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Memórias dissidentes em artefatos visuais do acervo digital do Museu Transgênero de História e Arte (MUTHA)
Memórias dissidentes em artefatos visuais do acervo digital do Museu Transgênero de História e Arte (MUTHA)
Souza, Rian Santos de; Beiguelman, Giselle
Artigo:
1. Resumo O Museu Transgênero de História e Arte (MUTHA) é o único museu trans do Brasil e um dos poucos existentes no mundo. Concebido como uma obra artística e como um conjunto de tecnologias voltadas à preservação, pesquisa e produção de acervos da memória LGBT+ brasileira, o projeto propõe novas abordagens museológicas. Neste contexto, torna-se fundamental compreender de que maneira as relações entre o design e a linguagem visual, presentes nos artefatos gráficos do acervo digital do museu, contribuem para a construção de noções sobre o corpo dissidente, especialmente no que se refere às experiências de pessoas travestis e transgêneras. Para Preciado (2022), o corpo não é apenas uma entidade biológica, mas um texto socialmente produzido: um arquivo orgânico onde se inscreve a história da humanidade enquanto história da produção e reprodução sexual. Nesse corpo-arquivo, certos códigos são naturalizados e legitimados, enquanto outros são sistematicamente apagados. Por meio do diálogo entre os estudos queer e as reflexões sobre memória gráfica (Farias, Braga, 2018), este trabalho busca investigar a memória de pessoas travestis e transgêneras a partir dos artefatos visuais do acervo digital do MUTHA (Figura 1). Farias e Braga (2018) defendem que os estudos sobre memória gráfica permitem uma abordagem sem preconceitos da cultura visual e da cultura da impressão do passado local, mostrando que seus produtos podem ser temas de pesquisa legítimos. Portinari (2017) propõe que queerizar o design significa despertar o campo para as implicações éticas, estéticas e políticas de suas práticas contemporâneas. O procedimento analítico fundamenta-se na Metodologia Visual Crítica proposta por Gillian Rose (2016). A escolha desta abordagem justifica-se pela necessidade de transcender a descrição formal do artefato, investigando a construção de significados no campo do design. Este estudo integra o Projeto Temático Fapesp Acervos Digitais e Pesquisa, coordenado pela Profa Dra. Giselle Beiguelman. Os dados levantados foram organizados em uma base iconográfica para descrição de aspectos e características observadas, como suporte, descrição visual, iconografia queer, identidade e experiências, interseccionalidade, local e temporalidade. Os critérios de classificação foram definidos a partir de Rose (2016), a autora ressalta a importância do rigor teórico e da sensibilidade política na análise de materiais visuais. Com relação ao conteúdo, foi possível notar questões de cidadania, direitos humanos e prevenção de HIV/AIDS. A pesquisa realiza levantamentos em diferentes acervos digitais queer, com ênfase em coleções de países da América Latina, árabes, África e Indonésia, incluindo o Acervo Bajubá, o Archivo de la Memoria Trans, Takweer, GALA Queer Archive e Queer Indonesia Archive. A análise desses acervos permite vislumbrar caminhos de diálogo entre design, memória e estudos queer, evidenciando como práticas visuais dissidentes não apenas constituem formas de expressão estética, mas também assumem um papel político e social. O presente trabalho foi realizado com apoio da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES).
