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Práticas de autonomia para o desenvolvimento tecnológico no Sul Global
Práticas de autonomia para o desenvolvimento tecnológico no Sul Global
Ribeiro, Ana Carolina Ritschel; Velloso, Leandro Manuel Reis
Artigo:
São muito difundidas as dificuldades de desenvolvimento de novas tecnologias territorializadas em países do Sul Global. Tais narrativas, apesar de ancoradas em aspectos da realidade como crises e práticas imperialistas (Lippod; Faustino, 2022), estão atadas à ideia hegemônica do que é a produção tecnológica. Vieira Pinto (2005) observa que o conceito de tecnologia é ideologizado, dissimula relações de dominação produzindo forte desmobilização em nações ditas subdesenvolvidas. Assim é preciso evidenciar as produções e reflexões desenvolvidas no Sul Global. Para citar apenas algumas com práticas, reflexões e resistência como estratégia de inovação temos: o Núcleo de Tecnologia do MTST, a Rede Mocambos, a MariaLab, a Casa dos Meninos, a Rede Portal Sem Porteiras, o Movimento Software Livre Brasil, a pesquisa Arquigrafia, a Plantaformas e a Onda.Social. Logo discutimos a função do design como prática com potencial emancipatório em contextos digitais. Não nos interessa, porém, observar como profissionais propõem ferramentas de emancipação, mas como pessoas interessadas em determinados problemas, e munidas de ferramentas e processos de design, produzem suas próprias soluções. Nos aproximamos do conceito de diseño autónomo de Escobar (2017) compreendendo o design não como fornecedor de soluções, mas como ferramenta de autonomia. Analisamos a partir da observação participante, então, o caso da Onda.Social, iniciativa proponente de um ecossistema de redes sociais sustentáveis, federadas e de código aberto orientadas ao bem comum. Analisamos dois aspectos do desenvolvimento de projetos: a formação do grupo atuante e as motivações de seus integrantes para a ação e aprasentamos os resultados a seguir. Sawyer (2012) destaca que a formação de grupos é crucial para resultados satisfatórios em atividades criativas, sendo um dos pontos-chave a complementaridade. A Onda.Social tem o conceito da Interseccionalidade (Crenshaw, 2004) como guia de recrutamento. Existe um esforço para que seus membros contribuam com diferentes visões de mundo fruto de experiências diversas ancoradas em distintos marcadores sociais como território, idade, gênero, raça e conhecimento. Contudo, Sawyer (2012) alerta para o risco de grupos disfuncionais quando as visões de mundo são muito distintas. Para tanto, o grupo preocupa-se com o alinhamento político mínimo, como o apoio ao campo progressista.Amábile (1996), argumenta que motivações individuais são cruciais, tanto aquelas intrínsecas (reações positivas do indivíduo sobre determinada tarefa) como as extrínsecas (que surgem fora do contexto específico da tarefa). Na Onda.Social observamos uma distribuição orgânica de tarefas entre os membros, sem que haja uma liderança determinando o que será feito e por quem. Tal modelo pode indicar uma boa prática que estimula a participação por meio de motivações intrínsecas de cada indivíduo. Já para motivações extrínsecas vemos duas situações aplicáveis ao contexto estudado: a primeira, externa ao grupo, relaciona-se ao momento político em que o debate público critica grandes empresas de tecnologia, avalia a soberania digital brasileira e a regulamentação de plataformas. Nesse cenário, o grupo articula-se com movimentos políticos maiores como a Rede de Soberania, que incide sobre governo federal sobre temas de soberania digital, e a Campanha Internet Legal, que discute e propõe regulamentações para plataformas. A segunda situação é a construção do espaço relacional saudável entre seus membros, que são incentivados ao debate e compromisso com a execução de tarefas. Enfim, é importante salientar que a Onda.Social é recente. Apesar da formação ser um momento chave, é preciso continuar o acompanhamento para determinar se tais ações iniciais serão determinantes no cumprimento de seus objetivos.
