecessores eram os "técnicos", que não possuíam formação acadêmica, ao contrário da primeira geração popular de carnavalescos (Fernando Pamplona, Rosa Magalhães, Renato Lage e Joãozinho Trinta), que surgiram a partir da década de 1960 (Guimarães, 1992). A fantasia de carnaval, diferente do figurino, deve ser exagerada para permitir uma leitura clara do enredo mesmo na última fileira da arquibancada (ARAÚJO, 2020). Ela funciona como um dispositivo para explicar a história do samba-enredo, devendo ser coerente com o tema e harmonizar com o conjunto da escola. Os adereços, como o costeiro, complementam a fantasia, conferindo volume e destaque (Candeia; Isnard, 1978). Na criação, o carnavalesco ou a equipe responsável pelas fantasias, deve considerar características: • Custo – orçamento para ser feita e reproduzida quando necessário; • Vestibilidade: adaptação da fantasia ao corpo; • Volumetria – proporção e exagero na fantasia; • Adequação dos materiais na fantasia – cores, tecidos, texturas e aviamentos; • Ergonomia na fantasia – permite o movimento do componente com a fantasia para dançar; • Categorização – fantasia temática ou conceitual; • Silhueta – é a forma que a fantasia pode dar ao corpo (Araújo, 2020) A análise desses atributos técnicos revela que o processo criativo na Escola de Samba opera como uma prática intrínseca de design. O carnavalesco atua como um designer de experiências emocionais, projetando a fantasia para otimizar o movimento e a performance, elementos cruciais para a transmissão da alegria e da mensagem ao público. A exigência de uniformidade e coerência no desfile faz com que o carnavalesco domine a comunicação simbólica e afetiva, alinhando a estética do objeto à narrativa emocional do enredo. Em síntese, o presente estudo considera inicialmente que o papel do carnavalesco transcende a criação artística. Deste modo, a fantasia se estabelece como um artefato central para a construção de emoções no desfile. A relevância deste trabalho está em posicionar o Carnaval de São Paulo como um campo fértil para o estudo do Design Emocional em uma escala maior, validando o carnavalesco como agente crucial na fusão entre cultura, design de moda e experiência afetiva.
Palavras-chave: Escola de Samba; Carnavalesco; Fantasia de carnaval; Processo produtivo. Escola de Samba; Carnavalesco; Fantasia de carnaval; Processo produtivo.
DOI: 10.5151/1JPPD-0020
Referências bibliográficas
- [1] ARAÚJO, Carlos Roberto de Oliveira. Modelando o Carnaval: Elementos básicos para a construção de figurino de carnaval. Rio de Janeiro: Autografia, 2020.
- [2] CANDEIA; ISNARD. Escolas de Samba: a árvore que esqueceu a raiz. Rio de Janeiro, Lidador/SEEC/1978.
- [3] GUIMARÃES, Helenise Monteiro. Carnavalesco, O Profissional que "Faz Escola" no Carnaval Carioca. Dissertação de mestrado apresentado à Escola de Belas Artes da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Rio de Janeiro, UFRJ, 1992.
- [4] LOPES, Nei; SIMAS, Luiz Antônio. Dicionário da história social do samba. 10. ed. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2023.
Como citar:
Purpura, Ketilley Luciane de Jesus; Menezes, Marizilda dos Santos; "Da Alegoria à Ergonomia: A evolução do carnavalesco e a fantasia como dispositivo de comunicação e design emocional no carnaval", p-56-57.
In: 1º JPPD.
São Paulo: Blucher,
2026.
ISSN 23186968,
DOI 10.5151/1JPPD-0020
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TY - CONF T1 - Da Alegoria à Ergonomia: A evolução do carnavalesco e a fantasia como dispositivo de comunicação e design emocional no carnaval JO - Blucher Design Proceedings VL - 14 IS - 3 SP - 56 EP - 57 PY - 2026 T2 - I Jornada Paulista de Pesquisa em Design AU - , SN - 23186968 DO - http://dx.doi.org/10.5151/1JPPD-0020 UR - www.proceedings.blucher.com.br/article-details/da-alegoria-a-ergonomia-a-evolucao-do-carnavalesco-e-a-fantasia-como-dispositivo-de-comunicacao-e-design-emocional-no-carnaval KW - Escola de Samba; Carnavalesco; Fantasia de carnaval; Processo produtivo. ER -
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Ketilley Luciane de Jesus Purpura, Marizilda dos Santos Menezes, Da Alegoria à Ergonomia: A evolução do carnavalesco e a fantasia como dispositivo de comunicação e design emocional no carnaval, Blucher Design Proceedings, Volume 14, 2026, Pages 56-57, ISSN 23186968, http://dx.doi.org/10.5151/1JPPD-0020 (www.proceedings.blucher.com.br/article-details/da-alegoria-a-ergonomia-a-evolucao-do-carnavalesco-e-a-fantasia-como-dispositivo-de-comunicacao-e-design-emocional-no-carnaval) Palavras-chave:: Escola de Samba; Carnavalesco; Fantasia de carnaval; Processo produtivo.;