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Design e autismo: criação de materiais didáticos para a alfabetização de crianças autistas
Design e autismo: criação de materiais didáticos para a alfabetização de crianças autistas
Santos, Maria Fernanda Cintra Ferreira Guimarães dos; Dantas, Denise
Artigo:
1. Sobre essa pesquisa Este texto apresenta os resultados da revisão narrativa de literatura sobre o tema Design e Autismo, com foco em materiais didáticos de alfabetização para crianças autistas. O objetivo desta revisão foi aprofundar a contextualização da pesquisa, estabelecendo os principais conceitos que serão utilizados futuramente. 2. Autismo e alfabetização Em 27 de dezembro de 2012 o autismo foi reconhecido como deficiência no Brasil. Através da lei no.12.764, a pessoa autista passou a ter os mesmos direitos previstos em lei para pessoas com deficiências físicas. O autismo é uma deficiência do neurodesenvolvimento caracterizada frequentemente pelo atraso da linguagem, acompanhado por falta de interesse em interações sociais, padrões de comunicação incomuns e aderência rígida a rotinas e comportamentos repetitivos (DSM 5, 2022). Segundo o pediatra Thiago Castro, o Transtorno do Espectro Autista (TEA) “retira uma série de habilidades que, em maior ou menor proporcionalidade, são inatas ao ser humano”. (Castro, 2024, p.24). A ausência da função da linguagem é um dos prejuízos mais comuns apresentados pelo autismo, e para aprender a ler, é básico que a criança compreenda “que os sons nas palavras estão ligados a certas letras e padrões de letras” (Cápay, Cápayová, 2019, p.1). Isso se chama consciência fonológica, e “crianças com autismo têm [...] consciência fonológica abaixo da média” (Cápay, Cápayová, 2019, p.1). Para crianças com autismo, a decodificação para a alfabetização é mais eficazquando se utilizam imagens associadas a palavras em que a criança pode relacionar letras/palavras com imagens (Cápay, Cápayová, 2019). 3. Design e Autismo Dessa perspectiva, observou-se, que para alfabetizar crianças com autismo, o ponto de partida é o oposto dos modelos tradicionais, pois autistas tendem a expandir suas capacidades cognitivas se apropriando de raciocínios e condutas divergentes se comparadas com crianças típicas. Assim, materiais didáticos como livros, apostilas, vídeos, aplicativos, jogos lúdicos, blocos de montar começaram a ser criados com a finalidade de suprir essa lacuna. Mesmo com a quantidade significativa de materiais didáticos disponíveis nos últimos anos, “poucos estudos destacaram a importância de ter um material didático visual significativo para auxiliar crianças com TEA. [...] A incorporação de princípios de arte e design dentro de ferramentas visuais de ensino, pode ajudar a proporcionar uma melhor experiência aos alunos” e pesquisas com esse enfoque ainda são escassas (Hassan et al., 2023, p.108). Por princípios de design compreendem-se cor, forma, tipografia, usabilidade, textura, legibilidade, contraste, escala entre outros (Ambrose, Harris, 2011; Batista, 2017; Bonsiepe, 1984; Husuan-An, 2017; Lidwell, 2010; Lupton, Phillips, 2015;). A compreensão de questões neurológicas e comportamentais relacionadas ao TEA, quando associadas com os princípios de design, podem estabelecer preceitos teóricos importantes para a criação de materiais didáticos que sejam mais adequados e respondam melhor às necessidades educacionais desse público.
1. Sobre essa pesquisa Este texto apresenta os resultados da revisão narrativa de literatura sobre o tema Design e Autismo, com foco em materiais didáticos de alfabetização para crianças autistas. O objetivo desta revisão foi aprofundar a contextualização da pesquisa, estabelecendo os principais conceitos que serão utilizados futuramente. 2. Autismo e alfabetização Em 27 de dezembro de 2012 o autismo foi reconhecido como deficiência no Brasil. Através da lei no.12.764, a pessoa autista passou a ter os mesmos direitos previstos em lei para pessoas com deficiências físicas. O autismo é uma deficiência do neurodesenvolvimento caracterizada frequentemente pelo atraso da linguagem, acompanhado por falta de interesse em interações sociais, padrões de comunicação incomuns e aderência rígida a rotinas e comportamentos repetitivos (DSM 5, 2022). Segundo o pediatra Thiago Castro, o Transtorno do Espectro Autista (TEA) “retira uma série de habilidades que, em maior ou menor proporcionalidade, são inatas ao ser humano”. (Castro, 2024, p.24). A ausência da função da linguagem é um dos prejuízos mais comuns apresentados pelo autismo, e para aprender a ler, é básico que a criança compreenda “que os sons nas palavras estão ligados a certas letras e padrões de letras” (Cápay, Cápayová, 2019, p.1). Isso se chama consciência fonológica, e “crianças com autismo têm [...] consciência fonológica abaixo da média” (Cápay, Cápayová, 2019, p.1). Para crianças com autismo, a decodificação para a alfabetização é mais eficazquando se utilizam imagens associadas a palavras em que a criança pode relacionar letras/palavras com imagens (Cápay, Cápayová, 2019). 