1. Resumo O Museu Transgênero de História e Arte (MUTHA) é o único museu trans do Brasil e um dos poucos existentes no mundo. Concebido como uma obra artística e como um conjunto de tecnologias voltadas à preservação, pesquisa e produção de acervos da memória LGBT+ brasileira, o projeto propõe novas abordagens museológicas. Neste contexto, torna-se fundamental compreender de que maneira as relações entre o design e a linguagem visual, presentes nos artefatos gráficos do acervo digital do museu, contribuem para a construção de noções sobre o corpo dissidente, especialmente no que se refere às experiências de pessoas travestis e transgêneras. Para Preciado (2022), o corpo não é apenas uma entidade biológica, mas um texto socialmente produzido: um arquivo orgânico onde se inscreve a história da humanidade enquanto história da produção e reprodução sexual. Nesse corpo-arquivo, certos códigos são naturalizados e legitimados, enquanto outros são sistematicamente apagados. Por meio do diálogo entre os estudos queer e as reflexões sobre memória gráfica (Farias, Braga, 2018), este trabalho busca investigar a memória de pessoas travestis e transgêneras a partir dos artefatos visuais do acervo digital do MUTHA (Figura 1). Farias e Braga (2018) defendem que os estudos sobre memória gráfica permitem uma abordagem sem preconceitos da cultura visual e da cultura da impressão do passado local, mostrando que seus produtos podem ser temas de pesquisa legítimos. Portinari (2017) propõe que queerizar o design significa despertar o campo para as implicações éticas, estéticas e políticas de suas práticas contemporâneas. O procedimento analítico fundamenta-se na Metodologia Visual Crítica proposta por Gillian Rose (2016). A escolha desta abordagem justifica-se pela necessidade de transcender a descrição formal do artefato, investigando a construção de significados no campo do design. Este estudo integra o Projeto Temático Fapesp Acervos Digitais e Pesquisa, coordenado pela Profa Dra. Giselle Beiguelman. Os dados levantados foram organizados em uma base iconográfica para descrição de aspectos e características observadas, como suporte, descrição visual, iconografia queer, identidade e experiências, interseccionalidade, local e temporalidade. Os critérios de classificação foram definidos a partir de Rose (2016), a autora ressalta a importância do rigor teórico e da sensibilidade política na análise de materiais visuais. Com relação ao conteúdo, foi possível notar questões de cidadania, direitos humanos e prevenção de HIV/AIDS. A pesquisa realiza levantamentos em diferentes acervos digitais queer, com ênfase em coleções de países da América Latina, árabes, África e Indonésia, incluindo o Acervo Bajubá, o Archivo de la Memoria Trans, Takweer, GALA Queer Archive e Queer Indonesia Archive. A análise desses acervos permite vislumbrar caminhos de diálogo entre design, memória e estudos queer, evidenciando como práticas visuais dissidentes não apenas constituem formas de expressão estética, mas também assumem um papel político e social. O presente trabalho foi realizado com apoio da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES).
Palavras-chave: Design, Memória gráfica, Acervos digitais, Queer Design, Memória gráfica, Acervos digitais, Queer
DOI: 10.5151/1JPPD-0137
Referências bibliográficas
- [1] FARIAS, Priscila; BRAGA, Marcos da Costa (orgs.). Dez ensaios sobre memória gráfica. São Paulo: Blucher, 2018.
- [2] HABIB, Ian Guimarães. Corpos Transformacionais: a transformação corporal nas artes da cena. São Paulo: Ed. Hucitec, 2021.
- [3] PORTINARI, Denise. Queerizar o design. Revista Arcos Design, Rio de Janeiro, p. 60-78, jan./2024. Disponível em: https://www.e-publicacoes.uerj.br/index.php/arcosdesign. Acesso em 20 de jun. 2025.
- [4] PRECIADO, Paul B. Manifesto contrassexual: práticas subversivas de identidade sexual. Tradução: Maria Paula Gurgel Ribeiro. São Paulo: Zahar, 2022.
- [5] ROSE, Gillian. Visual Methodologies: an introduction to researching with visual materials. 4. ed. London: SAGE Publications, 2016.
Como citar:
Souza, Rian Santos de; Beiguelman, Giselle; "Memórias dissidentes em artefatos visuais do acervo digital do Museu Transgênero de História e Arte (MUTHA)", p-356-358.
In: 1º JPPD.
São Paulo: Blucher,
2026.
ISSN 23186968,
DOI 10.5151/1JPPD-0137
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TY - CONF T1 - Memórias dissidentes em artefatos visuais do acervo digital do Museu Transgênero de História e Arte (MUTHA) JO - Blucher Design Proceedings VL - 14 IS - 3 SP - 356 EP - 358 PY - 2026 T2 - I Jornada Paulista de Pesquisa em Design AU - , SN - 23186968 DO - http://dx.doi.org/10.5151/1JPPD-0137 UR - www.proceedings.blucher.com.br/article-details/memorias-dissidentes-em-artefatos-visuais-do-acervo-digital-do-museu-transgenero-de-historia-e-arte-mutha KW - Design, Memória gráfica, Acervos digitais, Queer ER -
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Rian Santos de Souza, Giselle Beiguelman, Memórias dissidentes em artefatos visuais do acervo digital do Museu Transgênero de História e Arte (MUTHA), Blucher Design Proceedings, Volume 14, 2026, Pages 356-358, ISSN 23186968, http://dx.doi.org/10.5151/1JPPD-0137 (www.proceedings.blucher.com.br/article-details/memorias-dissidentes-em-artefatos-visuais-do-acervo-digital-do-museu-transgenero-de-historia-e-arte-mutha) Palavras-chave:: Design, Memória gráfica, Acervos digitais, Queer;