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Design e Envelhecimento: caminhos para a inclusão
Design e Envelhecimento: caminhos para a inclusão
Neves, Erica Pereira das; Pasquarella, Luis Carlos
Artigo:
1. Introdução O envelhecimento populacional no Brasil tem avançado rapidamente, trazendo desafios sociais, econômicos e de saúde pública (IBGE, 2022; Simões, 2016). A OMS (2005) propõe o conceito de envelhecimento ativo, que busca ampliar a qualidade de vida por meio da autonomia, participação e segurança das pessoas idosas. Nesse contexto, o design assume papel estratégico ao desenvolver produtos, serviços e ambientes que atendam às necessidades dessa população, promovendo inclusão, bem-estar e independência por meio de abordagens interdisciplinares e centradas no usuário. 2. Design e os desafios frente ao envelhecimento populacional A promoção da autonomia, independência e bem-estar do idoso é um dos grandes desafios do envelhecimento (OMS, 2005; Tavares et al. 2024; Cocchi, 2025) . As projeções globais sobre o crescimento dessa população intensifica a urgência de ações que corroborem a promoção da qualidade de vida dos longevos (UN, 2022). Esse cenário envolve vulnerabilidades e fragilidades decorrentes da redução da capacidade funcional do idoso e falta de convívio social (Noto, 2023; Hajek et al., 2021). O design, por seu caráter integrador, inclusivo e interdisciplinar, pode contribuir para o desenvolvimento de soluções que promovam a saúde emocional, a autonomia e o desempenho funcional dos idosos nesses contextos de convivência. No entanto, esse papel exige um reposicionamento ético e metodológico do campo, que deve ultrapassar a perspectiva meramente técnica ou estética para incorporar dimensões afetivas, simbólicas e relacionais. Dentre os diversos desafios do envelhecimento, pode-se destacar à compreensão da diversidade etária, reconhecendo que a fase da velhice não é uma experiência homogênea, uma vez que envolve diferentes níveis de autonomia, de contextos sociais, de repertórios culturais e de relações subjetivas com o corpo, sociedade, família e com o próprio tempo (Costa, Soares, 2016). Projetar para esta pluralidade requer empatia, escuta ativa e processos participativos, os quais possam garantir que o idoso seja protagonista e, portanto, parte efetiva das decisões projetuais. O desenvolvimento de tecnologias acessíveis e emocionalmente significativas, que não apenas compensem limitações funcionais, mas também ampliem o senso de pertencimento, dignidade e prazer é primordial para soluções inclusivas que promovam equidade. Neste sentido, o design deve lidar com a tensão entre inovação tecnológica e simplicidade de uso, evitando soluções tecnológicas complexas que reforcem, por exemplo, a exclusão digital e a dependência de terceiros. 3. Considerações finais O enfrentamento dos desafios do envelhecimento populacional requer uma abordagem sistêmica, na qual o design se articule com políticas públicas, saúde, arquitetura, psicologia e assistência social, construindo soluções sustentáveis e contextualizadas. Assim, mais do que projetar objetos ou espaços, o design assume o papel de mediador de experiências significativas, capaz de transformar relações, promover inclusão e contribuir para uma cultura do envelhecimento ativo e digno.
