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Ilustrar: dar à luz ou trazer a luz? Ilustração como revelação exaltada da diferença
Ilustrar: dar à luz ou trazer a luz? Ilustração como revelação exaltada da diferença
Keynote Speaker:
A presente comunicação parte da origem etimológica da ilustração para defender a independência alternativa do seu contributo no esclarecimento complementar ao texto, origem de uma iconologia. Ao dar a ver, a ilustração tem recorrido a inúmeras técnicas ao longo do tempo, sobretudo polarizadas pela re-presentação aristotélica (da persuasão empática apolínea) e pela a-presentação metafísica (da celebração abstracta dionisíaca), reflectidas na expressão dominante de uma arte global naturalista realista e na expressão resistente de uma arte local expressionista abstracta. Mas a ilustração enquanto meio de comunicação de Deus, também está na origem da cisão Reformista entre os cristãos do norte e do sul da Europa, origem da Contra-reforma, assim distinguindo uma ilustração lacónica, discriminativa e solitária (protestante) de outra enfática, colectivista e imersiva (católica). O movimento iconoclasta1 contra a ilustração figurativa, já identifica no séc. VIII reminiscências teológicas judaicas e islâmicas radicais, na defesa da invisibilidade2 e inconformidade de Deus, defendendo a palavra sagrada e objectiva contra o profanismo da imagem subjectiva e assim, a iconoclastia contra a iconografia. Mas na iconografia ocidental europeia também se distinguirão os modos do desenho em contorno (consciência analítica renascentista) e em mancha (inconsciência emocional barroca), expressões do masculino florentino que se opõe ao feminino veneziano. Na dicotomia consciente vs inconsciente, oculta-se a diferença entre a realidade do possível e a alienação do imaginado que o cinema, enquanto máquina de produção do fantástico, tem promovido na dupla acessão de transcendência e alienação, através do fenómeno da projecção empática, assim contribuindo para o esvanecimento da indignação social e consequentemente, para uma sociedade politicamente mais controlada — trazendo ao mundo, por vezes, mais obscurecimento do que esclarecimento. Nasce por isso uma dimensão moral da ilustração, criticando e avaliando as formas enquanto contributos para a liberdade e dignificação humana.
A presente comunicação parte da origem etimológica da ilustração para defender a independência alternativa do seu contributo no esclarecimento complementar ao texto, origem de uma iconologia. Ao dar a ver, a ilustração tem recorrido a inúmeras técnicas ao longo do tempo, sobretudo polarizadas pela re-presentação aristotélica (da persuasão empática apolínea) e pela a-presentação metafísica (da celebração abstracta dionisíaca), reflectidas na expressão dominante de uma arte global naturalista realista e na expressão resistente de uma arte local expressionista abstracta. Mas a ilustração enquanto meio de comunicação de Deus, também está na origem da cisão Reformista entre os cristãos do norte e do sul da Europa, origem da Contra-reforma, assim distinguindo uma ilustração lacónica, discriminativa e solitária (protestante) de outra enfática, colectivista e imersiva (católica). O movimento iconoclasta1 contra a ilustração figurativa, já identifica no séc. VIII reminiscências teológicas judaicas e islâmicas radicais, na defesa da invisibilidade2 e inconformidade de Deus, defendendo a palavra sagrada e objectiva contra o profanismo da imagem subjectiva e assim, a iconoclastia contra a iconografia. Mas na iconografia ocidental europeia também se distinguirão os modos do desenho em contorno (consciência analítica renascentista) e em mancha (inconsciência emocional barroca), expressões do masculino florentino que se opõe ao feminino veneziano. Na dicotomia consciente vs inconsciente, oculta-se a diferença entre a realidade do possível e a alienação do imaginado que o cinema, enquanto máquina de produção do fantástico, tem promovido na dupla acessão de transcendência e alienação, através do fenómeno da projecção empática, assim contribuindo para o esvanecimento da indignação social e consequentemente, para uma sociedade politicamente mais controlada — trazendo ao mundo, por vezes, mais obscurecimento do que esclarecimento. Nasce por isso uma dimensão moral da ilustração, criticando e avaliando as formas enquanto contributos para a liberdade e dignificação humana.
Palavras-chave:
DOI: 10.5151/edupro-aivcipe-07
Referências bibliográficas
- [1]
Como citar:
Providência, Francisco; "Ilustrar: dar à luz ou trazer a luz? Ilustração como revelação exaltada da diferença", p-33-40.
In: Barbosa, Helena; Quental, Joana [Eds]. Proceedings of the 2nd International Conference of Art, Illustration and Visual Culture in Infant and Primary Education.
São Paulo: Blucher,
2015.
ISSN 2318695X,
DOI 10.5151/edupro-aivcipe-07
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TY - CONF T1 - Ilustrar: dar à luz ou trazer a luz? Ilustração como revelação exaltada da diferença JO - Blucher Education Proceedings VL - 1 IS - 2 SP - 33 EP - 40 PY - 2015 T2 - 2nd International Conference of Art, Illustration and Visual Culture in Infant and Primary Education AU - SN - 2318695X DO - http://dx.doi.org/10.5151/edupro-aivcipe-07 UR - www.proceedings.blucher.com.br/article-details/ilustrar-dar-luz-ou-trazer-a-luz-ilustrao-como-revelao-exaltada-da-diferena-18718 KW - ER -
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Francisco Providência, Ilustrar: dar à luz ou trazer a luz? Ilustração como revelação exaltada da diferença, Blucher Education Proceedings, Volume 1, 2015, Pages 33-40, ISSN 2318695X, http://dx.doi.org/10.5151/edupro-aivcipe-07 (www.proceedings.blucher.com.br/article-details/ilustrar-dar-luz-ou-trazer-a-luz-ilustrao-como-revelao-exaltada-da-diferena-18718) Palavras-chave:: ;