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Processos e potencialidades da recuperação de um cavalete tipográfico
Processos e potencialidades da recuperação de um cavalete tipográfico
Mattos, Giulia Luiza Brandão de; Piaia, Jade Samara
Artigo:
A criação de laboratórios de tipografia que incluam práticas com tipos móveis em ambientes universitários tem se expandido. No Brasil, iniciativas como a Gráfica Escola, do Instituto Federal de Pernambuco (IFPE), e, na América Latina, o projeto Entre Plomos, da Universidade de Cauca (Colômbia), exemplificam esse movimento que busca recuperar materiais, maquinários, histórias e saberes relacionados à tipografia, explorando seu potencial prático, visual e educativo. A presença dessas práticas na formação em Design contribui para o enriquecimento acadêmico e evidencia a importância das técnicas e conhecimentos tradicionais como fundamentos relevantes para o desenvolvimento profissional. A incorporação de acervos tipográficos na universidade enfrenta desafios relacionados à viabilização do uso desses materiais provenientes de gráficas desativadas, exigindo sua recuperação física. Assim, esta pesquisa se dedica ao estudo das fontes tipográficas do Cavalete n.º 2 do acervo do Instituto Lauro de Souza Lima (ILSL), recentemente incorporado ao Laboratório de Tipografia da FAAC/UNESP, em Bauru. A pesquisa analisa a diversidade das fontes tipográficas e suas relações com os processos de impressão e composição manual, articulando dimensões técnicas, históricas e visuais do acervo. Foram recuperadas doze gavetas do modelo francês, em dois tamanhos, com variação no estado de conservação. As bases apresentavam rachaduras e danos por umidade e insetos, exigindo substituição total ou reparos pontuais. As divisórias demandaram apenas ajustes; o processo envolveu remoção de tinta, lixamento e reforço estrutural. O cavalete reúne quatorze fontes, com predominância de tipos voltados à composição de texto corrido, entre os corpos 6 e 24 pontos. O conjunto apresenta diversidade de estilos, grande volume de caracteres e famílias completas. A classificação inicial seguiu os parâmetros gerais da plataforma Tipografia Paulistana (LabVisual, 2018), abrangendo fontes Grotescas, Escriturais e Serifadas. As variações de estilos e corpos estão demonstradas na Figura 1. Na sequência, a pesquisa se concentrará na identificação das famílias tipográficas a partir de catálogos de tipos, tanto de fundidoras instaladas no Brasil no século XX, como a Funtimod e a Manig, quanto de fundidoras estrangeiras. Foram observadas algumas similaridades preliminares com os tipos presentes em catálogos da Funtimod, como as fontes Escritura a Máquina e Atenas que possuem características semelhantes às fontes do acervo. A identificação será aprofundada por meio de análises comparativas entre impressões produzidas com os tipos e as referências dos catálogos, permitindo uma classificação mais precisa quanto à fundidora de origem e denominação das famílias, como proposto por Piaia e Farias (2021). Considerando a completude e a conservação das fontes, o acervo possui potencial para experimentações práticas de composição e impressão manual. Paralelamente, a pesquisa se dedica à recuperação da memória gráfica da oficina tipográfica do ILSL, onde parte dos equipamentos permanece preservada. Essa etapa propõe mapear os maquinários e reconstruir a trajetória histórica do espaço, articulando ideias discutidas por Farias e Braga (2018) e Utsch (2015). Os avanços obtidos até o momento, com a recuperação do Cavalete n.º 2 e o reconhecimento das fontes que compõem seu acervo, permitiram dimensionar a variedade tipográfica e consolidar a base material da pesquisa. A pesquisa visa integrar os eixos de preservação material, investigação histórica e experimentação prática em contexto universitário, fortalecendo tais práticas na pesquisa em design. Espera-se que os resultados sirvam de base para futuras ações de documentação, ensino e extensão, fortalecendo a cultura tipográfica e sua relevância histórica, estética e formativa no design.
