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Design e Ancestralidade: Experimentação, Cultura e Resistência nas Práticas de Designers na Moda Brasileira Contemporânea
Design e Ancestralidade: Experimentação, Cultura e Resistência nas Práticas de Designers na Moda Brasileira Contemporânea
Araújo, Sarah Rocksane; Santos, Maria Cecilia Loschiavo dos; Curcio, Gustavo Orlando Fudaba
Artigo:
1. Introdução e Justificativa A moda distingue-se por sua natureza intrinsecamente efêmera, marcada pela rápida mutação de tendências, estilos e padrões de consumo (Mendes, 2009). Suas coleções funcionam como enunciados visuais que traduzem valores, ideologias e dinâmicas de poder, sendo moldadas por estruturas complexas, como a estratificação social e as estratégias de distinção honrosa operadas por diferentes grupos. Compreender a moda, portanto, implica analisar os modos pelos quais as esferas sociais atravessadas por marcadores étnico-raciais, de gênero e geográficos, configuram preferências estéticas, valores culturais e formas de consumo. Nesse contexto, a moda também se afirma como linguagem política e dispositivo de expressão identitária, especialmente para comunidades historicamente marginalizadas, que ressignificam o vestir como ato de resistência e afirmação cultural. É nesse horizonte crítico que se insere a presente pesquisa, dedicada à investigação das práticas de design de moda indígena e negra no Brasil, com ênfase na incorporação de saberes ancestrais, espiritualidade e cosmogonias nos processos criativos, com o intuito de compreender de que modo designers indígenas e negros mobilizam metodologias não lineares e epistemologias próprias na construção de um etnodesign, entendido como prática que articula tradição e inovação, materialidade e espiritualidade, estética e política. 2. Estratégia metodológica e fundamentação teórica O estudo propõe o mapeamento e a sistematização das práticas desses criadores, delineando uma linha do tempo que evidencia a interseção entre design, território e saberes indígenas. A dimensão espiritual das criações indígenas apresenta-se como um aspecto central dessa abordagem. A incorporação de cosmologias e práticas espirituais não se restringe ao campo simbólico, mas constitui uma forma de produção de conhecimento e de continuidade epistemológica. Nesse sentido, os objetos criados transcendem sua função estética, configurando-se como enunciados de resistência, portadores de memória e tecnologias ancestrais. A metodologia deste estudo, de natureza qualitativa e descritivo-observacional, envolve a análise de processos criativos e produções de designers negros e indígenas. A investigação apoia-se em Ambrose e Harris (2006), Dondis (2015) e Bestley e Noble (2013), que compreendem a imagem como elemento estruturante da comunicação visual. A moda é, assim, interpretada como linguagem imagética que articula significados e afetos, contribuindo para a construção de identidades coletivas e para a mediação entre memória, corpo e cultura (Baitello Junior, 2014). Pierre Bourdieu (2010) complementa essa abordagem ao elucidar as dinâmicas de distinção e exclusão na estrutura social, bem como os mecanismos simbólicos que determinam o acesso ao capital cultural. Do ponto de vista antropológico, autores como Lagrou (2013) e Lévi-Strauss (2013) fundamentam a análise das relações entre arte, espiritualidade e territorialidade indígena. No campo da moda, contribuições de Mendes (2009) e Crane (2006) auxiliam a compreender os mecanismos de significação e circulação simbólica da moda, permitindo articular as práticas de etnodesign com os sistemas de produção e consumo. Por fim, a pesquisa ancora-se nos estudos decoloniais de Mignolo (2017) e Lugones (2014), que propõem a descolonização do pensamento e das práticas de design, reivindicando a pluralidade epistemológica e o reconhecimento das formas não ocidentais de conhecimento.
1. Introdução e Justificativa A moda distingue-se por sua natureza intrinsecamente efêmera, marcada pela rápida mutação de tendências, estilos e padrões de consumo (Mendes, 2009). Suas coleções funcionam como enunciados visuais que traduzem valores, ideologias e dinâmicas de poder, sendo moldadas por estruturas complexas, como a estratificação social e as estratégias de distinção honrosa operadas por diferentes grupos. Compreender a moda, portanto, implica analisar os modos pelos quais as esferas sociais atravessadas por marcadores étnico-raciais, de gênero e geográficos, configuram preferências estéticas, valores culturais e formas de consumo. Nesse contexto, a moda também se afirma como linguagem política e dispositivo de expressão identitária, especialmente para comunidades historicamente marginalizadas, que ressignificam o vestir como ato de resistência e afirmação cultural. É nesse horizonte crítico que se insere a presente pesquisa, dedicada à investigação das práticas de design de moda indígena e negra no Brasil, com ênfase na incorporação de saberes ancestrais, espiritualidade e cosmogonias nos processos criativos, com o intuito de compreender de que modo designers indígenas e negros mobilizam metodologias não lineares e epistemologias próprias na construção de um etnodesign, entendido como prática que articula tradição e inovação, materialidade e espiritualidade, estética e política. 2. Estratégia metodológica e fundamentação teórica O estudo propõe o mapeamento e a sistematização das práticas desses criadores, delineando uma linha do tempo que evidencia a interseção entre design, território e saberes indígenas. A dimensão espiritual das criações indígenas apresenta-se como um aspecto central dessa abordagem. A incorporação de cosmologias e práticas espirituais não se restringe ao campo simbólico, mas constitui uma forma de produção de conhecimento e de continuidade epistemológica. Nesse sentido, os objetos criados transcendem sua função estética, configurando-se como enunciados de resistência, portadores de memória e tecnologias ancestrais. A metodologia deste estudo, de natureza qualitativa e descritivo-observacional, envolve a análise de processos criativos e produções de designers negros e indígenas. A investigação apoia-se em Ambrose e Harris (2006), Dondis (2015) e Bestley e Noble (2013), que compreendem a imagem como elemento estruturante da comunicação visual. A moda é, assim, interpretada como linguagem imagética que articula significados e afetos, contribuindo para a construção de identidades coletivas e para a mediação entre memória, corpo e cultura (Baitello Junior, 2014). Pierre Bourdieu (2010) complementa essa abordagem ao elucidar as dinâmicas de distinção e exclusão na estrutura social, bem como os mecanismos simbólicos que determinam o acesso ao capital cultural. Do ponto de vista antropológico, autores como Lagrou (2013) e Lévi-Strauss (2013) fundamentam a análise das relações entre arte, espiritualidade e territorialidade indígena. No campo da moda, contribuições de Mendes (2009) e Crane (2006) auxiliam a compreender os mecanismos de significação e circulação simbólica da moda, permitindo articular as práticas de etnodesign com os sistemas de produção e consumo. Por fim, a pesquisa ancora-se nos estudos decoloniais de Mignolo (2017) e Lugones (2014), que propõem a descolonização do pensamento e das práticas de design, reivindicando a pluralidade epistemológica e o reconhecimento das formas não ocidentais de conhecimento.
