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Desinformação em saúde: design para combater notícias falsas em portais de checagem de fatos.
Desinformação em saúde: design para combater notícias falsas em portais de checagem de fatos.
Bacelar, Camilla Costa; Goldchmit, Sara Miriam
Artigo:
1. O contexto da desinformação em saúde O impacto da desinformação em saúde tem sido mais evidente desde a pandemia de covid-19. Seja em contextos de doenças transmissíveis ou doenças crônicas, a propagação da desinformação em saúde tem impactos graves na saúde da população e nos sistemas de saúde. O design de informação pode influenciar a percepção e conscientização sobre notícias falsas. Páginas de checagem de fatos abertas ao público configuram novo serviço focado em combater a desinformação. O objetivo deste trabalho é explorar o desenvolvimento histórico do design de notícias, o panorama atual da desinformação em saúde e as estratégias de checagem de fatos na perspectiva do design da informação. 2. Design de notícias: do texto ao discurso multimodal Moraes (2015) define o design de notícias como a atividade de reportar fatos analisados e contextualizados para um determinado público, no qual o designer atua como produtor de discursos. Historicamente, até o final do século XIX, os jornais eram compostos somente com informação verbal. A partir daí, as primeiras ilustrações passaram a ser impressas nas páginas dos jornais. Com o desenvolvimento da indústria gráfica, as possibilidades de se propor interações complexas entre as palavras e ilustrações/imagens, hierarquia e processos de produção configuraram discursos multimodais muito potentes. Infográficos e linhas do tempo são exemplos desse tipo de proposição verbo-visual. Com o uso comercial da internet e a chegada dos jornais online nos anos 1990, os designers voltaram-se para o desenvolvimento das páginas digitais de notícias. As etapas decisórias do sistema de produção digital se complexificam com a incorporação de novos recursos tecnológicos — áudio, vídeo, animações —, onde o designer torna-se um mediador essencial. Com a expansão recente das redes sociais, coloca-se o enorme desafio de desmentir notícias falsas. Surgem novas plataformas jornalísticas para esclarecer fatos, analisar conteúdos e prover o contexto de como foram produzidos. Para isso, incorporaram-se novos elementos visuais específicos para esse discurso jornalístico específico. _x000c_ Camilla BACELAR, Sara GOLDCHMIT Breve panorama sobre notícias falsas, design de notícias e checagem de fatos. 3. Checagem de fatos: design para combater a desinformação Apesar do impacto devastador das notícias falsas na saúde pública, os provedores de checagem de fatos têm ênfase em temas políticos. Essa prática obteve maior destaque no Brasil em 2018, no período eleitoral. Apesar de ter sua própria forma de noticiar, esse tipo de jornalismo ainda não se consolidou como um gênero (Becker, 2019). Para observar a forma de expressão dessas notícias do ponto de vista do design, escolheu-se portais de notícias para análise de conteúdo: Agência Lupa, Aos Fatos e Estadão Verifica. Observou-se que as três páginas têm formas distintas de demonstrar um conteúdo falso visualmente, mas seguem os mesmos princípios de layout para desmentir ou corrigir uma matéria. As três utilizam o elemento desinformante principal (imagem), elementos gráficos sobrepostos para demonstrar inconsistências, a cor como código sinalizador e informação verbal direta e concisa. Será realizada uma análise aprofundada baseada nos princípios de design da informação de Lipton (2007) — clareza, consistência, segmentação, proximidade, estrutura, hierarquia, alinhamento, equilíbrio e fluxo de leitura. 4. Conclusões Em conclusão, pretende-se fazer essa análise para entender o uso dos princípios do design da informação nas plataformas de checagem de fatos brasileiras. Tal feito contribuiria para entender e ajudar a combater o crescente número de notícias falsas publicadas diariamente. Além disso, diante do panorama crescente de notícias falsas e dos desdobramentos da inteligência artificial, é importante fomentar a pesquisa sobre esse assunto e promover diretrizes no campo de design da informação.
