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Moda, Design e Crip Fashion: Redefinição da estética do corpo híbrido e inclusão
Moda, Design e Crip Fashion: Redefinição da estética do corpo híbrido e inclusão
Costa, Thaís Sauer R. M.; Prado, Gilbertto
Artigo:
Resumo Expandido No cenário pós-humano, avanços em tecnologias protéticas atrelados ao Design e à Moda transcendem a reabilitação médica. Historicamente, a concepção de próteses focou na biomecânica. Sua aparência perseguia o padrão de beleza vigente, mimetizando o membro ausente numa tentativa de amenizar a diferença e disfarçar a deficiência (DENNIS, 2022 apud DUARTE; ALMEIDA, 2023). Essa "estética curativa" revela-se limitante e carrega violência simbólica, ancorando-se num modelo médico que enxerga a deficiência como ausência de um membro ou um desvio normativo a ser corrigido. Até mesmo o Design Inclusivo e o Design Universal frequentemente partem de um ideal capacitista de "normalidade", camuflando a diferença e restringindo usuários ao uso de dispositivos padronizados, sufocando a individualidade e perpetuando o estigma de corpo "incompleto". Para romper a neutralidade imposta, deve-se elevar a prótese ao status de indumentária. O vestuário modifica a silhueta e expressa identidades e atribui status. No corpo híbrido, o dispositivo assume essa função e aproxima-se do "Ser da Moda", definido pela íntima relação entre indivíduo e artefatos que o vestem (ACOM; MORAES, 2021 apud DUARTE; ALMEIDA, 2023). Assim, a prótese torna-se um autêntico artefato de comunicação. Nessa subversão estética emerge o Design Crip e, a partir dele, o Crip Fashion. O estudo evidencia a adoção dessa matriz projetual como benéfica, pois radicaliza a criação de próteses ao rejeitar o disfarce da deficiência, utilizando-a como fonte de inventividade e inovação (BARRY; NESBITT, 2023). O estigma vira singularidade. O impacto psicológico é tangível. A usuária Jo-Jo Cranfield, ao cocriar uma prótese de braço com a designer Sophie de Oliveira Barata, relata sentir-se "poderosa, diferente e sexy" (TAVARES; PAI; HENNO, 2025; MCKENZIE, 2013 apud DUARTE; ALMEIDA, 2023). O objetivo não é fugir do olhar da sociedade, mas provocar espanto, provando que a deficiência pode ser elegante. A Figura 1 sintetiza abordagens de figuras públicas que também operam próteses como plataformas políticas e de estilo: A análise demonstra que personalidades como Mullins, Modesta e Antonini alternam próteses intencionalmente, conforme a ocasião e a mensagem. Embora designers vanguardistas apliquem de forma empírica a subversão do Crip Fashion, tais práticas representam exceções. O estudo defende a adoção formal desse método no design protético para que se abandone o mimetismo e a diferença seja fonte primária de inovação estética e simbólica. Dessa forma, a criação passa a ser pensada a partir do corpo com deficiência, libertando-o das amarras normativas e resultando em estéticas que exaltam a singularidade. A aplicação sistêmica do Crip Fashion pode redefinir a estética do corpo híbrido, consolidando-o como tela em branco para modificações visuais que celebram a diferença. Propõe-se que as próteses consolidem-se como vestuário e como aliadas indispensáveis na representatividade, empoderamento e enfrentamento ao capacitismo.
Resumo Expandido No cenário pós-humano, avanços em tecnologias protéticas atrelados ao Design e à Moda transcendem a reabilitação médica. Historicamente, a concepção de próteses focou na biomecânica. Sua aparência perseguia o padrão de beleza vigente, mimetizando o membro ausente numa tentativa de amenizar a diferença e disfarçar a deficiência (DENNIS, 2022 apud DUARTE; ALMEIDA, 2023). Essa "estética curativa" revela-se limitante e carrega violência simbólica, ancorando-se num modelo médico que enxerga a deficiência como ausência de um membro ou um desvio normativo a ser corrigido. Até mesmo o Design Inclusivo e o Design Universal frequentemente partem de um ideal capacitista de "normalidade", camuflando a diferença e restringindo usuários ao uso de dispositivos padronizados, sufocando a individualidade e perpetuando o estigma de corpo "incompleto". Para romper a neutralidade imposta, deve-se elevar a prótese ao status de indumentária. O vestuário modifica a silhueta e expressa identidades e atribui status. No corpo híbrido, o dispositivo assume essa função e aproxima-se do "Ser da Moda", definido