Blucher Design Proceedings
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Design inclusivo: etiquetas têxteis para identificação de estampas em peças de vestuário para pessoas com deficiência visual
Design inclusivo: etiquetas têxteis para identificação de estampas em peças de vestuário para pessoas com deficiência visual
Sousa, Ricardo Vieira de; Maia, Ivana Marcia Oliveira
Artigo:
A pesquisa encontra-se em desenvolvimento no âmbito do Programa de Pós-Graduação em Design da Universidade Federal do Maranhão (PPGDesign/UFMA), instituição que, até o momento, não oferta o curso de doutorado. A proposta emerge da necessidade de ampliar os horizontes da acessibilidade na moda, com ênfase na promoção da autonomia estética de pessoas com deficiência visual. Observa-se que, embora existam avanços em tecnologias assistivas aplicadas ao vestuário, estas têm priorizado informações funcionais, como tamanho, cor e tipo de tecido (Turcatto; Silveira; Rech 2019), em detrimento de elementos subjetivos e simbólicos, como as estampas, importantes vetores de identidade, estilo e expressão pessoal (Geczy; Karaminas, 2012). Nesse contexto, a pesquisa tem como objetivo investigar de que modo o design inclusivo pode contribuir para o desenvolvimento de etiquetas têxteis acessíveis, destinadas à identificação de estampas em peças de vestuário para pessoas com deficiência visual. Pretende-se, ainda, avaliar a eficácia dessas soluções no fortalecimento da autonomia individual, além de propor recomendações projetuais para sua aplicação no contexto industrial, considerando aspectos funcionais, informacionais e perceptivos. Parte-se da constatação de que o vestuário, enquanto dispositivo comunicacional e marcador de pertencimento social (Miranda, 2008), ainda impõe barreiras significativas para pessoas com deficiência visual, sobretudo no que se refere à autonomia de escolha e à escassez de informações acessíveis no ato do vestir. Dentre os principais entraves identificados, destacam-se as limitações quanto à identificação de modelos, cores e estampas. Tais lacunas contribuem para a perpetuação de práticas excludentes e soluções padronizadas, que desconsideram a pluralidade de corpos, modos de percepção e experiências sensíveis. Fundamentada nos princípios do Design Inclusivo (Lidwell; Holden; Butler, 2003; Simões; Bispo, 2006) e ancorada metodologicamente no Design Participativo (Simonsen; Robertson, 2013; Spinuzzi, 2005), a pesquisa estabelece um diálogo interdisciplinar entre os campos da Ergonomia (Dul; Weerdmeester, 2013; Iida; Guimarães, 2016), e da Tecnologia Assistiva (Cook; Hussey, 1995; Brasil, 2015), propondo a criação de soluções que incorporem a funcionalidade, dimensões simbólicas, comunicacionais e identitárias da experiência do usuário. Adota-se, nesse sentido, uma abordagem projetual centrada na escuta qualificada e na participação ativa de pessoas com deficiência visual (Spinuzzi, 2005). O percurso metodológico contempla, até o momento, a realização de uma revisão sistemática da literatura e a elaboração do protocolo de pesquisa. As próximas etapas, que envolvem entrevistas exploratórias com o público-alvo, desenvolvimento dos primeiros protótipos e testes de usabilidade com diferentes texturas, materiais e linguagens gráficas táteis, serão iniciadas tão após a aprovação do comitê de ética. A principal expectativa é fortalecer a autonomia estética de pessoas com deficiência visual, permitindo que façam escolhas independentes sobre sua apresentação pessoal, o que impacta diretamente na autoestima e participação social. Ao abordar aspectos subjetivos e simbólicos do vestuário (estampas, estilo, identidade), a pesquisa vai além das soluções funcionais existentes, reconhecendo a moda como forma de expressão pessoal e pertencimento social. A pesquisa tem o potencial de contribuir com a ampliação do escopo conceitual do Ergodesign, tradicionalmente centrado em aspectos físicos e cognitivos, incorporando dimensões sensoriais específicas da deficiência visual. Esta expansão contribui também para uma compreensão mais holística de como diferentes modalidades sensoriais podem ser sistematicamente integradas aos processos projetuais. Ao investigar aspectos subjetivos e identitários do vestuário como estampas, estilo e expressão pessoal, esta pesquisa transcende as abordagens funcionalistas convencionais, ao propor o desenvolvimento de etiquetas têxteis acessíveis para a identificação de estampas. Ao fazê-lo, reconhece a diversidade de formas de percepção como parâmetro legítimo de projeto e enfatiza a importância da autonomia nas escolhas cotidianas. Nesse processo, ao incorporar os saberes situados das pessoas com deficiência visual, reafirma-se o design como uma ferramenta crítica e socialmente comprometida, capaz de promover a equidade no acesso à informação e à expressão individual por meio do vestir.
