Blucher Design Proceedings
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Navegação e usabilidade infantil no YouTube Kids: fundamentos para análise de interfaces digitais.
Navegação e usabilidade infantil no YouTube Kids: fundamentos para análise de interfaces digitais.
Nunes, Franklin Araujo; Dantas, Denise
Artigo:
1. Sobre a pesquisa Este trabalho apresenta um recorte da pesquisa de mestrado em andamento, que analisa a navegação e usabilidade da interface do YouTube Kids para crianças de 5 a 8 anos. A escolha se justifica por ser a principal plataforma de streaming infantil e por ocupar destaque no contexto brasileiro: segundo a TIC Kids Online Brasil (CGI.br, 2024), o celular é o principal dispositivo de acesso à internet por crianças. O estudo busca oferecer critérios iniciais de análise e projeto de interfaces infantis, articulando design visual, arquitetura da informação e mediação parental, e evidencia a importância de produtos digitais que unam clareza funcional, segurança e estímulo criativo. O estudo articula o Design Centrado na Criança (DCC) (DRUIN, 2002; READ; BEKKER, 2011) e a Interação Humano-Computador (HCI) (PREECE; ROGERS; SHARP, 2013), com princípios da Gestalt (CYBIS; FAUST, 2015; GUIMARÃES, 2018) e da semiótica (SANTAELLA, 2002; PEIRCE, 1991). A Gestalt oferece critérios como proximidade, similaridade e pregnância de formas, essenciais para compreender como crianças interpretam ícones e agrupamentos visuais. A semiótica, por sua vez, contribui para analisar signos icônicos, cromáticos e metafóricos usados na comunicação da interface, destacando a importância de clareza e redundância em interações voltadas ao público infantil. Essas abordagens se somam a referenciais clássicos sobre o desenvolvimento cognitivo (PIAGET, 1976; VYGOTSKY, 1998; PAPERT, 1980), que ajudam a discutir tanto os limites da autonomia infantil quanto o papel da mediação parental no uso de plataformas digitais. O método adotado é uma análise da interface adaptada da abordagem de Bonsiepe (2011), desenvolvida a partir da observação de um conjunto de telas do aplicativo, home, categorias, busca, reprodução, feedbacks e controles parentais. A leitura considera critérios de clareza da navegação, previsibilidade, iconografia, cor, hierarquia visual, feedbacks e microinterações. Essa abordagem possibilita uma compreensão sistemática da interface, destacando padrões que favorecem a usabilidade e mecanismos que promovem o engajamento, oferecendo subsídios para discutir como o design equilibra clareza funcional e estratégias de retenção digital. O levantamento realizado mostra que o YouTube Kids reúne, de um lado, recursos que favorecem a previsibilidade da navegação, como ícones grandes e consistência na posição dos botões, assim como também, mecanismos que estimulam o engajamento, como recomendações automáticas e autoplay. Esse contraste entre clareza funcional, fatores socioculturais e estratégias de retenção levanta questões importantes para o design de plataformas digitais voltadas a crianças no Brasil, especialmente diante das desigualdades de acesso e das diferenças no letramento digital. Entre as principais questões identificadas, destacam-se os desafios de equilibrar autonomia infantil e mediação parental, a necessidade de interfaces que respeitem limites cognitivos e a importância de promover experiências acessíveis diante das desigualdades socioeconômicas (CGI.br, 2024; PREECE; ROGERS; SHARP, 2013; VYGOTSKY, 1998). Esses aspectos reforçam o papel do design como mediador entre clareza funcional, segurança e estímulos criativos no contexto infantil brasileiro.