Palavras-chave: Processos experimentais; Ancestralidade; Design; Moda; Decolonialidade Processos experimentais; Ancestralidade; Design; Moda; Decolonialidade
DOI: 10.5151/1JPPD-0104
Referências bibliográficas
- [1] AMBROSE, Gavin; HARRIS, Paul. Imagem. Porto Alegre: Bookman, 2009.
- [2] BAITELLO JUNIOR, Norval. A era da iconografia: reflexões sobre imagem, comunicação, mídia e cultura. São Paulo: Paulus, 2014.
- [3] BOURDIEU, Pierre. A economia das trocas simbólicas. São Paulo: Perspectiva, 2010.
- [4] CRANE, Diana. A Moda e seu Papel Social. São Paulo: Ed. Senac, 2006.
- [5] DONDIS, D. Sintaxe da linguagem visual. São Paulo: Martins Fontes, 2015.
- [6] LAGROU, Elsje Maria. Arte indígena no Brasil: agência, alteridade e relação. Belo Horizonte: Editora C/Arte, 2013.
- [7] LÉVI-STRAUSS, Claude. Antropologia Estrutural Dois. Tradução de Beatriz Perrone-Moisés. São Paulo: Cosac Naify, 2013.
- [8] LUGONES, María. Rumo a um feminismo descolonial. Estudos Feministas, Florianópolis, v. 22, n. 3, p. 935-952, 19 set. 2014.
- [9] MENDES, Valerie. A moda do século XX. 2 Edição, São Paulo, WMF Martins Fontes, 2009.
- [10] MIGNOLO, Walter D. Colonialidade: o lado mais escuro da modernidade. Revista Brasileira de Ciências Sociais, v. 32, n. 94, p. 01, 2017. Fapunifesp (SciELO). https://bit.ly/3E638aQ
- [11] NOBLE, I.; BESTLEY, R. Pesquisa Visual. Introdução às metodologias de pesquisa em design gráfico. [tradução: Mariana Bandarra]. Porto Alegre: Bookman, 2013.
Como citar:
Araújo, Sarah Rocksane; Santos, Maria Cecilia Loschiavo dos; Curcio, Gustavo Orlando Fudaba; "Design e Ancestralidade: Experimentação, Cultura e Resistência nas Práticas de Designers na Moda Brasileira Contemporânea", p-269-270.
In: 1º JPPD.
São Paulo: Blucher,
2026.
ISSN 23186968,
DOI 10.5151/1JPPD-0104
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TY - CONF T1 - Design e Ancestralidade: Experimentação, Cultura e Resistência nas Práticas de Designers na Moda Brasileira Contemporânea JO - Blucher Design Proceedings VL - 14 IS - 3 SP - 269 EP - 270 PY - 2026 T2 - I Jornada Paulista de Pesquisa em Design AU - , , SN - 23186968 DO - http://dx.doi.org/10.5151/1JPPD-0104 UR - www.proceedings.blucher.com.br/article-details/design-e-ancestralidade-experimentacao-cultura-e-resistencia-nas-praticas-de-designers-na-moda-brasileira-contemporanea KW - Processos experimentais; Ancestralidade; Design; Moda; Decolonialidade ER -
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Sarah Rocksane Araújo, Maria Cecilia Loschiavo dos Santos, Gustavo Orlando Fudaba Curcio, Design e Ancestralidade: Experimentação, Cultura e Resistência nas Práticas de Designers na Moda Brasileira Contemporânea, Blucher Design Proceedings, Volume 14, 2026, Pages 269-270, ISSN 23186968, http://dx.doi.org/10.5151/1JPPD-0104 (www.proceedings.blucher.com.br/article-details/design-e-ancestralidade-experimentacao-cultura-e-resistencia-nas-praticas-de-designers-na-moda-brasileira-contemporanea) Palavras-chave:: Processos experimentais; Ancestralidade; Design; Moda; Decolonialidade;