A pesquisa encontra-se em desenvolvimento no âmbito do Programa de Pós-Graduação em Design da Universidade Federal do Maranhão (PPGDesign/UFMA), instituição que, até o momento, não oferta o curso de doutorado. A proposta emerge da necessidade de ampliar os horizontes da acessibilidade na moda, com ênfase na promoção da autonomia estética de pessoas com deficiência visual. Observa-se que, embora existam avanços em tecnologias assistivas aplicadas ao vestuário, estas têm priorizado informações funcionais, como tamanho, cor e tipo de tecido (Turcatto; Silveira; Rech 2019), em detrimento de elementos subjetivos e simbólicos, como as estampas, importantes vetores de identidade, estilo e expressão pessoal (Geczy; Karaminas, 2012). Nesse contexto, a pesquisa tem como objetivo investigar de que modo o design inclusivo pode contribuir para o desenvolvimento de etiquetas têxteis acessíveis, destinadas à identificação de estampas em peças de vestuário para pessoas com deficiência visual. Pretende-se, ainda, avaliar a eficácia dessas soluções no fortalecimento da autonomia individual, além de propor recomendações projetuais para sua aplicação no contexto industrial, considerando aspectos funcionais, informacionais e perceptivos. Parte-se da constatação de que o vestuário, enquanto dispositivo comunicacional e marcador de pertencimento social (Miranda, 2008), ainda impõe barreiras significativas para pessoas com deficiência visual, sobretudo no que se refere à autonomia de escolha e à escassez de informações acessíveis no ato do vestir. Dentre os principais entraves identificados, destacam-se as limitações quanto à identificação de modelos, cores e estampas. Tais lacunas contribuem para a perpetuação de práticas excludentes e soluções padronizadas, que desconsideram a pluralidade de corpos, modos de percepção e experiências sensíveis. Fundamentada nos princípios do Design Inclusivo (Lidwell; Holden; Butler, 2003; Simões; Bispo, 2006) e ancorada metodologicamente no Design Participativo (Simonsen; Robertson, 2013; Spinuzzi, 2005), a pesquisa estabelece um diálogo interdisciplinar entre os campos da Ergonomia (Dul; Weerdmeester, 2013; Iida; Guimarães, 2016), e da Tecnologia Assistiva (Cook; Hussey, 1995; Brasil, 2015), propondo a criação de soluções que incorporem a funcionalidade, dimensões simbólicas, comunicacionais e identitárias da experiência do usuário. Adota-se, nesse sentido, uma abordagem projetual centrada na escuta qualificada e na participação ativa de pessoas com deficiência visual (Spinuzzi, 2005). O percurso metodológico contempla, até o momento, a realização de uma revisão sistemática da literatura e a elaboração do protocolo de pesquisa. As próximas etapas, que envolvem entrevistas exploratórias com o público-alvo, desenvolvimento dos primeiros protótipos e testes de usabilidade com diferentes texturas, materiais e linguagens gráficas táteis, serão iniciadas tão após a aprovação do comitê de ética. A principal expectativa é fortalecer a autonomia estética de pessoas com deficiência visual, permitindo que façam escolhas independentes sobre sua apresentação pessoal, o que impacta diretamente na autoestima e participação social. Ao abordar aspectos subjetivos e simbólicos do vestuário (estampas, estilo, identidade), a pesquisa vai além das soluções funcionais existentes, reconhecendo a moda como forma de expressão pessoal e pertencimento social. A pesquisa tem o potencial de contribuir com a ampliação do escopo conceitual do Ergodesign, tradicionalmente centrado em aspectos físicos e cognitivos, incorporando dimensões sensoriais específicas da deficiência visual. Esta expansão contribui também para uma compreensão mais holística de como diferentes modalidades sensoriais podem ser sistematicamente integradas aos processos projetuais. Ao investigar aspectos subjetivos e identitários do vestuário como estampas, estilo e expressão pessoal, esta pesquisa transcende as abordagens funcionalistas convencionais, ao propor o desenvolvimento de etiquetas têxteis acessíveis para a identificação de estampas. Ao fazê-lo, reconhece a diversidade de formas de percepção como parâmetro legítimo de projeto e enfatiza a importância da autonomia nas escolhas cotidianas. Nesse processo, ao incorporar os saberes situados das pessoas com deficiência visual, reafirma-se o design como uma ferramenta crítica e socialmente comprometida, capaz de promover a equidade no acesso à informação e à expressão individual por meio do vestir.
