Blucher Design Proceedings
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Desenvolvimento de artefato sensorial para prática de mindfulness
Desenvolvimento de artefato sensorial para prática de mindfulness
Nascimento Junior, Robert Ferreira do; Matias, Nelson Tavares
Artigo:
1. Introdução Estudos divulgados pela World Health Organization (WHO, 2017) apontam crescimento significativo no número de casos de transtornos de ansiedade e depressão entre 2005 e 2015. O Brasil apresenta a maior prevalência de transtornos de ansiedade (9,3%) e o quinto maior índice de depressão no mundo. Segundo Steven C. Hayes e Spencer Smith (2005), é comum que portadores desses transtornos entrem em ciclos de controle e evitação, tentando controlar pensamentos e evitando situações que possam aumentar o sofrimento, o que reduz relações interpessoais, ambientes sociais e a capacidade de realizar tarefas do cotidiano. Diante desse contexto, esta pesquisa investiga se a utilização de um artefato sensorial que auxilie o usuário a realizar práticas de mindfulness pode contribuir para o relaxamento e para uma relação mais gentil consigo mesmo, exercendo a autocompaixão. Como hipótese, considera-se que participantes que utilizam um artefato com estímulos sensoriais durante a prática de mindfulness conseguem se acalmar e lidar melhor com as experiências do momento presente, favorecendo decisões mais sábias e alinhadas aos próprios valores. 1.1. Objetivos O objetivo desta pesquisa é o desenvolvimento de um artefato que emita estímulos sensoriais e auxilie o usuário a praticar o mindfulness, auxiliando no tratamento dos transtornos mentais comuns. Os objetivos específicos são: a) definir quais estímulos, aplicados em conjunto, favorecem a percepção do usuário; b) aplicar conceitos da psicologia cognitiva no funcionamento do produto, considerando as técnicas de relaxamento e de atenção plena; c) validar o artefato criado com portadores de transtornos de ansiedade e depressão. 2. Método As classificações e abordagens desta pesquisa segundo suas características científicas e de projeto em design, assim como o método aplicado a esta dissertação e as ferramentas e técnicas selecionadas para compô-lo, foram definidos a partir do referencial teórico já realizado. A Figura 1 reúne as características da presente pesquisa. Tendo como princípio o design centrado no usuário, foram realizadas duas pesquisas com participantes que fazem parte do público-alvo. A primeira foi na fase de pré-desenvolvimento, consistindo em um questionário on-line, baseado na análise de similares a ser realizada, com o objetivo de guiar a definição dos requisitos para o artefato. O questionário foi voltado para moradores da cidade de Resende (RJ), acima de 18 anos, que já fizeram tratamento na cidade por conta de algum transtorno de ansiedade e/ou depressão. O projeto de pesquisa foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa (CEP) do Centro Universitário Teresa D’Ávila – UNIFATEA, sob o parecer no 5.139.844, CAAE 53091421.9.0000.5431. A análise dos dados coletados foi feita de forma a buscar a resposta para duas perguntas: o que e como? O que os usuários sentiram, pensaram e fizeram? Como os usuários interagiram com o produto e praticaram as técnicas de mindfulness? A análise foi qualitativa, considerando a individualidade de cada participante. Para a organização, interpretação e extrapolação dos resultados da amostra para a população, foi realizada uma estatística simples. 3. Conclusão A pesquisa alcançou os objetivos esperados de desenvolvimento do artefato proposto e de validação por meio de testes com portadores de ansiedade e/ou depressão. O áudio da prática de mindfulness, as luzes e a vibração do artefato foram eficazes ao atuarem em conjunto, favorecendo a percepção do usuário e guiando-o por exercícios de respiração e da técnica de grounding. A partir dos resultados dos questionários, foi possível observar benefícios alcançados pelos participantes com a utilização do protótipo, principalmente a sensação de alegria e o relaxamento do corpo. Todos os participantes responderam ter sido fácil praticar o mindfulness com o auxílio dos estímulos sensoriais. Apesar dos resultados, destaca-se a necessidade da realização dos mesmos testes em condições diferentes, como a utilização do artefato em ambiente de trabalho, em casa e em uma situação tipicamente estressante, como antes de uma apresentação em público. Recebendo o feedback dos participantes e do psicólogo que os acompanhou, ficou claro que existe uma variedade de aplicações possíveis de diferentes exercícios através do artefato. É possível configurar as luzes para acenderem em diferentes ordens e tempos, assim como ligar e desligar a vibração e mudar a sua frequência. Também é possível gravar inúmeros e diferentes áudios de práticas de mindfulness e meditações com diferentes objetivos, tendo a complementaridade dos estímulos sensoriais. Por fim, para aqueles que tenham interesse em desenvolver produtos para a área da saúde mental, ressalta-se a importância de perseverar diante das dificuldades projetuais ou burocráticas. Vivemos em um mundo com muita tecnologia, muitos avanços, mas ainda muitas dores. Precisamos de designers que olhem para essas pessoas.
