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O legado do design de revistas na transição de seus designers para o campo digital
O legado do design de revistas na transição de seus designers para o campo digital
Pezzin, Olivia Chiavareto; Pinheiro, Olympio José; Curcio, Gustavo Orlando Fudaba
Artigo:
1. Introdução Este resumo é parte de uma tese de doutorado que investiga a transição de designers de revistas para o campo digital no Brasil. O estudo contextualiza a queda na circulação de revistas entre 2010 e 2024, período marcado por mudanças tecnológicas como tablets e smartphones. A tese concentra-se em entrevistar 10 designers que tenham trabalhado com revistas, vivenciado a tentativa de transição das editoras para o digital e, após a diluição desse mercado, se posicionaram no campo digital. Este artigo foca, portanto, na percepção desses profissionais sobre o legado da experiência em revistas para suas atuais práticas digitais. 2. Metodologia Foram realizadas entrevistas semiestruturadas com roteiro flexível, focado nos objetivos da tese, o que permitiu aprofundar temas emergentes (Duarte; Barros, 2005). Os entrevistados, com contextos profissionais diversos, atuam hoje em marketing digital, UX/UI, editorial digital e jogos. A análise de conteúdo (Minayo et al, 2016) buscou a interpretação profunda das mensagens, superando a mera frequência de termos. Os dados foram estruturados em 4 eixos temáticos: 1. queda do mercado editorial; 2. transição para o digital; 3. vantagens e desvantagens do processo; 4. o home-office. Este trabalho apresenta os dados do eixo 3. 3. O legado do impresso como vantagem competitiva A principal habilidade diferencial identificada é o storytelling. Essa competência em comunicação é aplicada na construção de linguagens visuais e na definição de jornadas de usuário, sendo fundamental em suas posições atuais. Conforme um dos entrevistados, trata-se da percepção de ser, fundamentalmente, um designer de comunicação. Cláudio, designer de jogos, confirma que a habilidade em hierarquizar a informação o ajuda a guiar a atenção do usuário de forma mais fluida. Para Rubi, essa capacidade vem da relação profunda com o conteúdo, que norteia todo o projeto. As sólidas bases em fundamentos do design visual são também apontadas por todos os entrevistados como grande diferencial em sua atuação como designers digitais. Eles notam que seus pares, vindo de outras áreas de formação ou mesmo sem a passagem por editorias de revistas, não têm o mesmo esmero gráfico. Isso é apontado em diversas situações em que eles são reconhecidos por ter “olhos de águia” ou primar pelo alinhamento, espaçamento, kerning, mancha gráfica, eliminação de viúvas, combinação de cores e hierarquia da informação. Cláudio acredita, por exemplo, que a hierarquia da informação, por meio da tipografia, é um diferencial “que é muito difícil você ver bem aplicado em peças de designers que não vieram do editorial”. Rubi comenta que os desafios do design editorial de “fazer caber” o conteúdo em um espaço limitado, como o da revista, desenvolveram a habilidade de organizar “um quebra-cabeças”, ao decupar as informações e manter um fluxo coeso. Isso facilita seu trabalho atual em UX/UI, onde a ausência de um espaço físico limitado permite criar páginas “meio que infinitas”. A experiência com infográficos de economia, por sua vez, capacitou Marília a "mostrar os dados (...) às vezes complexos, de um jeito que sejam mais simples de ler". Em seu caso, essa expertise foi considerada para conseguir oportunidades em UX. Por fim, a vivência na complexa cadeia produtiva das revistas permitiu uma visão holística da produção, além do desenvolvimento de múltiplas habilidades. No caso de Amanda, dominar a produção gráfica é um ativo raro, pois os novos profissionais são “quase 100% digitais”, tornando seu conhecimento sobre provas de cor e fontes para impressão um diferencial. Assim, além de buscarem excelência gráfica e serem detalhistas, eles se consideram designers 360 graus, por terem conhecimento de ponta a ponta do processo produtivo em questão. Karen reflete que a experiência com os ciclos de fechamento das revistas a capacitou para a gestão de processos no ambiente digital, onde as etapas produtivas são igualmente segmentadas. Todos os entrevistados apontaram conhecer e participar dos processos de produção da revista, desde as reuniões de pauta, discussões com jornalistas, pesquisa com leitores (inclusive visitando suas casas), até o fechamento para e na gráfica. Em resumo, nos novos saberes produtivos do campo do design digital, os entrevistados identificaram que as expertises do design editorial não apenas seguem sendo usadas, como também se transformaram em verdadeiras vantagens competitivas no mundo digital, o que os torna profissionais diferenciados. 4. Referências DUARTE, J.; BARROS, A. (org). Métodos e técnicas de pesquisa em Comunicação. S. Paulo: Atlas, 2005 MINAYO, M. et al. (org). Pesquisa social: teoria, método e criatividade. Petrópolis: Ed. Vozes, 2016.
