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Percepção e Composição Visual nos Tecidos Africanos: um estudo sobre o Kente e o Bogolan
Percepção e Composição Visual nos Tecidos Africanos: um estudo sobre o Kente e o Bogolan
Santos, Maria Alice Nascimento; Menezes, Marizilda dos Santos
Artigo:
1. Introdução A percepção visual é essencial para compreender a relação entre o ser humano e as imagens, especialmente na arte e no design. Segundo Arnheim (1998), Dondis (1994) e Alves (2020), perceber envolve interpretar, sentir e atribuir significados. Este artigo investiga a percepção e a comunicação visual nos tecidos africanos Kente e Bogolan, buscando entender como princípios universais da percepção se expressam em produções culturais específicas. A pesquisa é teórica e analítica, baseada em revisão bibliográfica nas áreas de psicologia da forma, comunicação visual e design. A análise relaciona os fundamentos da composição visual de Dondis (1994) aos padrões gráficos dos tecidos africanos, evidenciando como esses elementos constroem significados estéticos e simbólicos. 2. A linguagem visual do Kente e Bogolan As teorias da percepção visual apresentam dois grandes enfoques: o representacionista, que considera o processo perceptivo como construção interna, e o ecológico, que entende a percepção como resultado da interação entre sujeito e ambiente conforme Alves (2020). Arnheim (1998) amplia essa compreensão ao afirmar que perceber é também pensar, e que toda forma visual contém tensões internas que direcionam a experiência estética. Já Dondis (1994) e Bergmann (2007) reforçam que a percepção é ativa e integradora, traduzindo o mundo em significados visuais. Os fundamentos da composição visual correspondem aos princípios que orientam a organização dos elementos em uma imagem, como equilíbrio, contraste, cor, textura, escala, direção e movimento. Esses aspectos determinam a harmonia e a expressividade da obra, influenciando diretamente a forma como o observador interpreta o que vê. Ao aplicar esses fundamentos aos tecidos africanos, observa-se que o Kente (Figura 1), de Gana, manifesta equilíbrio e ritmo por meio de suas cores vibrantes e estruturas geométricas, comunicando poder e identidade cultural. Já o Bogolan (Figura 2), do Mali, revela contrastes marcantes entre tons terrosos e formas orgânicas, expressando a ligação espiritual com a terra e a ancestralidade. Em ambos os casos, forma, cor e textura funcionam como sistemas simbólicos que narram histórias e valores coletivos. Essas relações demonstram a coerência entre os princípios da percepção e os valores culturais africanos. Cada tecido atua como um sistema de signos visuais, no qual a composição constrói narrativas e identidades. A comunicação visual, nesse sentido, ultrapassa a função estética e torna-se linguagem simbólica, capaz de transmitir memórias, espiritualidades e experiências sociais. 3. Conclusão A análise dos tecidos africanos evidencia que a percepção visual ultrapassa a dimensão sensorial, configurando-se como um processo cognitivo e cultural. Os fundamentos da composição visual encontram ressonância nas produções do Kente e do Bogolan, revelando a universalidade das estruturas perceptivas e a singularidade das expressões culturais. Essas estampas se afirmam como discursos visuais que articulam corpo, memória e identidade, valorizando as heranças afro-diaspóricas por meio da arte e do design.
1. Introdução A percepção visual é essencial para compreender a relação entre o ser humano e as imagens, especialmente na arte e no design. Segundo Arnheim (1998), Dondis (1994) e Alves (2020), perceber envolve interpretar, sentir e atribuir significados. Este artigo investiga a percepção e a comunicação visual nos tecidos africanos Kente e Bogolan, buscando entender como princípios universais da percepção se expressam em produções culturais específicas. A pesquisa é teórica e analítica, baseada em revisão bibliográfica nas áreas de psicologia da forma, comunicação visual e design. A análise relaciona os fundamentos da composição visual de Dondis (1994) aos padrões gráficos dos tecidos africanos, evidenciando como esses elementos constroem significados estéticos e simbólicos. 2. A linguagem visual do Kente e Bogolan As teorias da percepção visual apresentam dois grandes enfoques: o representacionista, que considera o processo perceptivo como construção interna, e o ecológico, que entende a percepção como resultado da interação entre sujeito e ambiente conforme Alves (2020). Arnheim (1998) amplia essa compreensão ao afirmar que perceber é também pensar, e que toda forma visual contém tensões internas que direcionam a experiência estética. Já Dondis (1994) e Bergmann (2007) reforçam que a percepção é ativa e integradora, traduzindo o mundo em significados visuais. Os fundamentos da composição visual correspondem aos princípios que orientam a organização dos elementos em uma imagem, como equilíbrio, contraste, cor, textura, escala, direção e movimento. Esses aspectos determinam a harmonia e a expressividade da obra, influenciando diretamente a forma como o observador interpreta o que vê. Ao aplicar esses fundamentos aos tecidos africanos, observa-se que o Kente (Figura 1), de Gana, manifesta equilíbrio e ritmo por meio de suas cores vibrantes e estruturas geométricas, comunicando poder e identidade cultural. Já o Bogolan (Figura 2), do Mali, revela contrastes marcantes entre tons terrosos e formas orgânicas, expressando a ligação espiritual com a terra e a ancestralidade. Em ambos os casos, forma, cor e textura funcionam como sistemas simbólicos que narram histórias e valores coletivos. Essas relações demonstram a coerência entre os princípios da percepção e os valores culturais africanos. Cada tecido atua como um sistema de signos visuais, no qual a composição constrói narrativas e identidades. A comunicação visual, nesse sentido, ultrapassa a função estética e torna-se linguagem simbólica, capaz de transmitir memórias, espiritualidades e experiências sociais. 3. Conclusão A análise dos tecidos africanos evidencia que a percepção visual ultrapassa a dimensão sensorial, configurando-se como um processo cognitivo e cultural. Os fundamentos da composição visual encontram ressonância nas produções do Kente e do Bogolan, revelando a universalidade das estruturas perceptivas e a singularidade das expressões culturais. Essas estampas se afirmam como discursos visuais que articulam corpo, memória e identidade, valorizando as heranças afro-diaspóricas por meio da arte e do design.
