Blucher Design Proceedings
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Método IRIS: abordagem estruturada para inovação em interfaces multissetoriais
Método IRIS: abordagem estruturada para inovação em interfaces multissetoriais
Gonzales, Maria Alice; Fleury, André Leme
Artigo:
Resumo expandido O aumento da complexidade dos desafios contemporâneos pede abordagens que transcendam os limites disciplinares tradicionais, especialmente na interface entre universidades, instituições públicas e organizações privadas. Neste contexto, o trabalho apresenta o desenvolvimento do Método IRIS (sigla para a iniciativa Interdisciplinary Research for Innovative Solutions), uma contribuição que visa preencher uma lacuna significativa: a ausência de métodos estruturados de design para a abordagem de problemas complexos em ambientes universitários e suas interfaces com outros setores da sociedade. A pesquisa está baseada na premissa de que o design, com seu processo abdutivo-criativo, possui potencial transformador quando aplicado sistematicamente em contextos multidisciplinares. Partindo da experiência profissional da autora como designer em equipes multidisciplinares, principalmente em projetos envolvendo as engenharias, a investigação identificou que as instituições enfrentam desafios significativos ao incorporar o design como abordagem estratégica no desenvolvimento de projetos de inovação. Metodologicamente, o trabalho adotou a Design Science Research Methodology (DSRM), uma abordagem considerada adequada para o desenvolvimento e teste de artefatos em contextos reais. Esta escolha metodológica permitiu não apenas a concepção do Método IRIS, mas também sua aplicação e validação em diferentes cenários, possibilitando ajustes iterativos baseados nos resultados observados. O Método IRIS é o artefato central da tese, estrutura-se em seis fases que incorporam cinco momentos críticos de decisão: Fase 0 (Prospecção), com decisão sobre seleção de parcerias; Fase 1 (Descoberta de oportunidades), culminando na seleção de oportunidades; Fase 2 (Identificação de projetos), com decisão sobre seleção de projetos; Fase 3 (Especificação de projetos), finalizando com seleção de requisitos; Fases 4 e 5 (Laboratório de inovação e Desenvolvimento de tecnologias), ambas com decisões sobre lançamento de produtos ou serviços; e Fase 6 (Implantação de operação). A demonstração e validação do método ocorreram em três contextos distintos, o que comprova sua versatilidade. No Centro de Inovação da Universidade de São Paulo, o Método IRIS foi aplicado em projetos com empresas públicas e privadas, e abordou temáticas diversas como segurança de dutos, arborização urbana, ciclo de vida dos plásticos e inovação na construção civil. Em um instituto de medicina física e reabilitação o método foi aplicado com uma equipe de 12 profissionais do setor administrativo ao longo de 24 encontros semanais. Esta aplicação focou no redesenho de serviços centrados no paciente, resultando em soluções de baixo custo e alto impacto para a melhoria da recepção e atendimento. Um aspecto notável desta aplicação foi a mudança de perspectiva observada na equipe administrativa, que passou a adotar uma postura mais colaborativa e inovadora. Na Rede MORE, um projeto para desenvolver um método de estimativa do CO2 incorporado nas moradias de construção autogerida que relaciona este aspecto à qualidade de vida dos moradores, o Método IRIS foi aplicado durante 15 meses. Esta aplicação envolveu 30 participantes entre docentes, pesquisadores e prestadores de serviços, que interagiram com moradores de 31 casas em uma favela da Zona Oeste de São Paulo. O método auxiliou na estruturação de equipes multidisciplinares organizadas em cinco grupos de trabalho (Comunidades, Mapeamento, Materialização, Qualidade do Ambiente Interno e Tomada de Decisão) e na criação de soluções práticas como um aplicativo para coleta de dados. A avaliação do Método IRIS, realizada por meio de feedback dos participantes e análise dos resultados obtidos, evidenciou sua eficácia na integração de equipes multidisciplinares e na abordagem de problemas complexos. Os participantes destacaram positivamente a visão holística proporcionada pelo método, a estruturação clara das etapas de trabalho e o estímulo à colaboração entre profissionais de diferentes áreas. Entre as contribuições teóricas e práticas da pesquisa, destacam-se: a sistematização de práticas de design em contextos de inovação; a demonstração da adaptabilidade do método em diferentes cenários; a valorização do papel do design como facilitador na resolução de problemas complexos; e a criação de ferramentas e templates que operacionalizam o método, facilitando sua aplicação por outros profissionais e pesquisadores. As limitações do estudo incluem a impossibilidade de acompanhar o desdobramento de todos os projetos a longo prazo, o que abre oportunidades para investigações futuras. Neste sentido, a autora sugere a continuidade da aplicação do método em outros contextos para uma validação mais ampla, o acompanhamento longitudinal dos projetos já iniciados e o aprofundamento do estudo sobre o papel do designer no contexto de outras disciplinas. Em síntese, o Método IRIS representa uma contribuição significativa para o campo do Design e da Inovação, oferecendo um framework estruturado e adaptável que facilita a transformação do conhecimento acadêmico em soluções de valor para diversos setores da sociedade. Ao evidenciar o potencial do design como abordagem estratégica para a resolução de problemas complexos em ambientes multidisciplinares, a tese não apenas enriquece o repertório metodológico da área, mas também fortalece o papel do design como disciplina integradora e catalisadora de inovações significativas.
