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Design voltado para usuários animais não humanos: estudo de reconhecimento de novo paradigma conceitual de design mais abrangente, inclusivo e não-antropocêntrico
Design voltado para usuários animais não humanos: estudo de reconhecimento de novo paradigma conceitual de design mais abrangente, inclusivo e não-antropocêntrico
Ribeiro da Silva e Araujo, Gabriella; Portugal do Nascimento, Luís Cláudio
Artigo:
Introdução O design de interfaces voltadas para usuários animais não humanos, apesar de sua expressiva presença no mercado, especialmente no setor de produtos para os chamados “animais de estimação”, configura-se como um domínio conceitual ainda pouco investigado pela academia do campo do design. Tendo-se em vista que as definições convencionais do termo "design", historicamente, pautam-se em visões predominantemente antropocêntricas, este resumo, derivado de pesquisa de doutorado intitulada “Design centrado em usuários animais não humanos: Estudo de reconhecimento do segmento não antropocêntrico do design visual, do design de produto e do design de serviço” recém-concluído propõe-se a expandir as fronteiras do entendimento teórico do conceito de “usuário de design”. Diante deste panorama, também buscou-se fornecer visão mais completa e atualizada dos limites conceituais do campo do design, de modo a impactar o desenvolvimento de produtos, interfaces visuais e serviços mais apropriados para esta mais recente categoria de usuários, até então, sub- representada pela academia do campo do design. Assim, teve-se como propósito subsidiar a pedagogia do design de modo a fomentar práticas profissionais mais conscientes e sensíveis, beneficiando a sociedade em geral e, em particular, promovendo o bem-estar dos usuários animais não humanos, no intuito de, então, elevá-los à condição de coparticipes em processos de projeto de design. 1. Método Em termos metodológicos, esta investigação empregou múltiplas abordagens de obtenção dos dados, como: buscas na internet, revisão aprofundada da literatura correlata, entrevistas semiestruturadas com empreendedores do segmento pet e com especialistas em comportamento, manejo e saúde animal, visitas técnicas a museus e eventos relevantes para o tema, bem como observações diretas de situações práticas em clínicas veterinárias. 2. Resultados e discussão Para tanto, esta pesquisa foi alicerçada em vasta compilação e organização sistemática de centenas de exemplos notáveis e diversificados — englobando os segmentos do design visual, do design de produto e do design de serviço — direta ou indiretamente associadas a indivíduos de espécies animais não humanas. Este esforço documental e analítico culminou na elaboração de ampla taxonomia multidimensional de considerável complexidade. Neste grande inventário, as manifestações de design identificadas foram agrupadas e classificadas de acordo com 81 modalidades de funções de uso (e/ou, eventualmente, simbólicas) tais como: higiene, segurança, alimentação, entretenimento, transporte, saúde, entre outros. Tais modalidades, por sua vez, foram, então, relacionadas com três possíveis classes de indivíduos beneficiários e/ou interessados no desempenho destas funções: animais não humanos, seres humanos ou uma combinação de ambos, permitindo uma clara distinção do público-alvo principal de cada interface de design. Posteriormente, a análise deste vasto e diversificado universo possibilitou a identificação, mapeamento e discussão de aspectos, tópicos e questões emergentes e intrínsecas a este novo nicho de design. Nesse contexto, foram examinadas suas possíveis implicações de ordem funcional, ergonômica, semiótica, ética, estética, histórica, pedagógica, metodológica etc. 3. Considerações finais Dentre as diversas conclusões obtidas por meio desta exploração que culminou na elucidação de novo paradigma conceitual do segmento do design, pode-se mencionar a existência de artefatos intencionalmente projetados para infligir desconforto sensorial em usuários animais não humanos, como esporas, chicotes, charretes e arpões, por exemplo, regularmente associados à dominação humana sobre outras espécies animais. Esses objetos, por sua vez, materializam a ideia de "anti- ergonomia", ao servir a interesses de humanos em detrimento do bem-estar de animais não humanos. Tal atributo, além de paradoxal, acaba por contradizer a própria essência do conceito de design – que visa atender às necessidades de seus usuários. Configura-se, portanto, um exemplo de "anti-design" ou "design autorrefutante" em que, ao se apresentar como design, nega seu próprio propósito fundamental.