Palavras-chave: Percepção visual; composição visual; linguagem visual; tecidos africanos. Percepção visual; composição visual; linguagem visual; tecidos africanos.
DOI: 10.5151/1JPPD-0022
Referências bibliográficas
- [1] ALVES, Ana Laura. Design ergonômico e Percepção visual: a influência da cor na usabilidade de artefatos de uso cotidiano. 2020. 186 f. Dissertação (Mestrado) - Curso de Design, Universidade Estadual Paulista, Bauru, 2020. Disponível em: https://repositorio.unesp.br/items/407bec2c-2efd-46b6-8539-2360532e0e65. Acesso em: 30 maio 2024.
- [2] ARNHEIM, Rudolf. Arte & percepção visual: uma psicologia da visão criadora. 12. ed. São Paulo: Pioneira, 1998.
- [3] BERGMANN, M. Análise da percepção ambiental da população ribeirinha do rio Santo Cristo e de estudantes e professores de duas escolas públicas, município de Giruá/RS. Dissertação (Mestrado em Ecologia), Instituto de Biociências, Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, 2007.
- [4] DONDIS, Donis A. Sintaxe da linguagem visual/Donis A. Dondis; [tradução Jefferson Luiz Camargo]. São Paulo: Martins fontes, 2000. Disponível em: https://daisyaguilera.wordpress.com/wp-content/uploads/2011/02/livro_sintaxe_da_linguagem_visual-dondis_donis_a.pdf. Acesso em: 26 jun. 2024.
- [5] SANTOS, Maria Letícia dos. Tecendo saberes: uma proposta de sequência didática para o ensino de cultura afro-brasileira a partir da arte têxtil africana. 2025. 33 f. Monografia (Especialização) - Curso de História, Universidade Federal de Sergipe, São Cristóvão, 2025. Disponível em: https://ri.ufs.br/handle/riufs/22572. Acesso em: 26 maio 2024.
Como citar:
Santos, Maria Alice Nascimento; Menezes, Marizilda dos Santos; "Percepção e Composição Visual nos Tecidos Africanos: um estudo sobre o Kente e o Bogolan", p-60-62.
In: 1º JPPD.
São Paulo: Blucher,
2026.
ISSN 23186968,
DOI 10.5151/1JPPD-0022
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TY - CONF T1 - Percepção e Composição Visual nos Tecidos Africanos: um estudo sobre o Kente e o Bogolan JO - Blucher Design Proceedings VL - 14 IS - 3 SP - 60 EP - 62 PY - 2026 T2 - I Jornada Paulista de Pesquisa em Design AU - , SN - 23186968 DO - http://dx.doi.org/10.5151/1JPPD-0022 UR - www.proceedings.blucher.com.br/article-details/percepcao-e-composicao-visual-nos-tecidos-africanos-um-estudo-sobre-o-kente-e-o-bogolan KW - Percepção visual; composição visual; linguagem visual; tecidos africanos. ER -
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Maria Alice Nascimento Santos, Marizilda dos Santos Menezes, Percepção e Composição Visual nos Tecidos Africanos: um estudo sobre o Kente e o Bogolan, Blucher Design Proceedings, Volume 14, 2026, Pages 60-62, ISSN 23186968, http://dx.doi.org/10.5151/1JPPD-0022 (www.proceedings.blucher.com.br/article-details/percepcao-e-composicao-visual-nos-tecidos-africanos-um-estudo-sobre-o-kente-e-o-bogolan) Palavras-chave:: Percepção visual; composição visual; linguagem visual; tecidos africanos.;