Resumo expandido O aumento da complexidade dos desafios contemporâneos pede abordagens que transcendam os limites disciplinares tradicionais, especialmente na interface entre universidades, instituições públicas e organizações privadas. Neste contexto, o trabalho apresenta o desenvolvimento do Método IRIS (sigla para a iniciativa Interdisciplinary Research for Innovative Solutions), uma contribuição que visa preencher uma lacuna significativa: a ausência de métodos estruturados de design para a abordagem de problemas complexos em ambientes universitários e suas interfaces com outros setores da sociedade. A pesquisa está baseada na premissa de que o design, com seu processo abdutivo-criativo, possui potencial transformador quando aplicado sistematicamente em contextos multidisciplinares. Partindo da experiência profissional da autora como designer em equipes multidisciplinares, principalmente em projetos envolvendo as engenharias, a investigação identificou que as instituições enfrentam desafios significativos ao incorporar o design como abordagem estratégica no desenvolvimento de projetos de inovação. Metodologicamente, o trabalho adotou a Design Science Research Methodology (DSRM), uma abordagem considerada adequada para o desenvolvimento e teste de artefatos em contextos reais. Esta escolha metodológica permitiu não apenas a concepção do Método IRIS, mas também sua aplicação e validação em diferentes cenários, possibilitando ajustes iterativos baseados nos resultados observados. O Método IRIS é o artefato central da tese, estrutura-se em seis fases que incorporam cinco momentos críticos de decisão: Fase 0 (Prospecção), com decisão sobre seleção de parcerias; Fase 1 (Descoberta de oportunidades), culminando na seleção de oportunidades; Fase 2 (Identificação de projetos), com decisão sobre seleção de projetos; Fase 3 (Especificação de projetos), finalizando com seleção de requisitos; Fases 4 e 5 (Laboratório de inovação e Desenvolvimento de tecnologias), ambas com decisões sobre lançamento de produtos ou serviços; e Fase 6 (Implantação de operação). A demonstração e validação do método ocorreram em três contextos distintos, o que comprova sua versatilidade. No Centro de Inovação da Universidade de São Paulo, o Método IRIS foi aplicado em projetos com empresas públicas e privadas, e abordou temáticas diversas como segurança de dutos, arborização urbana, ciclo de vida dos plásticos e inovação na construção civil. Em um instituto de medicina física e reabilitação o método foi aplicado com uma equipe de 12 profissionais do setor administrativo ao longo de 24 encontros semanais. Esta aplicação focou no redesenho de serviços centrados no paciente, resultando em soluções de baixo custo e alto impacto para a melhoria da recepção e atendimento. Um aspecto notável desta aplicação foi a mudança de perspectiva observada na equipe administrativa, que passou a adotar uma postura mais colaborativa e inovadora. Na Rede MORE, um projeto para desenvolver um método de estimativa do CO2 incorporado nas moradias de construção autogerida que relaciona este aspecto à qualidade de vida dos moradores, o Método IRIS foi aplicado durante 15 meses. Esta aplicação envolveu 30 participantes entre docentes, pesquisadores e prestadores de serviços, que interagiram com moradores de 31 casas em uma favela da Zona Oeste de São Paulo. O método auxiliou na estruturação de equipes multidisciplinares organizadas em cinco grupos de trabalho (Comunidades, Mapeamento, Materialização, Qualidade do Ambiente Interno e Tomada de Decisão) e na criação de soluções práticas como um aplicativo para coleta de dados. A avaliação do Método IRIS, realizada por meio de feedback dos participantes e análise dos resultados obtidos, evidenciou sua eficácia na integração de equipes