Introdução O design de interfaces voltadas para usuários animais não humanos, apesar de sua expressiva presença no mercado, especialmente no setor de produtos para os chamados “animais de estimação”, configura-se como um domínio conceitual ainda pouco investigado pela academia do campo do design. Tendo-se em vista que as definições convencionais do termo "design", historicamente, pautam-se em visões predominantemente antropocêntricas, este resumo, derivado de pesquisa de doutorado intitulada “Design centrado em usuários animais não humanos: Estudo de reconhecimento do segmento não antropocêntrico do design visual, do design de produto e do design de serviço” recém-concluído propõe-se a expandir as fronteiras do entendimento teórico do conceito de “usuário de design”. Diante deste panorama, também buscou-se fornecer visão mais completa e atualizada dos limites conceituais do campo do design, de modo a impactar o desenvolvimento de produtos, interfaces visuais e serviços mais apropriados para esta mais recente categoria de usuários, até então, sub- representada pela academia do campo do design. Assim, teve-se como propósito subsidiar a pedagogia do design de modo a fomentar práticas profissionais mais conscientes e sensíveis, beneficiando a sociedade em geral e, em particular, promovendo o bem-estar dos usuários animais não humanos, no intuito de, então, elevá-los à condição de coparticipes em processos de projeto de design. 1. Método Em termos metodológicos, esta investigação empregou múltiplas abordagens de obtenção dos dados, como: buscas na internet, revisão aprofundada da literatura correlata, entrevistas semiestruturadas com empreendedores do segmento pet e com especialistas em comportamento, manejo e saúde animal, visitas técnicas a museus e eventos relevantes para o tema, bem como observações diretas de situações práticas em clínicas veterinárias. 2. Resultados e discussão Para tanto, esta pesquisa foi alicerçada em vasta compilação e organização sistemática de centenas de exemplos notáveis e diversificados — englobando os segmentos do design visual, do design de produto e do design de serviço — direta ou indiretamente associadas a indivíduos de espécies animais não humanas. Este esforço documental e analítico culminou na elaboração de ampla taxonomia multidimensional de considerável complexidade. Neste grande inventário, as manifestações de design identificadas foram agrupadas e classificadas de acordo com 81 modalidades de funções de uso (e/ou, eventualmente, simbólicas) tais como: higiene, segurança, alimentação, entretenimento, transporte, saúde, entre outros. Tais modalidades, por sua vez, foram, então, relacionadas com três possíveis classes de indivíduos beneficiários e/ou interessados no desempenho destas funções: animais não humanos, seres humanos ou uma combinação de ambos, permitindo uma clara distinção do público-alvo principal de cada interface de design. Posteriormente, a análise deste vasto e diversificado universo possibilitou a identificação, mapeamento e discussão de aspectos, tópicos e questões emergentes e intrínsecas a este novo nicho de design. Nesse contexto, foram examinadas suas possíveis implicações de ordem funcional, ergonômica, semiótica, ética, estética, histórica, pedagógica, metodológica etc. 3. Considerações finais Dentre as diversas conclusões obtidas por meio desta exploração que culminou na elucidação de novo paradigma conceitual do segmento do design, pode-se mencionar a existência de artefatos intencionalmente projetados para infligir desconforto sensorial em usuários animais não humanos, como esporas, chicotes, charretes e arpões, por exemplo, regularmente associados à dominação humana sobre outras espécies animais. Esses objetos, por sua vez, materializam a ideia de "anti- ergonomia", ao servir a interesses de humanos em detrimento do bem-estar de animais não humanos. Tal atributo, além de paradoxal, acaba por contradizer a própria essência do conceito de design – que visa atender às necessidades de seus usuários. Configura-se, portanto, um exemplo de "anti-design" ou "design autorrefutante" em que, ao se apresentar como design, nega seu próprio propósito fundamental.
Palavras-chave: Design centrado no animal, Design para animais, Design não-antropocêntrico, Design centrado em usuários animais não humanos, Design centrado no usuário Design centrado no animal, Design para animais, Design não-antropocêntrico, Design centrado em usuários animais não humanos, Design centrado no usuário
DOI: 10.5151/1JPPD-0077
Como citar:
Ribeiro da Silva e Araujo, Gabriella; Portugal do Nascimento, Luís Cláudio; "Design voltado para usuários animais não humanos: estudo de reconhecimento de novo paradigma conceitual de design mais abrangente, inclusivo
e não-antropocêntrico", p-201-203.
In: 1º JPPD.
São Paulo: Blucher,
2026.
ISSN 23186968,
DOI 10.5151/1JPPD-0077
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TY - CONF T1 - Design voltado para usuários animais não humanos: estudo de reconhecimento de novo paradigma conceitual de design mais abrangente, inclusivo e não-antropocêntrico JO - Blucher Design Proceedings VL - 14 IS - 3 SP - 201 EP - 203 PY - 2026 T2 - I Jornada Paulista de Pesquisa em Design AU - , SN - 23186968 DO - http://dx.doi.org/10.5151/1JPPD-0077 UR - www.proceedings.blucher.com.br/article-details/design-voltado-para-usuarios-animais-nao-humanos-estudo-de-reconhecimento-de-novo-paradigma-conceitual-de-design-mais-abrangente-inclusivo-e-nao-antropocentrico KW - Design centrado no animal, Design para animais, Design não-antropocêntrico, Design centrado em usuários animais não humanos, Design centrado no usuário ER -
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Gabriella Ribeiro da Silva e Araujo, Luís Cláudio Portugal do Nascimento, Design voltado para usuários animais não humanos: estudo de reconhecimento de novo paradigma conceitual de design mais abrangente, inclusivo e não-antropocêntrico, Blucher Design Proceedings, Volume 14, 2026, Pages 201-203, ISSN 23186968, http://dx.doi.org/10.5151/1JPPD-0077 (www.proceedings.blucher.com.br/article-details/design-voltado-para-usuarios-animais-nao-humanos-estudo-de-reconhecimento-de-novo-paradigma-conceitual-de-design-mais-abrangente-inclusivo-e-nao-antropocentrico) Palavras-chave:: Design centrado no animal, Design para animais, Design não-antropocêntrico, Design centrado em usuários animais não humanos, Design centrado no usuário;