1. Introdução Este resumo é parte de uma tese de doutorado que investiga a transição de designers de revistas para o campo digital no Brasil. O estudo contextualiza a queda na circulação de revistas entre 2010 e 2024, período marcado por mudanças tecnológicas como tablets e smartphones. A tese concentra-se em entrevistar 10 designers que tenham trabalhado com revistas, vivenciado a tentativa de transição das editoras para o digital e, após a diluição desse mercado, se posicionaram no campo digital. Este artigo foca, portanto, na percepção desses profissionais sobre o legado da experiência em revistas para suas atuais práticas digitais. 2. Metodologia Foram realizadas entrevistas semiestruturadas com roteiro flexível, focado nos objetivos da tese, o que permitiu aprofundar temas emergentes (Duarte; Barros, 2005). Os entrevistados, com contextos profissionais diversos, atuam hoje em marketing digital, UX/UI, editorial digital e jogos. A análise de conteúdo (Minayo et al, 2016) buscou a interpretação profunda das mensagens, superando a mera frequência de termos. Os dados foram estruturados em 4 eixos temáticos: 1. queda do mercado editorial; 2. transição para o digital; 3. vantagens e desvantagens do processo; 4. o home-office. Este trabalho apresenta os dados do eixo 3. 3. O legado do impresso como vantagem competitiva A principal habilidade diferencial identificada é o storytelling. Essa competência em comunicação é aplicada na construção de linguagens visuais e na definição de jornadas de usuário, sendo fundamental em suas posições atuais. Conforme um dos entrevistados, trata-se da percepção de ser, fundamentalmente, um designer de comunicação. Cláudio, designer de jogos, confirma que a habilidade em hierarquizar a informação o ajuda a guiar a atenção do usuário de forma mais fluida. Para Rubi, essa capacidade vem da relação profunda com o conteúdo, que norteia todo o projeto. As sólidas bases em fundamentos do design visual são também apontadas por todos os entrevistados como grande diferencial em sua atuação como designers digitais. Eles notam que seus pares, vindo de outras áreas de formação ou mesmo sem a passagem por editorias de revistas, não têm o mesmo esmero gráfico. Isso é apontado em diversas situações em que eles são reconhecidos por ter “olhos de águia” ou primar pelo alinhamento, espaçamento, kerning, mancha gráfica, eliminação de viúvas, combinação de cores e hierarquia da informação. Cláudio acredita, por exemplo, que a hierarquia da informação, por meio da tipografia, é um diferencial “que é muito difícil você ver bem aplicado em peças de designers que não vieram do editorial”. Rubi comenta que os desafios do design editorial de “fazer caber” o conteúdo em um espaço limitado, como o da revista, desenvolveram a habilidade de organizar “um quebra-cabeças”, ao decupar as informações e manter um fluxo coeso. Isso facilita seu trabalho atual em UX/UI, onde a ausência de um espaço físico limitado permite criar páginas “meio que infinitas”. A experiência com infográficos de economia, por sua vez, capacitou Marília a "mostrar os dados (...) às vezes complexos, de um jeito que sejam mais simples de ler". Em seu caso, essa expertise foi considerada para conseguir oportunidades em UX. Por fim, a vivência na complexa cadeia produtiva das revistas permitiu uma visão holística da produção, além do desenvolvimento de múltiplas habilidades. No caso de Amanda, dominar a produção gráfica é um ativo raro, pois os novos profissionais são “quase 100% digitais”, tornando seu conhecimento sobre provas de cor e fontes para impressão um diferencial. Assim, além de buscarem excelência gráfica e serem detalhistas, eles se consideram designers 360 graus, por terem conhecimento de ponta a ponta do processo produtivo em questão. Karen reflete que a experiência com os ciclos de fechamento das revistas a capacitou para a gestão de processos no ambiente digital, onde as etapas produtivas são igualmente segmentadas. Todos os entrevistados apontaram conhecer e participar dos processos de produção da revista, desde as reuniões de pauta, discussões com jornalistas, pesquisa com leitores (inclusive visitando suas casas), até o fechamento para e na gráfica. Em resumo, nos novos saberes produtivos do campo do design digital, os entrevistados identificaram que as expertises do design editorial não apenas seguem sendo usadas, como também se transformaram em verdadeiras vantagens competitivas no mundo digital, o que os torna profissionais diferenciados. 4. Referências DUARTE, J.; BARROS, A. (org). Métodos e técnicas de pesquisa em Comunicação. S. Paulo: Atlas, 2005 MINAYO, M. et al. (org). Pesquisa social: teoria, método e criatividade. Petrópolis: Ed. Vozes, 2016.
Palavras-chave: Design editorial; revistas; design de comunicação. Design editorial; revistas; design de comunicação.
DOI: 10.5151/1JPPD-0133
Referências bibliográficas
- [1] DUARTE, J.; BARROS, A. (org). Métodos e técnicas de pesquisa em Comunicação. S. Paulo: Atlas, 2005.
- [2] MINAYO, M. et al. (org). Pesquisa social: teoria, método e criatividade. Petrópolis: Ed. Vozes, 2016.
Como citar:
Pezzin, Olivia Chiavareto; Pinheiro, Olympio José; Curcio, Gustavo Orlando Fudaba; "O legado do design de revistas na transição de seus designers para o campo digital", p-346-347.
In: 1º JPPD.
São Paulo: Blucher,
2026.
ISSN 23186968,
DOI 10.5151/1JPPD-0133
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Olivia Chiavareto Pezzin, Olympio José Pinheiro, Gustavo Orlando Fudaba Curcio, O legado do design de revistas na transição de seus designers para o campo digital, Blucher Design Proceedings, Volume 14, 2026, Pages 346-347, ISSN 23186968, http://dx.doi.org/10.5151/1JPPD-0133 (www.proceedings.blucher.com.br/article-details/o-legado-do-design-de-revistas-na-transicao-de-seus-designers-para-o-campo-digital) Palavras-chave:: Design editorial; revistas; design de comunicação.;