multidisciplinares e na abordagem de problemas complexos. Os participantes destacaram positivamente a visão holística proporcionada pelo método, a estruturação clara das etapas de trabalho e o estímulo à colaboração entre profissionais de diferentes áreas. Entre as contribuições teóricas e práticas da pesquisa, destacam-se: a sistematização de práticas de design em contextos de inovação; a demonstração da adaptabilidade do método em diferentes cenários; a valorização do papel do design como facilitador na resolução de problemas complexos; e a criação de ferramentas e templates que operacionalizam o método, facilitando sua aplicação por outros profissionais e pesquisadores. As limitações do estudo incluem a impossibilidade de acompanhar o desdobramento de todos os projetos a longo prazo, o que abre oportunidades para investigações futuras. Neste sentido, a autora sugere a continuidade da aplicação do método em outros contextos para uma validação mais ampla, o acompanhamento longitudinal dos projetos já iniciados e o aprofundamento do estudo sobre o papel do designer no contexto de outras disciplinas. Em síntese, o Método IRIS representa uma contribuição significativa para o campo do Design e da Inovação, oferecendo um framework estruturado e adaptável que facilita a transformação do conhecimento acadêmico em soluções de valor para diversos setores da sociedade. Ao evidenciar o potencial do design como abordagem estratégica para a resolução de problemas complexos em ambientes multidisciplinares, a tese não apenas enriquece o repertório metodológico da área, mas também fortalece o papel do design como disciplina integradora e catalisadora de inovações significativas.
Palavras-chave: Design, Inovação, Metodo, Multidisciplinaridade, Colaboração Universidade-Sociedade. Design, Inovação, Metodo, Multidisciplinaridade, Colaboração Universidade-Sociedade.
DOI: 10.5151/1JPPD-0055
Referências bibliográficas
- [1] PEFFERS, K. et al. A design science research methodology for information systems research. Journal of Management Information Systems, v. 24, p. 45-77, 2007.
- [2] GONZALES, Maria Alice Camargo. Desenvolvimento de um método para inovação em interfaces envolvendo universidades, instituições públicas e organizações privadas. 2025. Tese (Doutorado em Design) - Faculdade de Arquitetura e Urbanismo, Universidade de São Paulo, São Paulo, 2025. doi:10.11606/T.16.2025.tde-05012026-161420. Acesso em: 2026-03-06.
Como citar:
Gonzales, Maria Alice; Fleury, André Leme; "Método IRIS: abordagem estruturada para inovação em interfaces multissetoriais", p-146-148.
In: 1º JPPD.
São Paulo: Blucher,
2026.
ISSN 23186968,
DOI 10.5151/1JPPD-0055
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TY - CONF T1 - Método IRIS: abordagem estruturada para inovação em interfaces multissetoriais JO - Blucher Design Proceedings VL - 14 IS - 3 SP - 146 EP - 148 PY - 2026 T2 - I Jornada Paulista de Pesquisa em Design AU - , SN - 23186968 DO - http://dx.doi.org/10.5151/1JPPD-0055 UR - www.proceedings.blucher.com.br/article-details/metodo-iris-abordagem-estruturada-para-inovacao-em-interfaces-multissetoriais KW - Design, Inovação, Metodo, Multidisciplinaridade, Colaboração Universidade-Sociedade. ER -
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number="3",
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Maria Alice Gonzales, André Leme Fleury, Método IRIS: abordagem estruturada para inovação em interfaces multissetoriais, Blucher Design Proceedings, Volume 14, 2026, Pages 146-148, ISSN 23186968, http://dx.doi.org/10.5151/1JPPD-0055 (www.proceedings.blucher.com.br/article-details/metodo-iris-abordagem-estruturada-para-inovacao-em-interfaces-multissetoriais) Palavras-chave:: Design, Inovação, Metodo, Multidisciplinaridade, Colaboração Universidade-Sociedade.;