1. Introdução O envelhecimento populacional no Brasil tem avançado rapidamente, trazendo desafios sociais, econômicos e de saúde pública (IBGE, 2022; Simões, 2016). A OMS (2005) propõe o conceito de envelhecimento ativo, que busca ampliar a qualidade de vida por meio da autonomia, participação e segurança das pessoas idosas. Nesse contexto, o design assume papel estratégico ao desenvolver produtos, serviços e ambientes que atendam às necessidades dessa população, promovendo inclusão, bem-estar e independência por meio de abordagens interdisciplinares e centradas no usuário. 2. Design e os desafios frente ao envelhecimento populacional A promoção da autonomia, independência e bem-estar do idoso é um dos grandes desafios do envelhecimento (OMS, 2005; Tavares et al. 2024; Cocchi, 2025) . As projeções globais sobre o crescimento dessa população intensifica a urgência de ações que corroborem a promoção da qualidade de vida dos longevos (UN, 2022). Esse cenário envolve vulnerabilidades e fragilidades decorrentes da redução da capacidade funcional do idoso e falta de convívio social (Noto, 2023; Hajek et al., 2021). O design, por seu caráter integrador, inclusivo e interdisciplinar, pode contribuir para o desenvolvimento de soluções que promovam a saúde emocional, a autonomia e o desempenho funcional dos idosos nesses contextos de convivência. No entanto, esse papel exige um reposicionamento ético e metodológico do campo, que deve ultrapassar a perspectiva meramente técnica ou estética para incorporar dimensões afetivas, simbólicas e relacionais. Dentre os diversos desafios do envelhecimento, pode-se destacar à compreensão da diversidade etária, reconhecendo que a fase da velhice não é uma experiência homogênea, uma vez que envolve diferentes níveis de autonomia, de contextos sociais, de repertórios culturais e de relações subjetivas com o corpo, sociedade, família e com o próprio tempo (Costa, Soares, 2016). Projetar para esta pluralidade requer empatia, escuta ativa e processos participativos, os quais possam garantir que o idoso seja protagonista e, portanto, parte efetiva das decisões projetuais. O desenvolvimento de tecnologias acessíveis e emocionalmente significativas, que não apenas compensem limitações funcionais, mas também ampliem o senso de pertencimento, dignidade e prazer é primordial para soluções inclusivas que promovam equidade. Neste sentido, o design deve lidar com a tensão entre inovação tecnológica e simplicidade de uso, evitando soluções tecnológicas complexas que reforcem, por exemplo, a exclusão digital e a dependência de terceiros. 3. Considerações finais O enfrentamento dos desafios do envelhecimento populacional requer uma abordagem sistêmica, na qual o design se articule com políticas públicas, saúde, arquitetura, psicologia e assistência social, construindo soluções sustentáveis e contextualizadas. Assim, mais do que projetar objetos ou espaços, o design assume o papel de mediador de experiências significativas, capaz de transformar relações, promover inclusão e contribuir para uma cultura do envelhecimento ativo e digno.
Palavras-chave: Design; Envelhecimento; Idosos; Inclusão Design; Envelhecimento; Idosos; Inclusão
DOI: 10.5151/1JPPD-0012
Referências bibliográficas
- [1] COCCHI, Camila et al. How to promote healthy aging across the life cycle. European Journal of Internal Medicine, vol. 135, p. 5-13, 2025.
- [2] COSTA, Denise G. S.; SOARES, Nanci. Envelhecimento e Velhice: heterogeneidade no tempo do capital. Serviço Social & Realidade, Franca, vol. 25, n. 2, 2016.
- [3] HAJEK, A. et al. Social support and functional decline in the oldest old. Gerentology, vol. 68, n. 2, 200-208, 2022.
- [4] NOTO, Shinichi. Perspectives on Ageing and Quality of life. Healthcare (Basel), vol. 11, n.15, 2023.
- [5] ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE. Envelhecimento ativo: uma política de saúde. Brasília: Organização Pan-Americana da Saúde, 2005. 60 p.
- [6] SIMÕES, C. C. S. Relações entre as alterações históricas na dinâmica demográfica brasileira e os impactos decorrentes do processo de envelhecimento da população. Rio de Janeiro: IBGE, Coordenação de População e Indicadores Sociais, 2016.
- [7] TAVARES, Marília S. et al. A inserção social do idoso: reflexões sobre a inclusão, saúde e bem-estar. Cuardernos de Educación y Desarrollo, vol. 16, n.2, p. 01-24, 2024.
- [8] United Nations (UN). World Population Prospects 2022. Summary of Results. New York, 2022. Disponível em: https://www.un.org/development/desa/pd/sites/www.un.org.development.desa.pd/files/wpp2022_summary_of_results.pdf. Acesso em outubro de 2025.
Como citar:
Neves, Erica Pereira das; Pasquarella, Luis Carlos; "Design e Envelhecimento: caminhos para a inclusão", p-33-34.
In: 1º JPPD.
São Paulo: Blucher,
2026.
ISSN 23186968,
DOI 10.5151/1JPPD-0012
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Erica Pereira das Neves, Luis Carlos Pasquarella, Design e Envelhecimento: caminhos para a inclusão, Blucher Design Proceedings, Volume 14, 2026, Pages 33-34, ISSN 23186968, http://dx.doi.org/10.5151/1JPPD-0012 (www.proceedings.blucher.com.br/article-details/design-e-envelhecimento-caminhos-para-a-inclusao) Palavras-chave:: Design; Envelhecimento; Idosos; Inclusão;