1. Sobre a pesquisa Este trabalho apresenta um recorte da pesquisa de mestrado em andamento, que analisa a navegação e usabilidade da interface do YouTube Kids para crianças de 5 a 8 anos. A escolha se justifica por ser a principal plataforma de streaming infantil e por ocupar destaque no contexto brasileiro: segundo a TIC Kids Online Brasil (CGI.br, 2024), o celular é o principal dispositivo de acesso à internet por crianças. O estudo busca oferecer critérios iniciais de análise e projeto de interfaces infantis, articulando design visual, arquitetura da informação e mediação parental, e evidencia a importância de produtos digitais que unam clareza funcional, segurança e estímulo criativo. O estudo articula o Design Centrado na Criança (DCC) (DRUIN, 2002; READ; BEKKER, 2011) e a Interação Humano-Computador (HCI) (PREECE; ROGERS; SHARP, 2013), com princípios da Gestalt (CYBIS; FAUST, 2015; GUIMARÃES, 2018) e da semiótica (SANTAELLA, 2002; PEIRCE, 1991). A Gestalt oferece critérios como proximidade, similaridade e pregnância de formas, essenciais para compreender como crianças interpretam ícones e agrupamentos visuais. A semiótica, por sua vez, contribui para analisar signos icônicos, cromáticos e metafóricos usados na comunicação da interface, destacando a importância de clareza e redundância em interações voltadas ao público infantil. Essas abordagens se somam a referenciais clássicos sobre o desenvolvimento cognitivo (PIAGET, 1976; VYGOTSKY, 1998; PAPERT, 1980), que ajudam a discutir tanto os limites da autonomia infantil quanto o papel da mediação parental no uso de plataformas digitais. O método adotado é uma análise da interface adaptada da abordagem de Bonsiepe (2011), desenvolvida a partir da observação de um conjunto de telas do aplicativo, home, categorias, busca, reprodução, feedbacks e controles parentais. A leitura considera critérios de clareza da navegação, previsibilidade, iconografia, cor, hierarquia visual, feedbacks e microinterações. Essa abordagem possibilita uma compreensão sistemática da interface, destacando padrões que favorecem a usabilidade e mecanismos que promovem o engajamento, oferecendo subsídios para discutir como o design equilibra clareza funcional e estratégias de retenção digital. O levantamento realizado mostra que o YouTube Kids reúne, de um lado, recursos que favorecem a previsibilidade da navegação, como ícones grandes e consistência na posição dos botões, assim como também, mecanismos que estimulam o engajamento, como recomendações automáticas e autoplay. Esse contraste entre clareza funcional, fatores socioculturais e estratégias de retenção levanta questões importantes para o design de plataformas digitais voltadas a crianças no Brasil, especialmente diante das desigualdades de acesso e das diferenças no letramento digital. Entre as principais questões identificadas, destacam-se os desafios de equilibrar autonomia infantil e mediação parental, a necessidade de interfaces que respeitem limites cognitivos e a importância de promover experiências acessíveis diante das desigualdades socioeconômicas (CGI.br, 2024; PREECE; ROGERS; SHARP, 2013; VYGOTSKY, 1998). Esses aspectos reforçam o papel do design como mediador entre clareza funcional, segurança e estímulos criativos no contexto infantil brasileiro.
Palavras-chave: Design Centrado na Criança, Tecnologias Digitais, Usabilidade, Interação Humano-Computador, Interfaces Digitais Infantis Design Centrado na Criança, Tecnologias Digitais, Usabilidade, Interação Humano-Computador, Interfaces Digitais Infantis
DOI: 10.5151/1JPPD-0117
Referências bibliográficas
- [1] BONSIPE, Gui. Do material ao digital. São Paulo: Blücher, 2011.
- [2] CGI.br. TIC Kids Online Brasil 2024: pesquisa sobre o uso da Internet por crianças e adolescentes no Brasil. São Paulo: Comitê Gestor da Internet no Brasil, 2024.
- [3] DRUIN, Allison. The role of children in the design of new technology. Behaviour and Information Technology, v. 21, n. 1, p. 1–25, 2002.
- [4] PREECE, Jennifer; ROGERS, Yvonne; SHARP, Helen. Design de interação: além da interação humano-computador. Porto Alegre: Bookman, 2013.
- [5] SANTAELLA, Lucia. A teoria geral dos signos: como as linguagens significam as coisas. São Paulo: Cengage Learning, 2002.
- [6] PEIRCE, Charles Sanders. Semiótica. São Paulo: Perspectiva, 1991.
- [7] PIAGET, Jean. A psicologia da criança. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 1998.
- [8] VYGOTSKY, Lev. A formação social da mente. São Paulo: Martins Fontes, 1998.
- [9] PAPERT, Seymour. Mindstorms: children, computers, and powerful ideas. New York: Basic Books, 1980.
Como citar:
Nunes, Franklin Araujo; Dantas, Denise; "Navegação e usabilidade infantil no YouTube Kids: fundamentos para análise de interfaces digitais.", p-304-306.
In: 1º JPPD.
São Paulo: Blucher,
2026.
ISSN 23186968,
DOI 10.5151/1JPPD-0117
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TY - CONF T1 - Navegação e usabilidade infantil no YouTube Kids: fundamentos para análise de interfaces digitais. JO - Blucher Design Proceedings VL - 14 IS - 3 SP - 304 EP - 306 PY - 2026 T2 - I Jornada Paulista de Pesquisa em Design AU - , SN - 23186968 DO - http://dx.doi.org/10.5151/1JPPD-0117 UR - www.proceedings.blucher.com.br/article-details/navegacao-e-usabilidade-infantil-no-youtube-kids-fundamentos-para-analise-de-interfaces-digitais KW - Design Centrado na Criança, Tecnologias Digitais, Usabilidade, Interação Humano-Computador, Interfaces Digitais Infantis ER -
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Franklin Araujo Nunes, Denise Dantas, Navegação e usabilidade infantil no YouTube Kids: fundamentos para análise de interfaces digitais., Blucher Design Proceedings, Volume 14, 2026, Pages 304-306, ISSN 23186968, http://dx.doi.org/10.5151/1JPPD-0117 (www.proceedings.blucher.com.br/article-details/navegacao-e-usabilidade-infantil-no-youtube-kids-fundamentos-para-analise-de-interfaces-digitais) Palavras-chave:: Design Centrado na Criança, Tecnologias Digitais, Usabilidade, Interação Humano-Computador, Interfaces Digitais Infantis;