1. O contexto da desinformação em saúde O impacto da desinformação em saúde tem sido mais evidente desde a pandemia de covid-19. Seja em contextos de doenças transmissíveis ou doenças crônicas, a propagação da desinformação em saúde tem impactos graves na saúde da população e nos sistemas de saúde. O design de informação pode influenciar a percepção e conscientização sobre notícias falsas. Páginas de checagem de fatos abertas ao público configuram novo serviço focado em combater a desinformação. O objetivo deste trabalho é explorar o desenvolvimento histórico do design de notícias, o panorama atual da desinformação em saúde e as estratégias de checagem de fatos na perspectiva do design da informação. 2. Design de notícias: do texto ao discurso multimodal Moraes (2015) define o design de notícias como a atividade de reportar fatos analisados e contextualizados para um determinado público, no qual o designer atua como produtor de discursos. Historicamente, até o final do século XIX, os jornais eram compostos somente com informação verbal. A partir daí, as primeiras ilustrações passaram a ser impressas nas páginas dos jornais. Com o desenvolvimento da indústria gráfica, as possibilidades de se propor interações complexas entre as palavras e ilustrações/imagens, hierarquia e processos de produção configuraram discursos multimodais muito potentes. Infográficos e linhas do tempo são exemplos desse tipo de proposição verbo-visual. Com o uso comercial da internet e a chegada dos jornais online nos anos 1990, os designers voltaram-se para o desenvolvimento das páginas digitais de notícias. As etapas decisórias do sistema de produção digital se complexificam com a incorporação de novos recursos tecnológicos — áudio, vídeo, animações —, onde o designer torna-se um mediador essencial. Com a expansão recente das redes sociais, coloca-se o enorme desafio de desmentir notícias falsas. Surgem novas plataformas jornalísticas para esclarecer fatos, analisar conteúdos e prover o contexto de como foram produzidos. Para isso, incorporaram-se novos elementos visuais específicos para esse discurso jornalístico específico. _x000c_ Camilla BACELAR, Sara GOLDCHMIT Breve panorama sobre notícias falsas, design de notícias e checagem de fatos. 3. Checagem de fatos: design para combater a desinformação Apesar do impacto devastador das notícias falsas na saúde pública, os provedores de checagem de fatos têm ênfase em temas políticos. Essa prática obteve maior destaque no Brasil em 2018, no período eleitoral. Apesar de ter sua própria forma de noticiar, esse tipo de jornalismo ainda não se consolidou como um gênero (Becker, 2019). Para observar a forma de expressão dessas notícias do ponto de vista do design, escolheu-se portais de notícias para análise de conteúdo: Agência Lupa, Aos Fatos e Estadão Verifica. Observou-se que as três páginas têm formas distintas de demonstrar um conteúdo falso visualmente, mas seguem os mesmos princípios de layout para desmentir ou corrigir uma matéria. As três utilizam o elemento desinformante principal (imagem), elementos gráficos sobrepostos para demonstrar inconsistências, a cor como código sinalizador e informação verbal direta e concisa. Será realizada uma análise aprofundada baseada nos princípios de design da informação de Lipton (2007) — clareza, consistência, segmentação, proximidade, estrutura, hierarquia, alinhamento, equilíbrio e fluxo de leitura. 4. Conclusões Em conclusão, pretende-se fazer essa análise para entender o uso dos princípios do design da informação nas plataformas de checagem de fatos brasileiras. Tal feito contribuiria para entender e ajudar a combater o crescente número de notícias falsas publicadas diariamente. Além disso, diante do panorama crescente de notícias falsas e dos desdobramentos da inteligência artificial, é importante fomentar a pesquisa sobre esse assunto e promover diretrizes no campo de design da informação.
Palavras-chave: Notícias Falsas; Desinformação em Saúde; Design de Notícias; Checagem de Fatos. Notícias Falsas; Desinformação em Saúde; Design de Notícias; Checagem de Fatos.
DOI: 10.5151/1JPPD-0112
Referências bibliográficas
- [1] BECKER, Denise. A evolução do fact-checking como atividade jornalística no Brasil: Lacunas e tendências. Comunicação: Reflexões, experiências, ensino, v. 15, n. 1, p. 85-98, 2019.
- [2] LIPTON, R. O guia prático para Design de Informação. Hoboken: Wiley. 2007
- [3] MORAES, Ary. Design de Notícias – São Paulo: Blucher, 2015. – (Pensando o design / coordenação de Marcos Braga). ISBN 978-85-212-0865-5.
- [4] Agência Lupa — UOL. Disponível em: https://lupa.uol.com.br/
- [5] Aos Fatos. Disponível em: https://www.aosfatos.org/
- [6] Estadão Verifica — Estadão. Disponível em: https://www.estadao.com.br/estadao-verifica/
Como citar:
Bacelar, Camilla Costa; Goldchmit, Sara Miriam; "Desinformação em saúde: design para combater notícias falsas em portais de checagem de fatos.", p-290-291.
In: 1º JPPD.
São Paulo: Blucher,
2026.
ISSN 23186968,
DOI 10.5151/1JPPD-0112
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TY - CONF T1 - Desinformação em saúde: design para combater notícias falsas em portais de checagem de fatos. JO - Blucher Design Proceedings VL - 14 IS - 3 SP - 290 EP - 291 PY - 2026 T2 - I Jornada Paulista de Pesquisa em Design AU - , SN - 23186968 DO - http://dx.doi.org/10.5151/1JPPD-0112 UR - www.proceedings.blucher.com.br/article-details/desinformacao-em-saude-design-para-combater-noticias-falsas-em-portais-de-checagem-de-fatos KW - Notícias Falsas; Desinformação em Saúde; Design de Notícias; Checagem de Fatos. ER -
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Camilla Costa Bacelar, Sara Miriam Goldchmit, Desinformação em saúde: design para combater notícias falsas em portais de checagem de fatos., Blucher Design Proceedings, Volume 14, 2026, Pages 290-291, ISSN 23186968, http://dx.doi.org/10.5151/1JPPD-0112 (www.proceedings.blucher.com.br/article-details/desinformacao-em-saude-design-para-combater-noticias-falsas-em-portais-de-checagem-de-fatos) Palavras-chave:: Notícias Falsas; Desinformação em Saúde; Design de Notícias; Checagem de Fatos.;