pela íntima relação entre indivíduo e artefatos que o vestem (ACOM; MORAES, 2021 apud DUARTE; ALMEIDA, 2023). Assim, a prótese torna-se um autêntico artefato de comunicação. Nessa subversão estética emerge o Design Crip e, a partir dele, o Crip Fashion. O estudo evidencia a adoção dessa matriz projetual como benéfica, pois radicaliza a criação de próteses ao rejeitar o disfarce da deficiência, utilizando-a como fonte de inventividade e inovação (BARRY; NESBITT, 2023). O estigma vira singularidade. O impacto psicológico é tangível. A usuária Jo-Jo Cranfield, ao cocriar uma prótese de braço com a designer Sophie de Oliveira Barata, relata sentir-se "poderosa, diferente e sexy" (TAVARES; PAI; HENNO, 2025; MCKENZIE, 2013 apud DUARTE; ALMEIDA, 2023). O objetivo não é fugir do olhar da sociedade, mas provocar espanto, provando que a deficiência pode ser elegante. A Figura 1 sintetiza abordagens de figuras públicas que também operam próteses como plataformas políticas e de estilo: A análise demonstra que personalidades como Mullins, Modesta e Antonini alternam próteses intencionalmente, conforme a ocasião e a mensagem. Embora designers vanguardistas apliquem de forma empírica a subversão do Crip Fashion, tais práticas representam exceções. O estudo defende a adoção formal desse método no design protético para que se abandone o mimetismo e a diferença seja fonte primária de inovação estética e simbólica. Dessa forma, a criação passa a ser pensada a partir do corpo com deficiência, libertando-o das amarras normativas e resultando em estéticas que exaltam a singularidade. A aplicação sistêmica do Crip Fashion pode redefinir a estética do corpo híbrido, consolidando-o como tela em branco para modificações visuais que celebram a diferença. Propõe-se que as próteses consolidem-se como vestuário e como aliadas indispensáveis na representatividade, empoderamento e enfrentamento ao capacitismo.
Palavras-chave: Corpo híbrido; Crip Fashion; Inclusão; Moda; Design Corpo híbrido; Crip Fashion; Inclusão; Moda; Design
DOI: 10.5151/1JPPD-0106
Referências bibliográficas
- [1] ACOM, A. C. C.; MORAES, D. R. S. O Ser da Moda entre corpo e tecnologia: uma fenomenologia do portátil. Modapalavra e-periódico, Florianópolis, v. 14, n. 34, p. 216-246, 2021.
- [2] DENNIS, N. S. The Aesthetics of Prosthetics: From the Premodern Uncanny to the Postmodern Imaginary. In: The Routledge Companion to Art and Disability. [S.l.]: Routledge, 2022. p. 358-384.
- [3] DUARTE, L. T.; ALMEIDA, M. G. Do vale da estranheza ao alto da moda: o vestir de prósteses físicas e intangíveis. [Dossiê / Artigo Científico], 2023.
- [4] MCKENZIE, S. Alternative Limb Project: Giving amputees unique limbs. CNN, 24 abr. 2013. Disponível em: https://edition.cnn.com/2013/04/24/world/europe/alternative-limb-project/. Acesso em: 14 fev. 2023.
- [5] SOGABE, M.; IKEDA, G. Próteses no Design e na Arte. DAT Journal, São Paulo, v. 7, n. 2, p. 4-19, 2022.
- [6] TAVARES, M.; PAI, C.-N.; HENNO, J. El co-design en la producción de prótesis: la confluencia entre lo artesanal y las tecnologías digitales. ANIAV_REVISTA de Investigación en Artes Visuales, v. 16, p. 147-158, 2025.
Como citar:
Costa, Thaís Sauer R. M.; Prado, Gilbertto; "Moda, Design e Crip Fashion: Redefinição da estética do corpo híbrido e inclusão", p-274-276.
In: 1º JPPD.
São Paulo: Blucher,
2026.
ISSN 23186968,
DOI 10.5151/1JPPD-0106
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TY - CONF T1 - Moda, Design e Crip Fashion: Redefinição da estética do corpo híbrido e inclusão JO - Blucher Design Proceedings VL - 14 IS - 3 SP - 274 EP - 276 PY - 2026 T2 - I Jornada Paulista de Pesquisa em Design AU - , SN - 23186968 DO - http://dx.doi.org/10.5151/1JPPD-0106 UR - www.proceedings.blucher.com.br/article-details/moda-design-e-crip-fashion-redefinicao-da-estetica-do-corpo-hibrido-e-inclusao KW - Corpo híbrido; Crip Fashion; Inclusão; Moda; Design ER -
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Thaís Sauer R. M. Costa, Gilbertto Prado, Moda, Design e Crip Fashion: Redefinição da estética do corpo híbrido e inclusão, Blucher Design Proceedings, Volume 14, 2026, Pages 274-276, ISSN 23186968, http://dx.doi.org/10.5151/1JPPD-0106 (www.proceedings.blucher.com.br/article-details/moda-design-e-crip-fashion-redefinicao-da-estetica-do-corpo-hibrido-e-inclusao) Palavras-chave:: Corpo híbrido; Crip Fashion; Inclusão; Moda; Design;