3. Design e Autismo Dessa perspectiva, observou-se, que para alfabetizar crianças com autismo, o ponto de partida é o oposto dos modelos tradicionais, pois autistas tendem a expandir suas capacidades cognitivas se apropriando de raciocínios e condutas divergentes se comparadas com crianças típicas. Assim, materiais didáticos como livros, apostilas, vídeos, aplicativos, jogos lúdicos, blocos de montar começaram a ser criados com a finalidade de suprir essa lacuna. Mesmo com a quantidade significativa de materiais didáticos disponíveis nos últimos anos, “poucos estudos destacaram a importância de ter um material didático visual significativo para auxiliar crianças com TEA. [...] A incorporação de princípios de arte e design dentro de ferramentas visuais de ensino, pode ajudar a proporcionar uma melhor experiência aos alunos” e pesquisas com esse enfoque ainda são escassas (Hassan et al., 2023, p.108). Por princípios de design compreendem-se cor, forma, tipografia, usabilidade, textura, legibilidade, contraste, escala entre outros (Ambrose, Harris, 2011; Batista, 2017; Bonsiepe, 1984; Husuan-An, 2017; Lidwell, 2010; Lupton, Phillips, 2015;). A compreensão de questões neurológicas e comportamentais relacionadas ao TEA, quando associadas com os princípios de design, podem estabelecer preceitos teóricos importantes para a criação de materiais didáticos que sejam mais adequados e respondam melhor às necessidades educacionais desse público.
Palavras-chave: Design, Autismo, Alfabetização, Princípios de Design Design, Autismo, Alfabetização, Princípios de Design
DOI: 10.5151/1JPPD-0023
Referências bibliográficas
- [1] AMBROSE, G.; HARRIS, P. Fundamentos de Design criativo. Porto Alegre: Bookman, 2011.
- [2] BATISTA, C., R. et al. Design para acessibilidade e inclusão. São Paulo: Blucher, 2017.
- [3] BONSIEPE, G. Metodologia Experimental: Design Industrial. Brasília: CNPq, 1984.
- [4] CASTRO, T. Simplificando o autismo: para pais, familiares e profissionais. São Paulo: Literare Books International, 2023.
- [5] CÁPAY, M.; CÁPAYOVÁ, J., Teaching Writing and Reading to Children with Autism. In: 2019 IEEE Global Engineering Education Conference (EDUCON), Dubai, United Arab Emirates, 2019, pp. 1250-1254, doi: 10.1109/EDUCON.2019.8725072.
- [6] DSM. Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders. 5. ed. Washington: 2022.
- [7] HASSAN et al. "Help me help you": Designing Visual Teaching Tools for The Autism Spectrum Disorder (ASD) Children. In: International Journal of Art and Design (IJAD), 2023, vol 7. num 1 p. 106-117.
- [8] HSUAN-AN, T. Design: conceitos e métodos. São Paulo: Blucher, 2017.
- [9] LIDWELL, W.; HOLDEN K, BUTLER J. Princípios Universais do Design. Porto Alegre: Bookman, 2010.
- [10] LUPTON, E.; PHILLIPS, J. Novos Fundamentos do Design. 2. ed. São Paulo: Cosac Naify, 2015.
Como citar:
Santos, Maria Fernanda Cintra Ferreira Guimarães dos; Dantas, Denise; "Design e autismo: criação de materiais didáticos para a alfabetização de crianças autistas", p-63-64.
In: 1º JPPD.
São Paulo: Blucher,
2026.
ISSN 23186968,
DOI 10.5151/1JPPD-0023
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TY - CONF T1 - Design e autismo: criação de materiais didáticos para a alfabetização de crianças autistas JO - Blucher Design Proceedings VL - 14 IS - 3 SP - 63 EP - 64 PY - 2026 T2 - I Jornada Paulista de Pesquisa em Design AU - , SN - 23186968 DO - http://dx.doi.org/10.5151/1JPPD-0023 UR - www.proceedings.blucher.com.br/article-details/design-e-autismo-criacao-de-materiais-didaticos-para-a-alfabetizacao-de-criancas-autistas KW - Design, Autismo, Alfabetização, Princípios de Design ER -
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Maria Fernanda Cintra Ferreira Guimarães dos Santos, Denise Dantas, Design e autismo: criação de materiais didáticos para a alfabetização de crianças autistas, Blucher Design Proceedings, Volume 14, 2026, Pages 63-64, ISSN 23186968, http://dx.doi.org/10.5151/1JPPD-0023 (www.proceedings.blucher.com.br/article-details/design-e-autismo-criacao-de-materiais-didaticos-para-a-alfabetizacao-de-criancas-autistas) Palavras-chave:: Design, Autismo, Alfabetização, Princípios de Design;