1. Introdução Estudos divulgados pela World Health Organization (WHO, 2017) apontam crescimento significativo no número de casos de transtornos de ansiedade e depressão entre 2005 e 2015. O Brasil apresenta a maior prevalência de transtornos de ansiedade (9,3%) e o quinto maior índice de depressão no mundo. Segundo Steven C. Hayes e Spencer Smith (2005), é comum que portadores desses transtornos entrem em ciclos de controle e evitação, tentando controlar pensamentos e evitando situações que possam aumentar o sofrimento, o que reduz relações interpessoais, ambientes sociais e a capacidade de realizar tarefas do cotidiano. Diante desse contexto, esta pesquisa investiga se a utilização de um artefato sensorial que auxilie o usuário a realizar práticas de mindfulness pode contribuir para o relaxamento e para uma relação mais gentil consigo mesmo, exercendo a autocompaixão. Como hipótese, considera-se que participantes que utilizam um artefato com estímulos sensoriais durante a prática de mindfulness conseguem se acalmar e lidar melhor com as experiências do momento presente, favorecendo decisões mais sábias e alinhadas aos próprios valores. 1.1. Objetivos O objetivo desta pesquisa é o desenvolvimento de um artefato que emita estímulos sensoriais e auxilie o usuário a praticar o mindfulness, auxiliando no tratamento dos transtornos mentais comuns. Os objetivos específicos são: a) definir quais estímulos, aplicados em conjunto, favorecem a percepção do usuário; b) aplicar conceitos da psicologia cognitiva no funcionamento do produto, considerando as técnicas de relaxamento e de atenção plena; c) validar o artefato criado com portadores de transtornos de ansiedade e depressão. 2. Método As classificações e abordagens desta pesquisa segundo suas características científicas e de projeto em design, assim como o método aplicado a esta dissertação e as ferramentas e técnicas selecionadas para compô-lo, foram definidos a partir do referencial teórico já realizado. A Figura 1 reúne as características da presente pesquisa. Tendo como princípio o design centrado no usuário, foram realizadas duas pesquisas com participantes que fazem parte do público-alvo. A primeira foi na fase de pré-desenvolvimento, consistindo em um questionário on-line, baseado na análise de similares a ser realizada, com o objetivo de guiar a definição dos requisitos para o artefato. O questionário foi voltado para moradores da cidade de Resende (RJ), acima de 18 anos, que já fizeram tratamento na cidade por conta de algum transtorno de ansiedade e/ou depressão. O projeto de pesquisa foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa (CEP) do Centro Universitário Teresa D’Ávila – UNIFATEA, sob o parecer no 5.139.844, CAAE 53091421.9.0000.5431. A análise dos dados coletados foi feita de forma a buscar a resposta para duas perguntas: o que e como? O que os usuários sentiram, pensaram e fizeram? Como os usuários interagiram com o produto e praticaram as técnicas de mindfulness? A análise foi qualitativa, considerando a individualidade de cada participante. Para a organização, interpretação e extrapolação dos resultados da amostra para a população, foi realizada uma estatística simples. 