São muito difundidas as dificuldades de desenvolvimento de novas tecnologias territorializadas em países do Sul Global. Tais narrativas, apesar de ancoradas em aspectos da realidade como crises e práticas imperialistas (Lippod; Faustino, 2022), estão atadas à ideia hegemônica do que é a produção tecnológica. Vieira Pinto (2005) observa que o conceito de tecnologia é ideologizado, dissimula relações de dominação produzindo forte desmobilização em nações ditas subdesenvolvidas. Assim é preciso evidenciar as produções e reflexões desenvolvidas no Sul Global. Para citar apenas algumas com práticas, reflexões e resistência como estratégia de inovação temos: o Núcleo de Tecnologia do MTST, a Rede Mocambos, a MariaLab, a Casa dos Meninos, a Rede Portal Sem Porteiras, o Movimento Software Livre Brasil, a pesquisa Arquigrafia, a Plantaformas e a Onda.Social. Logo discutimos a função do design como prática com potencial emancipatório em contextos digitais. Não nos interessa, porém, observar como profissionais propõem ferramentas de emancipação, mas como pessoas interessadas em determinados problemas, e munidas de ferramentas e processos de design, produzem suas próprias soluções. Nos aproximamos do conceito de diseño autónomo de Escobar (2017) compreendendo o design não como fornecedor de soluções, mas como ferramenta de autonomia. Analisamos a partir da observação participante, então, o caso da Onda.Social, iniciativa proponente de um ecossistema de redes sociais sustentáveis, federadas e de código aberto orientadas ao bem comum. Analisamos dois aspectos do desenvolvimento de projetos: a formação do grupo atuante e as motivações de seus integrantes para a ação e aprasentamos os resultados a seguir. Sawyer (2012) destaca que a formação de grupos é crucial para resultados satisfatórios em atividades criativas, sendo um dos pontos-chave a complementaridade. A Onda.Social tem o conceito da Interseccionalidade (Crenshaw, 2004) como guia de recrutamento. Existe um esforço para que seus membros contribuam com diferentes visões de mundo fruto de experiências diversas ancoradas em distintos marcadores sociais como território, idade, gênero, raça e conhecimento. Contudo, Sawyer (2012) alerta para o risco de grupos disfuncionais quando as visões de mundo são muito distintas. Para tanto, o grupo preocupa-se com o alinhamento político mínimo, como o apoio ao campo progressista.Amábile (1996), argumenta que motivações individuais são cruciais, tanto aquelas intrínsecas (reações positivas do indivíduo sobre determinada tarefa) como as extrínsecas (que surgem fora do contexto específico da tarefa). Na Onda.Social observamos uma distribuição orgânica de tarefas entre os membros, sem que haja uma liderança determinando o que será feito e por quem. Tal modelo pode indicar uma boa prática que estimula a participação por meio de motivações intrínsecas de cada indivíduo. Já para motivações extrínsecas vemos duas situações aplicáveis ao contexto estudado: a primeira, externa ao grupo, relaciona-se ao momento político em que o debate público critica grandes empresas de tecnologia, avalia a soberania digital brasileira e a regulamentação de plataformas. Nesse cenário, o grupo articula-se com movimentos políticos maiores como a Rede de Soberania, que incide sobre governo federal sobre temas de soberania digital, e a Campanha Internet Legal, que discute e propõe regulamentações para plataformas. A segunda situação é a construção do espaço relacional saudável entre seus membros, que são incentivados ao debate e compromisso com a execução de tarefas. Enfim, é importante salientar que a Onda.Social é recente. Apesar da formação ser um momento chave, é preciso continuar o acompanhamento para determinar se tais ações iniciais serão determinantes no cumprimento de seus objetivos.
Palavras-chave: Design colaborativo, Criatividade em grupo, Desenvolvimento de software, Sul Global Design colaborativo, Criatividade em grupo, Desenvolvimento de software, Sul Global
DOI: 10.5151/1JPPD-0001
Referências bibliográficas
- [1] AMABILE, T. M. Creativity in context: Update to "The Social Psychology of Creativity." Philadelphia
Como citar:
Ribeiro, Ana Carolina Ritschel; Velloso, Leandro Manuel Reis; "Práticas de autonomia para o desenvolvimento tecnológico no Sul Global", p-1-2.
In: 1º JPPD.
São Paulo: Blucher,
2026.
ISSN 23186968,
DOI 10.5151/1JPPD-0001
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Ana Carolina Ritschel Ribeiro, Leandro Manuel Reis Velloso, Práticas de autonomia para o desenvolvimento tecnológico no Sul Global, Blucher Design Proceedings, Volume 14, 2026, Pages 1-2, ISSN 23186968, http://dx.doi.org/10.5151/1JPPD-0001 (www.proceedings.blucher.com.br/article-details/praticas-de-autonomia-para-o-desenvolvimento-tecnologico-no-sul-global) Palavras-chave:: Design colaborativo, Criatividade em grupo, Desenvolvimento de software, Sul Global;