Blucher Philosophy Proceedings
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O Pai, De August Strindberg, e o Drama Subjetivo
O Pai, De August Strindberg, e o Drama Subjetivo
Artigo:
Em fins do século XIX, aspectos formais que caracterizavam o gênero dramático foram colocados abaixo por dramaturgos como o sueco August Strindberg. Em seu drama O Pai está presente o que mais tarde veio a se denominar dramaturgia do eu, de forte apelo subjetivo. Enquanto o tempo presente da ação dramática exige uma sequência coesa de cenas, pois uma cena deve sugerir a próxima de maneira lógica, a presente peça depende de um único personagem. O Pai é um homem que só conhece seu próprio ponto de vista, ele é a estrutura que verdadeiramente sustenta a ação e, por isso mesmo, tudo o que é mostrado se passa apenas na visão desse personagem central – o desencadear dramático depende de um olhar subjetivo, não tem existência objetiva. Além disso, diferentemente do que acontecia na tragédia antiga, em O Pai não vemos um herói que participa de uma comunidade no interior da qual transcorre a ação, mas sim um herói cristalizado e desviado de qualquer correspondência com o mundo entendido enquanto totalidade; a única totalidade encontrada é aquela vivida pelo personagem central. Se antes havia uma unidade da qual faziam parte tanto o herói quanto a ação por ele realizada, não podendo um ser separado do outro por não haver distinção substancial entre ambos, passamos a ver o progressivo retraimento desse herói. Assim, tanto se comparada ao drama canônico quanto à tragédia grega, O Pai rompe com essas noções e assume uma forma problemática. O trabalho se fundamenta na teoria crítica aplicada à literatura dramática, tendo como principais referências Georg Lukács, Peter Szondi e Raymond Williams
Em fins do século XIX, aspectos formais que caracterizavam o gênero dramático foram colocados abaixo por dramaturgos como o sueco August Strindberg. Em seu drama O Pai está presente o que mais tarde veio a se denominar dramaturgia do eu, de forte apelo subjetivo. Enquanto o tempo presente da ação dramática exige uma sequência coesa de cenas, pois uma cena deve sugerir a próxima de maneira lógica, a presente peça depende de um único personagem. O Pai é um homem que só conhece seu próprio ponto de vista, ele é a estrutura que verdadeiramente sustenta a ação e, por isso mesmo, tudo o que é mostrado se passa apenas na visão desse personagem central – o desencadear dramático depende de um olhar subjetivo, não tem existência objetiva. Além disso, diferentemente do que acontecia na tragédia antiga, em O Pai não vemos um herói que participa de uma comunidade no interior da qual transcorre a ação, mas sim um herói cristalizado e desviado de qualquer correspondência com o mundo entendido enquanto totalidade; a única totalidade encontrada é aquela vivida pelo personagem central. Se antes havia uma unidade da qual faziam parte tanto o herói quanto a ação por ele realizada, não podendo um ser separado do outro por não haver distinção substancial entre ambos, passamos a ver o progressivo retraimento desse herói. Assim, tanto se comparada ao drama canônico quanto à tragédia grega, O Pai rompe com essas noções e assume uma forma problemática. O trabalho se fundamenta na teoria crítica aplicada à literatura dramática, tendo como principais referências Georg Lukács, Peter Szondi e Raymond Williams
Palavras-chave:
DOI: 10.5151/phipro-sofia-024
Como citar:
Luis Paulo da Silva; "O Pai, De August Strindberg, e o Drama Subjetivo", p-185-190.
In: Anais da VIII Semana de Orientação Filosófica e Acadêmica [= Blucher Philosophy Proceedings, n.1, v.1].
São Paulo: Blucher,
2014.
ISSN 23586567,
DOI 10.5151/phipro-sofia-024
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TY - CONF T1 - O Pai, De August Strindberg, e o Drama Subjetivo JO - Blucher Philosophy Proceedings VL - 1 IS - 1 SP - 185 EP - 190 PY - 2014 T2 - VIII Semana de Orientação Filosófica e Acadêmica AU - SN - 23586567 DO - http://dx.doi.org/10.5151/phipro-sofia-024 UR - www.proceedings.blucher.com.br/article-details/o-pai-de-august-strindberg-e-o-drama-subjetivo-9950 KW - ER -
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Luís Paulo da Silva, O Pai, De August Strindberg, e o Drama Subjetivo, Blucher Philosophy Proceedings, Volume 1, 2014, Pages 185-190, ISSN 23586567, http://dx.doi.org/10.5151/phipro-sofia-024 (www.proceedings.blucher.com.br/article-details/o-pai-de-august-strindberg-e-o-drama-subjetivo-9950) Palavras-chave:: ;