A criação de laboratórios de tipografia que incluam práticas com tipos móveis em ambientes universitários tem se expandido. No Brasil, iniciativas como a Gráfica Escola, do Instituto Federal de Pernambuco (IFPE), e, na América Latina, o projeto Entre Plomos, da Universidade de Cauca (Colômbia), exemplificam esse movimento que busca recuperar materiais, maquinários, histórias e saberes relacionados à tipografia, explorando seu potencial prático, visual e educativo. A presença dessas práticas na formação em Design contribui para o enriquecimento acadêmico e evidencia a importância das técnicas e conhecimentos tradicionais como fundamentos relevantes para o desenvolvimento profissional. A incorporação de acervos tipográficos na universidade enfrenta desafios relacionados à viabilização do uso desses materiais provenientes de gráficas desativadas, exigindo sua recuperação física. Assim, esta pesquisa se dedica ao estudo das fontes tipográficas do Cavalete n.º 2 do acervo do Instituto Lauro de Souza Lima (ILSL), recentemente incorporado ao Laboratório de Tipografia da FAAC/UNESP, em Bauru. A pesquisa analisa a diversidade das fontes tipográficas e suas relações com os processos de impressão e composição manual, articulando dimensões técnicas, históricas e visuais do acervo. Foram recuperadas doze gavetas do modelo francês, em dois tamanhos, com variação no estado de conservação. As bases apresentavam rachaduras e danos por umidade e insetos, exigindo substituição total ou reparos pontuais. As divisórias demandaram apenas ajustes; o processo envolveu remoção de tinta, lixamento e reforço estrutural. O cavalete reúne quatorze fontes, com predominância de tipos voltados à composição de texto corrido, entre os corpos 6 e 24 pontos. O conjunto apresenta diversidade de estilos, grande volume de caracteres e famílias completas. A classificação inicial seguiu os parâmetros gerais da plataforma Tipografia Paulistana (LabVisual, 2018), abrangendo fontes Grotescas, Escriturais e Serifadas. As variações de estilos e corpos estão demonstradas na Figura 1. Na sequência, a pesquisa se concentrará na identificação das famílias tipográficas a partir de catálogos de tipos, tanto de fundidoras instaladas no Brasil no século XX, como a Funtimod e a Manig, quanto de fundidoras estrangeiras. Foram observadas algumas similaridades preliminares com os tipos presentes em catálogos da Funtimod, como as fontes Escritura a Máquina e Atenas que possuem características semelhantes às fontes do acervo. A identificação será aprofundada por meio de análises comparativas entre impressões produzidas com os tipos e as referências dos catálogos, permitindo uma classificação mais precisa quanto à fundidora de origem e denominação das famílias, como proposto por Piaia e Farias (2021). Considerando a completude e a conservação das fontes, o acervo possui potencial para experimentações práticas de composição e impressão manual. Paralelamente, a pesquisa se dedica à recuperação da memória gráfica da oficina tipográfica do ILSL, onde parte dos equipamentos permanece preservada. Essa etapa propõe mapear os maquinários e reconstruir a trajetória histórica do espaço, articulando ideias discutidas por Farias e Braga (2018) e Utsch (2015). Os avanços obtidos até o momento, com a recuperação do Cavalete n.º 2 e o reconhecimento das fontes que compõem seu acervo, permitiram dimensionar a variedade tipográfica e consolidar a base material da pesquisa. A pesquisa visa integrar os eixos de preservação material, investigação histórica e experimentação prática em contexto universitário, fortalecendo tais práticas na pesquisa em design. Espera-se que os resultados sirvam de base para futuras ações de documentação, ensino e extensão, fortalecendo a cultura tipográfica e sua relevância histórica, estética e formativa no design.
Palavras-chave: Design; Tipografia; Memória Gráfica; Cultura da Impressão Design; Tipografia; Memória Gráfica; Cultura da Impressão
DOI: 10.5151/1JPPD-0078
Referências bibliográficas
- [1] FARIAS, Priscila Lena; BRAGA, Marcos da Costa. O que é memória gráfica? Dez ensaios sobre memória gráfica. São Paulo: Blucher, 2018. Acesso em: 6 out. 2025.
- [2] LABVISUAL. Tipografia Paulistana: Tipos, 2018. Disponível em: https://labvisual.fau.usp.br/tipografiapaulistana/tipos/mosaico. Acesso em: 7 out. 2025
- [3] PIAIA, Jade Samara; FARIAS, Priscila Lena. Identificando a origem de fontes tipográficas a partir de um catálogo de tipos: o repertório do Specimen de Tipos da Tipografia Hennies Irmãos. Estudos em Design (online), v. 29, p. 6-26, 2021
- [4] UTSCH, Ana (org.). Museu Tipografia Pão de Santo Antônio: patrimônio gráfico entre ação e preservação. Diamantina: Associação do Pão de Santo Antônio, 2015.
Como citar:
Mattos, Giulia Luiza Brandão de; Piaia, Jade Samara; "Processos e potencialidades da recuperação de um cavalete tipográfico", p-204-206.
In: 1º JPPD.
São Paulo: Blucher,
2026.
ISSN 23186968,
DOI 10.5151/1JPPD-0078
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Giulia Luiza Brandão de Mattos, Jade Samara Piaia, Processos e potencialidades da recuperação de um cavalete tipográfico, Blucher Design Proceedings, Volume 14, 2026, Pages 204-206, ISSN 23186968, http://dx.doi.org/10.5151/1JPPD-0078 (www.proceedings.blucher.com.br/article-details/processos-e-potencialidades-da-recuperacao-de-um-cavalete-tipografico) Palavras-chave:: Design; Tipografia; Memória Gráfica; Cultura da Impressão;