3. Conclusão A pesquisa alcançou os objetivos esperados de desenvolvimento do artefato proposto e de validação por meio de testes com portadores de ansiedade e/ou depressão. O áudio da prática de mindfulness, as luzes e a vibração do artefato foram eficazes ao atuarem em conjunto, favorecendo a percepção do usuário e guiando-o por exercícios de respiração e da técnica de grounding. A partir dos resultados dos questionários, foi possível observar benefícios alcançados pelos participantes com a utilização do protótipo, principalmente a sensação de alegria e o relaxamento do corpo. Todos os participantes responderam ter sido fácil praticar o mindfulness com o auxílio dos estímulos sensoriais. Apesar dos resultados, destaca-se a necessidade da realização dos mesmos testes em condições diferentes, como a utilização do artefato em ambiente de trabalho, em casa e em uma situação tipicamente estressante, como antes de uma apresentação em público. Recebendo o feedback dos participantes e do psicólogo que os acompanhou, ficou claro que existe uma variedade de aplicações possíveis de diferentes exercícios através do artefato. É possível configurar as luzes para acenderem em diferentes ordens e tempos, assim como ligar e desligar a vibração e mudar a sua frequência. Também é possível gravar inúmeros e diferentes áudios de práticas de mindfulness e meditações com diferentes objetivos, tendo a complementaridade dos estímulos sensoriais. Por fim, para aqueles que tenham interesse em desenvolver produtos para a área da saúde mental, ressalta-se a importância de perseverar diante das dificuldades projetuais ou burocráticas. Vivemos em um mundo com muita tecnologia, muitos avanços, mas ainda muitas dores. Precisamos de designers que olhem para essas pessoas.
Palavras-chave: Design Emocional; Design de Produto; Mindfulness; Ansiedade; Depressão. Design Emocional; Design de Produto; Mindfulness; Ansiedade; Depressão.
DOI: 10.5151/1JPPD-0027
Referências bibliográficas
- [1] HAYES, S. C.; SMITH, S. Get out of your mind and into your life: the new acceptance and commitment therapy. Oakland: New Harbinger Publications, 2005.
- [2] PRODANOV, C. C.; FREITAS, E. C. de. Metodologia do trabalho científico: métodos e técnicas da pesquisa e do trabalho acadêmico. 2. ed. Novo Hamburgo: Feevale, 2013. Disponível em: https://www.feevale.br/institucional/editora-feevale/metodologia-do-trabalho-cientifico---2-edicao. Acesso em: 25 jul. 2021.
- [3] WHO. Depression and other common mental disorders: Global Health Estimates. Geneva: WHO, 2017. Disponível em: https://www.who.int/publications/i/item/depression-global-healthestimates. Acesso em: 15 jan. 2021.
Como citar:
Nascimento Junior, Robert Ferreira do; Matias, Nelson Tavares; "Desenvolvimento de artefato sensorial para prática de mindfulness", p-73-75.
In: 1º JPPD.
São Paulo: Blucher,
2026.
ISSN 23186968,
DOI 10.5151/1JPPD-0027
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Robert Ferreira do Nascimento Junior, Nelson Tavares Matias, Desenvolvimento de artefato sensorial para prática de mindfulness, Blucher Design Proceedings, Volume 14, 2026, Pages 73-75, ISSN 23186968, http://dx.doi.org/10.5151/1JPPD-0027 (www.proceedings.blucher.com.br/article-details/desenvolvimento-de-artefato-sensorial-para-pratica-de-mindfulness) Palavras-chave:: Design Emocional; Design de Produto; Mindfulness; Ansiedade; Depressão.;