Palavras-chave: design inclusivo; deficiência visual; tecnologia assistiva design inclusivo; deficiência visual; tecnologia assistiva
DOI: 10.5151/ergodesign2025-0100
Referências bibliográficas
- [1] BRASIL. Lei no 13.146, de 6 de julho de 2015. Institui a Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência (Estatuto da Pessoa com Deficiência). Diário Oficial da União: seção 1, Brasília, DF, 7 jul. 2015.
- [2] COOK, A. M.; POLGAR, J. M. Assistive Technologies: Principles and Practice. 3. ed. St. Louis: Mosby Elsevier, 2008.
- [3] DUL, J., WEERDMEESTER, B. Ergonomia Prática. Tradução de Itiro Iida. 3. ed. São Paulo. Edgard Blücher, 2013.
- [4] GECZY, A.; KARAMINAS, V. Fashion and art. Bedford Square, London: Berg, 2012.
- [5] IIDA, I.; GUIMARÃES, L. B. Ergonomia: projeto e produção. São Paulo: Edgard Blücher, 2016.
- [6] LIDWELL, W.; HOLDEN, K.; BUTLER, J. Universal Principles of Design. Rockport Publishers, Inc., 2003.
- [7] P. Consumo de Moda: a relação pessoa-objeto. São Paulo: Estação das Letras e Cores, 2008.
- [8] SIMONSEN, J.; ROBERTSON, T. Routledge International Handbook of Participatory Design. Nova York: Taylor & Francis Books, 2013.
- [9] TURCATTO, A. S.; SILVEIRA, I.; RECH. S. R. A acessibilidade dos deficientes visuais com o vestuário por meio das etiquetas têxteis. Projética, Londrina, v. 11, n. 1, p. 195-218, 2019.
- [10] SIMÕES, J. F.; BISPO, R. Design inclusivo: acessibilidade e usabilidade em produtos, serviços e ambientes: manual de apoio às ações de formação do projeto de design. 2. ed. Madrid: Centro Português de Design, 2006.
- [11] SPINUZZI, C. The methodology of participatory design. Technical communication, Washington, v. 52, n. 2, p. 163-174, 2005.
Como citar:
Sousa, Ricardo Vieira de; Maia, Ivana Marcia Oliveira; "Design inclusivo: etiquetas têxteis para identificação de estampas em peças de vestuário para pessoas com deficiência
visual", p-1317-1319.
In: Anais do 20º ERGODESIGN & USIHC - 2025.
São Paulo: Blucher,
2026.
ISSN 23186968,
DOI 10.5151/ergodesign2025-0100
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TY - CONF T1 - Design inclusivo: etiquetas têxteis para identificação de estampas em peças de vestuário para pessoas com deficiência visual JO - Blucher Design Proceedings VL - 14 IS - 2 SP - 1317 EP - 1319 PY - 2026 T2 - 20º ERGODESIGN & USIHC 2025 AU - , SN - 23186968 DO - http://dx.doi.org/10.5151/ergodesign2025-0100 UR - www.proceedings.blucher.com.br/article-details/design-inclusivo-etiquetas-texteis-para-identificacao-de-estampas-em-pecas-de-vestuario-para-pessoas-com-deficiencia-visual KW - design inclusivo; deficiência visual; tecnologia assistiva ER -
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Ricardo Vieira de Sousa, Ivana Marcia Oliveira Maia, Design inclusivo: etiquetas têxteis para identificação de estampas em peças de vestuário para pessoas com deficiência visual, Blucher Design Proceedings, Volume 14, 2026, Pages 1317-1319, ISSN 23186968, http://dx.doi.org/10.5151/ergodesign2025-0100 (www.proceedings.blucher.com.br/article-details/design-inclusivo-etiquetas-texteis-para-identificacao-de-estampas-em-pecas-de-vestuario-para-pessoas-com-deficiencia-visual) Palavras-chave:: design inclusivo; deficiência visual; tecnologia assistiva;